Ficha com Dados de Segurança de Resíduos Químicos (FDSR): quando é obrigatória no Brasil
A gestão de resíduos químicos é uma etapa essencial para garantir a segurança dos trabalhadores, a proteção do meio ambiente e a conformidade legal das empresas. Além da correta classificação e destinação dos resíduos, é indispensável disponibilizar informações técnicas que orientem seu manuseio, armazenamento, transporte e resposta a emergências.
Nesse contexto, a Ficha com Dados de Segurança de Resíduos Químicos (FDSR) desempenha um papel fundamental, reunindo informações sobre os perigos do resíduo e as medidas de prevenção e controle necessárias durante todo o seu ciclo de gerenciamento.
Apesar de sua importância, muitas empresas ainda têm dúvidas sobre a obrigatoriedade desse documento. Afinal, toda empresa que gera resíduos químicos precisa elaborar uma FDSR? Em quais situações a legislação brasileira exige sua emissão?
Neste artigo, você entenderá quando a FDSR é obrigatória no Brasil, quais normas regulamentam esse documento e como identificar os cenários em que sua elaboração é necessária para atender aos requisitos legais e garantir a segurança das operações.

O que é FDSR?
A FDSR é a Ficha com Dados de Segurança de Resíduos, um documento técnico que reúne informações sobre riscos, manuseio, armazenamento, transporte e destinação de resíduos químicos perigosos.
Ela é obrigatória sempre que o resíduo apresenta características de periculosidade, como inflamabilidade, toxicidade, corrosividade ou reatividade, conforme critérios da legislação brasileira e do sistema GHS.
A FDSR funciona como uma adaptação da FDS (Ficha com Dados de Segurança) para resíduos, garantindo que todas as etapas do ciclo de vida do resíduo sejam realizadas com segurança e conformidade legal.
Contexto e importância da FDSR no Brasil
A geração de resíduos químicos no Brasil cresce de forma proporcional ao avanço industrial. Segundo dados do IBGE, setores como indústria, saúde e agronegócio são responsáveis por volumes significativos de resíduos perigosos.
Além disso, a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece que empresas são responsáveis por todo o ciclo de vida dos resíduos que geram — da geração à destinação final.
Nesse cenário, a FDSR resíduos químicos deixa de ser apenas um documento técnico e passa a ser uma exigência estratégica para:
- garantir segurança operacional
- reduzir riscos ambientais
- atender auditorias e fiscalizações
- evitar penalidades legais
A ausência desse documento pode comprometer inclusive contratos com transportadoras e empresas de destinação.
Como funciona a FDSR na prática
A elaboração e aplicação da FDSR segue uma lógica técnica baseada na identificação de perigos e controle de riscos.
Veja como funciona na prática:
- Identificação do resíduo
- Origem do resíduo
- Processo gerador
- Composição química
- Classificação de perigos
- Escolha do sistema de classificação
- Aplicação dos critérios Identificação de riscos físicos, à saúde e ao meio ambiente
- Estruturação da FDSR
- Informações padronizadas em seções (semelhantes à FDS)
- Dados sobre transporte, armazenamento e emergência
- Aplicação operacional
- Uso pela equipe interna
- Compartilhamento com transportadores e destinadores
- Atualização periódica
- Revisão conforme mudança de composição ou legislação
Esse fluxo garante que o resíduo seja tratado com o mesmo nível de controle aplicado a produtos químicos.
Requisitos técnicos e normas aplicáveis
A obrigatoriedade da FDSR não está concentrada em uma única norma, mas sim em um conjunto de regulamentações que, na prática, exigem sua elaboração.
Entre os principais referenciais técnicos estão:
1. ABNT NBR 14725
- Define critérios de classificação de perigos
- Estrutura da Ficha com Dados de Segurança
- Base técnica utilizada para adaptação à FDSR
2. NR-26
- Internaliza o GHS no Brasil
- Estabelece diretrizes para comunicação de perigos
3. Lei 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos
- Define responsabilidade compartilhada
- Exige controle sobre riscos de resíduos
4. Normas de transporte terrestre (ANTT)
- Exigem informações de risco para movimentação de resíduos perigosos
Quando a FDSR se torna obrigatória?
De forma geral, a Ficha com Dados de Segurança de Resíduos Químicos (FDSR) é exigida quando o resíduo apresenta perigos que demandam a comunicação de informações de segurança para seu manuseio, armazenamento, transporte ou destinação.
Na prática, a elaboração da FDSR é necessária, principalmente, quando:
- o resíduo é classificado como perigoso;
- o resíduo apresenta riscos à saúde humana ou ao meio ambiente que precisam ser comunicados aos envolvidos em seu gerenciamento;
- empresas terceirizadas participam das etapas de coleta, transporte, tratamento ou destinação final do resíduo.
Nessas situações, a FDSR fornece informações essenciais para que todos os envolvidos conheçam os perigos do resíduo e adotem as medidas adequadas de prevenção, resposta a emergências e controle de riscos, contribuindo para o atendimento aos requisitos legais e para a segurança das operações.
Tabela: FDS x FDSR — principais diferenças
| Critério | FDS (Produto Químico) | FDSR (Resíduo Químico) |
| Aplicação | Substâncias e misturas comerciais | Resíduos gerados na empresa |
| Base normativa | ABNT NBR 14725 | ABNT NBR 16725 |
| Composição | Fixa | Variável conforme processo gerador |
| Objetivo | Segurança no uso do produto | Segurança na gestão do resíduo |
| Obrigatoriedade | Produtos perigosos | Resíduos perigosos |
Principais erros relacionados à FDSR
Mesmo empresas estruturadas cometem falhas na gestão da FDSR de resíduos químicos. Os erros mais comuns incluem:
- Não elaborar FDSR para resíduos perigosos
Acreditar que apenas a FDS do produto original é suficiente. - Copiar FDS de produtos químicos
Resíduos possuem composição diferente e devem ser tratados como novos materiais. - Não atualizar o documento
Mudanças no processo produtivo alteram o perfil do resíduo. - Falta de integração com o PGRS
A FDSR deve estar alinhada ao Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.
