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ECHA convoca a primeira reunião da Plataforma Colaborativa sobre Alternativa aos Testes em Animais.

No último dia 17 de junho de 2026, a ECHA (European Chemicals Agency) promoveu a primeira reunião da Plataforma Colaborativa sobre Alternativa aos Teste Animais (do inglês Collaborative Platform on Alternatives to Animal Testing – CP-AAT).

O evento reuniu os países membros da ECHA, a Comissão Europeia, agências europeias, indústrias e parceiros público-privadas para definir prioridades e fortalecer cooperação no uso de alternativas aos testes em animais.

Por quê utilizar alternativas aos testes em animais?

A sociedade atual vem, nos últimos anos, reforçando a necessidade de reduzir o uso de animais em testes com produtos químicos, não só para a proteção da vida, mas também por redução de custos para as empresas.

Para alguns parâmetros, como corrosão/irritação da pele e dos olhos e mutagenicidade, já existem ensaios que não utilizam animais validados. Tanto os ensaios sendo preliminares quanto definitivos, in vitro ou ex vivo, já reduzem o uso de animais e, consequentemente, o custo para definir tal parâmetro.

Por outro lado, parâmetros como “toxicidade aguda”, “carcinogenicidade”, “toxicidade sistêmica” e “toxicidade reprodutiva” carecem de ensaios validados sem o uso de animais devido às suas complexidades e dependências de um sistema vivo para ocorrerem.

Quais métodos foram discutidos no evento?

Os 4 (quatro) métodos sem uso de animais que foram discutidos e serão priorizados para os 2 (dois) anos iniciais da plataforma são:

1) QSAR (Quantitative Structure-activity Relationship): softwares que comparam a estrutura de substâncias químicas novas com as já testadas e com efeitos conhecidos para estimar se a substância nova terá os mesmos efeitos utilizando algoritmos matemáticos.

              Ação: promover o uso regulatório de métodos in silico, começando pela toxicidade oral aguda, demonstrando sua aplicação prática e estabelecendo critérios de desempenho claros para a avaliação de perigos.

2) Toxicocinética In vitro: a toxicocinética é o “caminho” utilizado pela substância no ser vivo. Existem ensaios in vitro para toxicocinética, porém cada uma dessas metodologias é focada em 1 (um) único parâmetro, não existindo metodologia que obtenha o resultado de todos os 4 (quatro) parâmetros (absorção, biotransformação, distribuição e eliminação).

              Ação: desenvolver abordagens harmonizadas para o uso de dados toxicocinéticos in vitro e alinhar as expectativas científicas e regulatórias.

3) Tecnologias ômicas: tecnologias ômicas são o conjunto de técnicas que analisam, em larga escala, os componentes biológicos de células, tecidos ou organismos. Em vez de estudar um único gene ou proteína, as abordagens ômicas avaliam milhares de moléculas simultaneamente para compreender o funcionamento global de um sistema biológico. As principais tecnologias ômicas são: genômica, transcriptômica, proteômica, metabolômica, epigenômica e lipidômica.

              Ação: apoiar o uso de tecnologias ômicas na identificação e no agrupamento de perigos, por meio de orientações e estudos de caso.

4) Novas metodologias de abordagem para materiais “nano” e avançados: Novas metodologias de abordagem (New approach methodologies – NAMs) para materiais “nano” e avançados são metodologias inovadoras utilizadas para avaliar a segurança, o comportamento biológico e os riscos de nanomateriais e materiais avançados por meio de abordagens mecanísticas, experimentais e computacionais, reduzindo a dependência de testes tradicionais em animais. Essas metodologias são adaptadas às características específicas desses materiais, como tamanho, forma, área superficial, revestimentos e propriedades funcionais complexas.

              Ação: criar abordagens regulatórias para avaliar as propriedades específicas de nanomateriais e viabilizar sua inclusão em estratégias de testes que não utilizam animais.

Conclusão

A criação da Plataforma Colaborativa sobre Alternativas aos Testes em Animais demonstra que a substituição gradual dos ensaios tradicionais em animais deixou de ser apenas uma discussão científica e passou a ocupar uma posição estratégica na agenda regulatória europeia.

Mais do que substituir ensaios, o objetivo é construir abordagens integradas capazes de gerar informações mais rápidas, eficientes e relevantes para a proteção da saúde humana e do meio ambiente.

Para as empresas que atuam com registro e avaliação de substâncias químicas, acompanhar a evolução dessas metodologias será cada vez mais importante. As discussões e os resultados produzidos pela CP-AAT nos próximos anos poderão influenciar diretamente as expectativas regulatórias da ECHA e servir de referência para outras autoridades