Benefícios de aplicar corretamente a FDSR
A correta aplicação da FDSR resíduos químicos gera ganhos diretos para a empresa:
- Redução de riscos operacionais
Menos acidentes e exposição a agentes perigosos - Conformidade legal
Atendimento às exigências de fiscalização - Eficiência na gestão de resíduos
Processos mais organizados e rastreáveis - Facilidade em auditorias
Documentação técnica adequada - Melhor relação com parceiros
Transportadoras e destinadores exigem esse documento
Além disso, empresas que estruturam corretamente sua gestão de resíduos fortalecem sua imagem institucional e reduzem passivos ambientais.
Perguntas frequentes sobre FDSR resíduos químicos
- A FDSR substitui a FDS?
Não. A FDS é aplicada a produtos químicos. A FDSR é específica para resíduos e complementa a documentação.
- Todo resíduo químico precisa de FDSR?
Não. Apenas resíduos classificados como perigosos exigem a FDSR de resíduos químicos.
- Quem é responsável pela elaboração da FDSR?
A empresa geradora do resíduo é responsável, podendo contratar especialistas para elaboração técnica.
- Existe um modelo padrão de FDSR?
Sim, ela deve ser elaborada conforme as orientações da ABNT NBR 16725.
- A falta de FDSR gera multa?
Pode gerar autuações, além de impedir transporte e destinação adequada.
Conte com especialistas para garantir a conformidade da sua gestão de resíduos
Atender às exigências legais relacionadas aos resíduos químicos vai muito além da destinação adequada. A classificação correta dos resíduos, a elaboração da FDSR e a manutenção da documentação técnica atualizada são etapas essenciais para reduzir riscos, proteger os trabalhadores e demonstrar conformidade perante os órgãos fiscalizadores.
A Intertox oferece suporte técnico especializado em segurança química, incluindo a elaboração de Fichas com Dados de Segurança de Resíduos Químicos (FDSR), classificação de perigos, adequação às normas aplicáveis e consultoria em assuntos regulatórios, auxiliando empresas de diferentes segmentos a manterem suas operações em conformidade.
Se sua empresa gera resíduos químicos e deseja avaliar se a documentação utilizada atende aos requisitos legais e às melhores práticas de segurança, conheça as soluções da Intertox e fale com um especialista.
Anvisa promove capacitação em Boas Práticas de Fabricação de Cosméticos e Saneantes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) disponibilizou a capacitação “Boas Práticas de Fabricação de Cosméticos e Saneantes para o Setor Regulado”, iniciativa voltada à qualificação técnica de profissionais e empresas que atuam nos setores de cosméticos e saneantes.
O curso reforça a importância das Boas Práticas de Fabricação (BPF) como elemento essencial para a conformidade sanitária, a segurança dos produtos e a melhoria contínua dos processos produtivos. A iniciativa também busca aproximar os requisitos regulatórios da rotina operacional das empresas, contribuindo para que as exigências aplicáveis sejam compreendidas e implementadas de forma prática no ambiente industrial.
Mais do que atender a requisitos normativos, a capacitação destaca a necessidade de consolidar uma cultura de qualidade nas operações fabris, assegurando que as etapas envolvidas na fabricação estejam alinhadas aos requisitos regulatórios vigentes e gerem as evidências documentais necessárias para demonstrar a conformidade sanitária da empresa. A capacitação está disponível no AVA Visa, ambiente virtual de aprendizagem da ANVISA, em formato totalmente on-line.
Lançamento da capacitação

O lançamento oficial da capacitação ocorreu em 25 de junho de 2026, em evento realizado pela ANVISA, com a participação de representantes da Agência e de importantes entidades do setor produtivo, como a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), a Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC) e a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes (ABIPLA). A programação do evento destacou a relevância da qualificação técnica e da integração entre regulação, fiscalização sanitária e indústria. Entre os temas abordados, estiveram a visão estratégica da fiscalização sanitária, a evolução e os fundamentos das Boas Práticas de Fabricação e a apresentação de diagnósticos de inspeções realizadas em empresas de cosméticos e saneantes.
Tópicos contemplados e objetivo
A capacitação tem como objetivo apoiar profissionais do setor regulado na compreensão e aplicação das Boas Práticas de Fabricação em cosméticos e saneantes, contribuindo para transformar requisitos regulatórios em práticas efetivas de qualidade no ambiente fabril.
O conteúdo está relacionado ao fortalecimento da conformidade com os requisitos aplicáveis às Boas Práticas de Fabricação previstas para os setores de cosméticos e saneantes, incluindo a RDC nº 48/2013, aplicável a produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, e a RDC nº 47/2013, aplicável a produtos saneantes.
A proposta central é reforçar que a qualidade deve estar presente em todas as etapas da operação, desde o recebimento de matérias-primas até a expedição final dos produtos. Esse enfoque contribui para que os processos sejam conduzidos de forma padronizada, rastreável e tecnicamente controlada.
Entre os assuntos contemplados, destacam-se:
- higiene, limpeza e sanitização;
- validação e calibração;
- gestão técnica de documentos e registros;
- tratamento de desvios e não conformidades;
- fundamentos das Boas Práticas de Fabricação;
- preparação para auditorias e inspeções sanitárias;
- diagnóstico de falhas recorrentes observadas em inspeções;
- oportunidades de melhoria nos processos produtivos.
Importância para o setor regulado
As Boas Práticas de Fabricação representam um dos pilares da regularidade sanitária. Para empresas que fabricam, importam, armazenam, distribuem ou comercializam cosméticos e saneantes, manter processos compatíveis com as BPF é essencial para reduzir riscos regulatórios, prevenir desvios de qualidade e garantir maior segurança ao consumidor.
A capacitação disponibilizada pela ANVISA pode apoiar empresas em diferentes frentes, como:
- treinamento de equipes técnicas, operacionais e regulatórias;
- revisão de procedimentos internos;
- fortalecimento do sistema de gestão da qualidade;
- melhoria da rastreabilidade documental;
- adequação de rotinas de fabricação, controle e armazenamento;
- preparação para inspeções e auditorias sanitárias;
- identificação de oportunidades de melhoria em processos produtivos;
- redução de riscos associados a não conformidades e falhas documentais.
A disponibilização de um curso oficial pela ANVISA representa uma oportunidade importante para o setor de cosméticos e saneantes. Além de ampliar o acesso ao conhecimento técnico, a capacitação favorece a padronização de entendimentos entre empresas, profissionais e órgãos de fiscalização.
Conte com a Intertox
A disponibilização da capacitação pela ANVISA reforça a importância da qualificação técnica contínua e da implementação efetiva das Boas Práticas de Fabricação nos setores de cosméticos e saneantes.
Nesse contexto, a Intertox atua no suporte técnico e regulatório para empresas que buscam fortalecer sua conformidade sanitária, estruturar processos internos e atender às exigências aplicáveis ao setor regulado.
Com equipe multidisciplinar e experiência em assuntos regulatórios, segurança química e gestão de conformidade, a Intertox apoia empresas em atividades como:
- avaliação de requisitos regulatórios aplicáveis a cosméticos e saneantes;
- suporte à adequação regulatória;
- elaboração e revisão de procedimentos, manuais e documentos técnicos;
- preparação para inspeções e auditorias sanitárias;
- análise de rotulagem, FDS e comunicação de perigos;
- treinamentos técnicos para equipes operacionais, regulatórias e de qualidade;
- acompanhamento de atualizações normativas junto aos órgãos competentes.
Dessa forma, a Intertox contribui para que empresas do setor mantenham seus processos alinhados às exigências da ANVISA, reduzam riscos regulatórios e fortaleçam sua atuação no mercado com segurança, qualidade e conformidade.
SDS para exportação de produtos químicos: como adequar a documentação de segurança?
A exportação de produtos químicos exige mais do que documentação comercial, logística internacional e análise tributária. Empresas que enviam substâncias, misturas, matérias-primas e produtos formulados, para outros países precisam garantir que a comunicação de perigos esteja compatível com as normas do mercado de destino. Nesse contexto, a SDS para exportação se torna um documento técnico essencial para reduzir riscos regulatórios, operacionais e comerciais.
Muitas empresas ainda tratam a Safety Data Sheet (SDS) como uma simples tradução da FDS brasileira. Esse é um erro comum. Embora a estrutura internacional siga o GHS, cada país pode adotar critérios próprios de classificação, versões diferentes do GHS , idiomas oficiais, inventários químicos obrigatórios, além de requisitos específicos para rotulagem, transporte e controle de exposição.
No Brasil, com a consolidação da ABNT NBR 14725, o documento oficial passou a ser a Ficha com Dados de Segurança (FDS). Porém, quando o produto entra em uma operação internacional, essa documentação deve ser convertida e avaliada conforme exigências do país importador, regras de transporte e padrões reconhecidos por órgãos técnicos, como o Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos.
Neste artigo, você vai entender quando é necessário adequar a SDS para exportação, quais pontos técnicos devem ser revisados, quais erros podem comprometer uma operação internacional e como organizar esse processo com mais segurança regulatória.
O que é SDS para exportação?
A SDS para exportação prevê a adequação da Safety Data Sheet às exigências técnicas, regulatórias e linguísticas do país para onde o produto químico será enviado. O documento reúne informações sobre perigos físicos, à saúde e ao meio ambiente, composição, primeiros socorros, combate a incêndio, armazenamento, transporte, controle de exposição, descarte e medidas de emergência.
Apesar de seguir uma estrutura internacional baseada no GHS, a SDS não é automaticamente válida em todos os países. A empresa exportadora precisa avaliar se a classificação de perigo, os pictogramas, as frases de perigo, as medidas preventivas, os limites ocupacionais e as referências legais estão corretos para o mercado de destino.
Por que a SDS é importante para empresas químicas?
A cadeia global de produtos químicos está cada vez mais controlada por normas técnicas, inventários nacionais de substâncias, exigências ambientais e auditorias de fornecedores. Empresas que exportam sem documentação adequada podem enfrentar retenção de carga, recusa pelo importador, atrasos, perda de contratos e questionamentos por autoridades locais.
Esse cuidado é especialmente relevante para empresas que atuam com fabricação, formulação, distribuição, revenda, armazenagem ou transporte de produtos químicos. A gestão documental deve estar conectada à gestão de segurança química, pois a SDS influencia decisões sobre armazenamento, compatibilidade, transporte, uso de EPIs, resposta a emergências e controle de exposição ocupacional.
Além disso, mercados como União Europeia, Estados Unidos, Canadá, China, Japão e países do Mercosul possuem exigências próprias para substâncias químicas. A União Europeia, por exemplo, mantém regras específicas relacionadas ao REACH e ao CLP, disponibilizadas pela European Chemicals Agency. Já no Brasil, operações de transporte de produtos perigosos devem observar normas nacionais, como as diretrizes publicadas pela ANTT.
Portanto, adequar a SDS para exportação não é apenas uma exigência documental. É uma etapa de gestão de risco para proteger a empresa contra barreiras regulatórias, problemas logísticos e falhas de comunicação sobre perigos químicos.
Quando a empresa precisa adequar a SDS para exportação?

A adequação da SDS para exportação deve ser considerada sempre que o produto químico for destinado a outro país, especialmente quando houver mudança de idioma, legislação, classificação de perigo, exigência de inventário químico ou solicitação formal do importador.
Veja as situações mais comuns:
- Exportação para país com legislação química própria: quando o destino possui regras específicas, como REACH/CLP na União Europeia, WHMIS no Canadá ou OSHA HazCom nos Estados Unidos.
- Venda para cliente multinacional: empresas globais costumam exigir SDS alinhada ao padrão regulatório local antes de homologar fornecedores.
- Produto classificado como perigoso: substâncias inflamáveis, corrosivas, tóxicas, oxidantes, sensibilizantes,perigosas ao meio ambiente, entre outros, exigem atenção reforçada.
- Produto sujeito a transporte internacional: embarques marítimos, aéreos ou terrestres devem exigir informações compatíveis com regras de transporte de perigosos.
- Substância sujeita a inventário químico: alguns países exigem que substâncias estejam listadas ou registradas em inventários oficiais.
- Alteração de formulação: mudanças em composição, concentração ou impurezas podem modificar a classificação de perigo.
- Solicitação do importador ou autoridade local: clientes e órgãos fiscalizadores podem exigir SDS no idioma e formato aceitos no país de destino.
Em todos esses casos, a SDS para exportação deve ser tratada como uma adequação técnica, não como um documento meramente traduzido.
Como funciona a adaptação da SDS para exportação na prática?
A elaboração ou revisão da SDS para exportação deve seguir um processo estruturado. Isso evita inconsistências entre documento técnico, rótulo, ficha de emergência para transporte, classificação GHS e exigências regulatórias internacionais.
1. Identificação do país de destino
O primeiro passo é definir com precisão o país ou bloco econômico para o qual o produto será exportado. A mesma formulação pode exigir diferentes versões de SDS caso seja enviada para União Europeia, América do Norte, Mercosul ou Ásia.
2. Levantamento da composição química
A organização precisa reunir informações completas sobre substâncias, misturas, CAS Number, concentrações, impurezas relevantes e propriedades físico-químicas. Essa etapa é determinante para a classificação correta.
3. Verificação de inventários químicos
Muitos países mantêm listas oficiais de substâncias permitidas, notificadas ou sujeitas a controle. Antes da exportação, é necessário avaliar se os componentes do produto estão compatíveis com o inventário aplicável.
4. Classificação conforme o GHS local
Embora o GHS seja um sistema harmonizado, sua implementação varia entre países. Por isso, a classificação usada no Brasil pode não ser idêntica à exigida no destino.
5. Adequação de idioma e terminologia
A SDS para exportação deve utilizar o idioma exigido pelo país importador e terminologia técnica compatível com a legislação local. Traduções automáticas podem gerar erros graves, especialmente em frases de perigo, medidas de emergência e limites de exposição.
6. Revisão da rotulagem e dos documentos correlatos
A SDS precisa estar alinhada ao rótulo GHS, à documentação de transporte e às exigências de armazenamento. Empresas que já trabalham com rótulo GHS para produtos químicos devem revisar se as informações do rótulo e da SDS permanecem coerentes no país de destino.
7. Validação técnica e atualização periódica
Após a adaptação, o documento deve passar por revisão técnica e ser atualizado sempre que houver alteração de formulação, nova classificação, atualização normativa ou mudança no mercado de destino.
Aspectos técnicos que exigem atenção na SDS para exportação
A adaptação da SDS para exportação envolve uma análise técnica detalhada. Alguns pontos merecem atenção especial porque costumam gerar não conformidades em auditorias, desembaraço aduaneiro e homologação de fornecedores.
Classificação de perigo
A classificação deve considerar perigos físicos, à saúde humana e ao meio ambiente. Inflamabilidade, toxicidade aguda, corrosão, irritação, sensibilização, carcinogenicidade, toxicidade reprodutiva e perigo ao ambiente aquático podem ter critérios específicos conforme o país.
Frases de perigo e precaução
As frases de perigo e frases de precaução precisam estar no idioma correto e de acordo com o sistema adotado localmente. O uso de frases incompatíveis pode prejudicar a comunicação de risco.
Limites de exposição ocupacional
Alguns países possuem limites próprios para substâncias químicas no ambiente de trabalho. A SDS deve informar parâmetros aceitos localmente quando aplicável.
Dados toxicológicos e ecotoxicológicos
Informações incompletas sobre efeitos à saúde e ao meio ambiente podem comprometer a avaliação do importador. Em mercados mais exigentes, dados técnicos consistentes são parte da análise de conformidade.
Transporte internacional
A seção 14, referente ao transporte, deve refletir número ONU, nome apropriado para embarque, classe de risco, grupo de embalagem e riscos ambientais, quando aplicável. Esse ponto deve ser compatível com regras de transporte e práticas descritas em conteúdos sobre transporte de produtos perigosos.
Requisitos de armazenamento e incompatibilidade
A SDS deve orientar sobre temperatura, ventilação, segregação, incompatibilidades químicas e condições seguras de armazenamento. Essas informações são avaliadas por distribuidores, operadores logísticos e clientes industriais.
Comparativo entre FDS brasileira e SDS para exportação
| Critério | FDS brasileira | SDS para exportação |
| Idioma | Português | Idioma exigido pelo país de destino |
| Base técnica | ABNT NBR 14725 e normas nacionais aplicáveis | GHS e legislação específica do país importador |
| Classificação de perigo | Critérios adotados no Brasil | Critérios adotados no mercado de destino |
| Inventários químicos | Podem não ser o foco principal da documentação nacional | Podem ser obrigatórios para entrada no país |
| Rotulagem | Alinhada às exigências brasileiras | Deve atender às regras locais de comunicação de perigo |
| Transporte | Considera normas nacionais e internacionais aplicáveis | Deve refletir exigências internacionais e do país de destino |
| Risco de não conformidade | Concentrado no mercado interno | Envolve importador, alfândega, transporte e fiscalização local |
Principais erros relacionados à SDS para exportação
1. Fazer apenas tradução literal
A tradução literal não garante conformidade. A SDS para exportação exige adequação técnica, regulatória e terminológica.
2. Usar a mesma SDS para todos os países
Cada mercado pode ter regras próprias. Uma SDS aceita em um país pode não ser suficiente para outro.
3. Ignorar inventários químicos
A ausência de verificação de inventários pode impedir a importação do produto ou gerar exigências adicionais.
4. Não alinhar SDS e rótulo
Divergências entre SDS e rótulo GHS indicam falha de comunicação de perigo e podem gerar rejeição documental.
5. Desconsiderar regras de transporte
Informações incorretas sobre número ONU, classe de risco ou grupo de embalagem podem bloquear embarques.
6. Não revisar o documento periodicamente
Normas técnicas referentes aos produtos químicos mudam. A SDS deve ser atualizada sempre que houver nova legislação, alteração de fórmula ou revisão técnica relevante.
Benefícios de adequar corretamente a SDS para exportação
A adequação da SDS para exportação traz benefícios diretos para empresas que desejam atuar com mais segurança no comércio internacional.
- Redução de custos com atrasos: documentos corretos diminuem riscos de retenção, retrabalho e armazenagem adicional em portos ou centros logísticos.
- Mais eficiência operacional: equipes de logística, qualidade, regulatório e comércio exterior passam a trabalhar com informações padronizadas.
- Segurança regulatória: a empresa reduz exposição a autuações, recusas de carga e questionamentos por clientes internacionais.
- Melhor comunicação de perigo: importadores, distribuidores e usuários finais recebem informações claras sobre manuseio, armazenamento e emergência.
- Facilidade em auditorias: SDS adequada fortalece processos de homologação e avaliação de fornecedores.
- Expansão comercial: empresas com documentação técnica confiável têm mais condições de acessar mercados exigentes.
Perguntas frequentes sobre SDS para exportação
Toda empresa que exporta produto químico precisa adequar a SDS?
Na maioria dos casos, sim. Sempre que o produto for enviado para outro país, a empresa deve avaliar idioma, legislação local, classificação GHS, inventários químicos e exigências do importador.
A SDS brasileira pode ser usada em exportações?
Ela pode servir como base técnica, mas geralmente precisa ser adaptada. A FDS brasileira não substitui automaticamente uma SDS para exportação exigida por outro país.
Traduzir a FDS para inglês é suficiente?
Não necessariamente. A tradução é apenas uma etapa. Também é necessário revisar critérios de classificação, frases de perigo, limites de exposição, inventários e normas locais.
Quem deve revisar uma SDS internacional?
O ideal é que a revisão seja feita por especialistas em segurança química, GHS, toxicologia, assuntos regulatórios e legislação internacional de produtos químicos.
A SDS precisa estar no idioma do país importador?
Em muitos mercados, sim. Alguns países exigem SDS no idioma oficial local, enquanto outros aceitam inglês e em conformidade apenas com o GHS/ONU em determinadas operações. Essa regra deve ser verificada caso a caso.
Quando atualizar a SDS para exportação?
A atualização deve ocorrer quando houver mudança de formulação, nova informação toxicológica, alteração regulatória, revisão do GHS ou entrada em novo mercado internacional.
O que considerar antes de exportar produtos químicos
A SDS para exportação deve ser tratada como parte da estratégia regulatória da empresa, não apenas como anexo documental. Ela conecta segurança química, comércio exterior, transporte, rotulagem, inventários, armazenamento e responsabilidade técnica.
Empresas que exportam produtos químicos precisam verificar o país de destino, revisar a composição, confirmar exigências de inventário, adequar a classificação GHS, validar idioma e terminologia, alinhar SDS e rótulo, além de manter atualização periódica do documento.
Esse processo reduz riscos de bloqueio comercial, melhora a eficiência operacional, fortalece a segurança fiscal e regulatória e aumenta a confiança de clientes internacionais. Em mercados cada vez mais exigentes, a documentação técnica adequada pode ser o diferencial entre uma operação aprovada e uma carga retida.
A INTERTOX atua com soluções especializadas em segurança química, documentos de segurança, classificação GHS, rotulagem, transporte de produtos perigosos e suporte regulatório para empresas que fabricam, importam, armazenam, distribuem ou exportam produtos químicos.
Se sua empresa precisa revisar ou adequar SDS para exportação com segurança técnica e alinhamento às exigências internacionais, fale com um especialista da INTERTOX e conheça as soluções para fortalecer sua conformidade regulatória em operações globais.
Colômbia abre consulta pública para definir critérios de priorização de substâncias químicas industriais

A Colômbia colocou em consulta pública um projeto de resolução que estabelece os critérios para identificar substâncias químicas de uso industrial consideradas prioritárias para a gestão do risco à saúde humana e ao meio ambiente. A iniciativa regulamenta a etapa de priorização prevista no Sistema de Gestão de Substâncias Químicas de Uso Industrial (SQUI) e representa mais um avanço na implementação do modelo colombiano de avaliação e gerenciamento dessas substâncias.
A proposta busca definir como será realizada a seleção das substâncias que seguirão para as próximas etapas do sistema, permitindo que as autoridades concentrem seus esforços naquelas que apresentam maior potencial de risco. A adoção de critérios técnicos para essa seleção contribui para tornar o processo mais transparente, consistente e alinhado às boas práticas internacionais de gestão de produtos químicos.
Contexto regulatório
O Sistema de Gestão de Substâncias Químicas de Uso Industrial (SQUI), previsto no Decreto 1076 de 2015, foi estruturado para organizar a gestão dessas substâncias de forma gradual. O sistema contempla o Inventário Nacional de Substâncias Químicas de Uso Industrial (INSQUI), a etapa de priorização, a avaliação do risco e, quando necessário, a definição de medidas de gerenciamento.
A resolução em consulta pública trata especificamente da etapa de priorização. Seu objetivo é estabelecer os critérios que orientarão a escolha das substâncias que serão avaliadas primeiro, considerando que o grande número de produtos químicos presentes no mercado torna inviável analisar todos simultaneamente.
Na prática, essa etapa funciona como um mecanismo de organização das ações regulatórias, direcionando recursos técnicos para os casos considerados mais relevantes sob a perspectiva da proteção da saúde humana e do meio ambiente.
Como funcionará a priorização
O Documento Técnico que acompanha a consulta pública apresenta a metodologia proposta para selecionar as substâncias prioritárias. A classificação será baseada na combinação de informações relacionadas ao perigo intrínseco das substâncias e ao potencial de exposição, permitindo uma análise mais abrangente da relevância de cada uma para o contexto colombiano.
Entre os parâmetros considerados estão características de perigo para a saúde humana e para o meio ambiente, como carcinogenicidade, mutagenicidade, toxicidade para a reprodução, toxicidade aguda, sensibilização, persistência ambiental, bioacumulação e ecotoxicidade.
Além dessas propriedades, também serão avaliadas informações que refletem o potencial de exposição, incluindo volumes de fabricação e importação, usos industriais, setores econômicos envolvidos, classificações harmonizadas, dados provenientes de programas regulatórios nacionais e internacionais e informações declaradas no INSQUI.
A combinação desses elementos permitirá identificar substâncias que reúnam elevado potencial de perigo e maior probabilidade de exposição, fornecendo uma base técnica para definir a ordem em que serão submetidas às avaliações de risco.
É importante destacar que a inclusão de uma substância na lista de prioritárias não implica sua proibição, restrição de uso ou retirada do mercado. A priorização representa apenas uma etapa inicial do processo regulatório, indicando quais substâncias serão avaliadas com maior profundidade antes da eventual adoção de medidas de gerenciamento.
Papel do INSQUI
O Inventário Nacional de Substâncias Químicas de Uso Industrial (INSQUI) desempenha papel estratégico nesse processo. As informações declaradas pelas empresas sobre fabricação e importação constituem uma das principais fontes de dados utilizadas para a seleção das substâncias, sendo complementadas por informações provenientes de bases regulatórias e científicas nacionais e internacionais.
Segundo o Documento Técnico, essa integração permitirá que as decisões sejam fundamentadas em dados representativos da realidade colombiana, sem deixar de considerar o conhecimento científico já consolidado e as experiências regulatórias adotadas em outros países.
Nesse cenário, a qualidade, a consistência e a atualização das informações fornecidas pelas empresas tornam-se fatores essenciais para garantir a confiabilidade do processo de priorização e o adequado funcionamento do sistema.
Próximas etapas e impactos para as empresas
A identificação de uma substância como prioritária marca o início de uma etapa de avaliação mais detalhada. A partir desse momento, poderão ser conduzidos estudos para caracterizar os riscos associados às condições de fabricação, importação, uso e exposição, gerando subsídios técnicos para futuras decisões regulatórias.
Somente após essa avaliação será possível considerar a adoção de medidas de gerenciamento do risco, caso as evidências científicas justifiquem essa necessidade. Dessa forma, o projeto reforça uma abordagem baseada em etapas sucessivas, na qual as decisões são construídas de maneira gradual e fundamentadas em critérios técnicos.
Embora a proposta não imponha novas restrições às substâncias químicas de uso industrial, ela evidencia a importância das informações declaradas pelas empresas ao INSQUI. Esses dados compõem uma parte relevante da base utilizada para definir quais substâncias serão priorizadas nas etapas seguintes do sistema.
Por esse motivo, fabricantes, importadores e demais empresas que atuam com substâncias químicas devem acompanhar a evolução da consulta pública e da futura regulamentação, uma vez que as substâncias classificadas como prioritárias poderão ser objeto de avaliações específicas e, posteriormente, de medidas de gerenciamento, quando houver justificativa técnica.
A publicação da proposta representa mais um passo na consolidação do marco regulatório colombiano para substâncias químicas industriais e reforça a adoção de uma abordagem baseada em risco, apoiada em critérios científicos, dados nacionais e referências regulatórias internacionais.
Conte com a Intertox
A evolução dos requisitos regulatórios relacionados ao INSQUI e aos demais instrumentos do sistema colombiano pode gerar impactos para empresas que fabricam, importam ou comercializam substâncias químicas. Acompanhar essas mudanças é fundamental para manter a conformidade regulatória e antecipar possíveis exigências futuras.
A Intertox monitora continuamente a evolução das regulamentações nacionais e internacionais, oferecendo suporte especializado em assuntos regulatórios, classificação GHS, elaboração e revisão de Fichas com Dados de Segurança (FDS), inventários de substâncias químicas, avaliação de risco, gestão de produtos químicos e consultoria técnica para atendimento aos requisitos regulatórios.
Para acessar esta consulta pública e os arquivos abaixo citados, clique aqui.
- Ministerio de Ambiente y Desarrollo Sostenible. Proyecto de Resolución – Por medio del cual se definen los criterios y condiciones para identificar las sustancias químicas de uso industrial que son prioritarias para la gestión del riesgo.
- Ministerio de Ambiente y Desarrollo Sostenible. Documento Técnico – Priorización de Sustancias Químicas de Uso Industrial (SQUI).
ABNT NBR 10004: o que muda nos resíduos perigosos
A ABNT NBR 10004 passou por uma atualização relevante em 2024 e mudou a forma como empresas devem classificar resíduos sólidos quanto à periculosidade. A nova versão substitui a lógica anterior, mais conhecida pelas categorias Classe I, Classe II A e Classe II B, por um modelo mais robusto.Na prática, isso afeta indústrias, laboratórios, transportadoras, empresas químicas, operadores de tratamento, consultorias ambientais e organizações sujeitas a PGRS, licenciamento ambiental, auditorias e controle documental de resíduos.
O ponto mais importante é que a ABNT NBR 10004 atualizada estrutura o processo em etapas formais, com análise da Lista Geral de Resíduos, avaliação de Poluentes Orgânicos Persistentes, propriedades físico-químicas, infectocontagiosas e critérios de toxicidade.
Neste artigo, você entenderá o que mudou na norma, como funciona a nova classificação, quais erros evitar e como preparar sua empresa para trabalhar com mais segurança técnica, ambiental e regulatória.
O que é a ABNT NBR 10004?
A ABNT NBR 10004 é a norma técnica brasileira que estabelece os requisitos para classificar resíduos sólidos quanto à periculosidade, considerando riscos potenciais à saúde humana e ao meio ambiente.
A versão 2024 passou a ser organizada em duas partes: a ABNT NBR 10004-1:2024, que trata dos requisitos de classificação, e a ABNT NBR 10004-2:2024, relacionada ao Sistema Geral de Classificação de Resíduos, o SGCR.
Essa classificação deve ser integrada à gestão de segurança química, especialmente quando a empresa utiliza, armazena, transporta ou descarta produtos com potencial de perigo químico, toxicológico ou ambiental.
Segundo a ABNT, a norma estabelece requisitos para o processo de classificação de resíduos quanto à periculosidade. Por isso, ela se tornou referência técnica para empresas, consultorias, laboratórios, órgãos ambientais e profissionais responsáveis pela gestão de resíduos.
Por que a atualização da norma muda a rotina das empresas?
A versão anterior da ABNT NBR 10004, publicada em 2004, classificava os resíduos em Classe I, Classe II A e Classe II B. Esse modelo permaneceu como referência por muitos anos, mas apresentava incompletude de critérios.
Com a versão 2024, o foco passa a ser mais objetivo: identificar se o resíduo é Classe 1, perigoso, ou Classe 2, não perigoso. A simplificação do resultado final, no entanto, não significa redução da exigência técnica. Pelo contrário: a empresa precisa justificar melhor o enquadramento realizado.
Essa mudança impacta diretamente:
- Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos;
- Inventários de resíduos;
- Licenciamento ambiental;
- Contratação de transportadores e destinadores;
- Emissão de laudos técnicos;
- Auditorias ESG e ISO 14001;
- Documentos de comunicação de perigos, como FDSR e rótulos de resíduos.
A atualização também se conecta à Ficha com Dados de Segurança de Resíduos Químicos (FDSR), documento aplicável a resíduos químicos perigosos e materiais contaminados, especialmente quando há transporte, manuseio, armazenamento ou destinação desses resíduos.
No campo legal, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei nº 12.305/2010, estabelece diretrizes para gestão integrada e gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos no Brasil.
Como funciona a classificação de resíduos na prática?
A aplicação da ABNT NBR 10004 exige uma análise técnica organizada. A empresa não deve classificar resíduos apenas por aparência, histórico operacional ou prática de mercado.
O processo pode ser estruturado em etapas:
- Mapeamento do resíduo gerado: identificação da origem, processo produtivo, matéria-prima, insumos e possíveis contaminantes.
- Consulta à Lista Geral de Resíduos: verificação do enquadramento inicial conforme o SGCR.
- Avaliação de Poluentes Orgânicos Persistentes: análise da presença de substâncias persistentes, bioacumulativas e tóxicas e suas concentrações.
- Avaliação das propriedades de perigo: verificação de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, patogenicidade e toxicidade.
- Realização de ensaios quando necessário: uso de dados laboratoriais para confirmar o possível enquadramento.Emissão da classificação técnica: definição do resíduo como Classe 1 ou Classe 2, com justificativa documental.
- Atualização dos documentos internos: revisão de PGRS, inventário, FDSR, procedimentos de armazenamento e contratos de destinação.
Um ponto relevante da ABNT NBR 10004 é que a presença de uma característica de periculosidade é suficiente para classificar o resíduo como perigoso.
O que muda em relação à versão anterior da norma?
A atualização da ABNT NBR 10004 não representa apenas uma troca de nomes. Ela muda a lógica da classificação, amplia a necessidade de rastreabilidade técnica e aproxima o processo de critérios mais estruturados.
Na versão 2004, era comum que empresas usassem as classes como uma resposta final, sem necessariamente documentar de forma robusta a origem do resíduo, os dados de composição e os critérios de decisão.
Com a versão 2024, a classificação passa a exigir mais consistência técnica, especialmente para resíduos com composição variável, mistura de contaminantes, presença de produtos químicos perigosos ou histórico de geração complexo.
Principais mudanças práticas
- Substituição da lógica Classe I, Classe II A e Classe II B por Classe 1 e Classe 2.
- Maior peso para a Lista Geral de Resíduos.
- Inclusão mais clara dos Poluentes Orgânicos Persistentes no processo decisório.
- Necessidade de justificativa técnica mais robusta.
- Separação mais evidente entre classificação do resíduo e definição da destinação final.
- Maior integração com gestão ambiental, segurança química e documentação regulatória.

Critérios técnicos que exigem mais atenção
Lista Geral de Resíduos e SGCR
A ABNT NBR 10004-2:2024 introduz o Sistema Geral de Classificação de Resíduos, utilizado para organizar dados e apoiar o enquadramento técnico.
Na prática, isso exige que a empresa revise seus inventários e descreva cada resíduo com precisão: origem, composição conhecida, processo gerador, possibilidade de contaminação e evidências disponíveis.
Poluentes Orgânicos Persistentes
A avaliação de Poluentes Orgânicos Persistentes ganha mais relevância na nova estrutura da ABNT NBR 10004. Esses compostos são reconhecidos por alta persistência ambiental, capacidade de transporte a longas distâncias, bioacumulação e potencial de impacto à saúde humana e ao meio ambiente.
Esse ponto deve ser observado por empresas que lidam com resíduos contaminados por pesticidas, compostos industriais persistentes, materiais antigos, óleos, lodos, resíduos de processos térmicos ou substâncias reguladas internacionalmente.
Como referência externa, o Ministério do Meio Ambiente apresenta informações sobre a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, que trata da eliminação, restrição e controle dessas substâncias.
Toxicidade e ensaios laboratoriais
A toxicidade passa a demandar avaliação mais criteriosa. Em muitos casos, a empresa poderá utilizar ensaios e análise técnica para comprovar a classificação.
Entre os dados que podem ser necessários estão:
- composição química do resíduo;
- concentração de substâncias perigosas;
- pH;
- inflamabilidade;
- metais pesados;
- compostos orgânicos voláteis;
- informações toxicológicas e ecotoxicológicas.
Relação com FDS, FDSR e documentação de segurança
A Ficha com Dados de Segurança pode apoiar a identificação de perigos associados aos produtos químicos que deram origem ao resíduo. No entanto, ela não substitui a classificação do resíduo real gerado.
Isso ocorre porque o resíduo pode sofrer alterações durante o processo produtivo, receber contaminantes, reagir com outras substâncias ou apresentar composição diferente do produto original.
A revisão da FDS conforme a ABNT NBR 14725 ajuda a manter informações de segurança atualizadas sobre produtos químicos, enquanto a classificação pela ABNT NBR 10004 define a periculosidade do resíduo gerado.
Tabela comparativa: versão 2004 x versão 2024
| Ponto analisado | Versão 2004 | Versão 2024 | Impacto para empresas |
| Estrutura da norma | Norma única de classificação | Divisão em Parte 1 e Parte 2 | Maior organização do processo técnico |
| Categorias principais | Classe I, Classe II A e Classe II B | Classe 1 e Classe 2 | Resultado final mais objetivo |
| Critério decisório | Mais dependente de interpretação técnica | Mais estruturado em etapas formais | Mais rastreabilidade documental |
| Lista de resíduos | Uso de anexos e referências | Uso da Lista Geral de Resíduos no SGCR | Enquadramento inicial mais padronizado |
| POPs | Menor destaque específico | Avaliação mais evidente | Mais controle de contaminantes persistentes |
| Laudos antigos | Frequentemente aceitos sem reavaliação | Devem obedecer novos critérios | Redução de risco técnico e regulatório |
Principais erros relacionados à ABNT NBR 10004
1. Continuar usando Classe II A e Classe II B como referência principal
Muitas empresas ainda utilizam a lógica da versão 2004. Com a ABNT NBR 10004 atualizada, o enquadramento deve considerar Classe 1 e Classe 2, com base no novo procedimento técnico.
2. Classificar resíduos sem evidência técnica
A classificação sem laudos, registros de processo, composição química ou justificativa formal fragiliza a defesa técnica da empresa em auditorias e fiscalizações.
3. Confundir classificação com destinação
A norma classifica a periculosidade do resíduo. A destinação depende de outros fatores, como licença do destinador, tecnologia de tratamento, legislação ambiental aplicável e condições de transporte.
4. Ignorar Poluentes Orgânicos Persistentes
A ausência de avaliação de POPs pode comprometer a classificação de resíduos contaminados por compostos persistentes, pesticidas, substâncias industriais ou materiais antigos.
5. Usar laudos antigos sem reavaliação
Laudos baseados na versão 2004 devem ser revisados. A empresa precisa avaliar se os parâmetros, limites, métodos e conclusões continuam compatíveis com a versão atualizada.
6. Não atualizar o PGRS
A classificação de resíduos é base técnica para o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. Se a classificação muda, o PGRS, inventários e procedimentos internos também precisam ser reavaliados.
Benefícios de aplicar corretamente a norma atualizada
A aplicação correta da ABNT NBR 10004 traz ganhos técnicos, ambientais, jurídicos e operacionais.
- Redução de riscos ambientais: evita descarte inadequado, contaminações e acidentes.
- Mais segurança regulatória: fortalece a documentação em auditorias, fiscalizações e licenciamento.
- Menos custos com destinação incorreta: evita tratar resíduos não perigosos como perigosos sem necessidade e impede o oposto, que pode gerar passivos.
- Melhor rastreabilidade: facilita controle de geração, armazenamento, transporte e destinação.
- Maior eficiência operacional: melhora a segregação, acondicionamento e contratação de fornecedores.
- Fortalecimento ESG: demonstra responsabilidade ambiental e gestão técnica dos resíduos.
Empresas que atualizam seus processos de classificação conseguem reduzir retrabalho, melhorar controles internos e tomar decisões mais seguras sobre resíduos perigosos e não perigosos.
Perguntas frequentes sobre ABNT NBR 10004
A ABNT NBR 10004 mudou em 2024?
Sim. A norma foi atualizada em 2024 e passou a ter nova estrutura, com a Parte 1 voltada aos requisitos de classificação e a Parte 2 relacionada ao Sistema Geral de Classificação de Resíduos.
A classificação Classe II A e Classe II B ainda deve ser usada?
A versão atualizada simplifica a classificação em Classe 1, para resíduos perigosos, e Classe 2, para resíduos não perigosos. Por isso, documentos antigos devem ser revisados.
Todo resíduo precisa de laudo laboratorial?
Nem sempre. Alguns resíduos podem ser classificados por origem, composição conhecida e enquadramento na Lista Geral de Resíduos. Porém, quando houver dúvida, mistura, contaminação ou falta de dados, o laudo técnico é recomendado.
O que fazer quando não há informação suficiente sobre o resíduo?
A abordagem mais segura é tratar o resíduo preliminarmente como perigoso até que dados técnicos adequados comprovem o enquadramento correto.
A norma define a destinação final do resíduo?
Não diretamente. A ABNT NBR 10004 classifica o resíduo quanto à periculosidade. A destinação depende de legislação ambiental, licença do destinador, tecnologia de tratamento e critérios operacionais aplicáveis.
Quem deve revisar a classificação de resíduos?
A revisão deve ser conduzida por profissionais com conhecimento técnico em química, toxicologia, meio ambiente, segurança química e gerenciamento de resíduos.
O que sua empresa deve fazer agora
A atualização da ABNT NBR 10004 exige revisão prática dos processos internos. O ideal é começar por um diagnóstico técnico dos resíduos gerados pela empresa.
As principais ações recomendadas são:
- Mapear todos os resíduos gerados na operação.
- Identificar origem, processo produtivo e composição de cada resíduo.
- Revisar classificações feitas com base na versão 2004.
- Verificar enquadramento na Lista Geral de Resíduos.
- Avaliar presença potencial de Poluentes Orgânicos Persistentes.
- Revisar laudos laboratoriais existentes.
- Atualizar PGRS, inventários e procedimentos internos.
- Validar transportadores e destinadores licenciados.
- Treinar equipes responsáveis por segregação, armazenamento e movimentação.
- Manter rastreabilidade documental para auditorias e fiscalizações.
Resumo prático sobre a nova classificação de resíduos
A nova ABNT NBR 10004 torna a classificação de resíduos mais objetiva, mas também mais exigente. A empresa precisa demonstrar tecnicamente por que um resíduo é perigoso ou não perigoso, com base em etapas formais, evidências documentais e critérios atualizados.
A principal mudança está na transição do modelo Classe I, Classe II A e Classe II B para a lógica Classe 1 e Classe 2. Além disso, a norma reforça a importância da Lista Geral de Resíduos, da avaliação de Poluentes Orgânicos Persistentes, da toxicidade e da revisão de laudos antigos.
Para empresas que lidam com produtos químicos, resíduos industriais, misturas perigosas, materiais contaminados ou processos com risco ambiental, a revisão da classificação deve ser tratada como prioridade técnica.
Gestão de resíduos perigosos exige precisão técnica
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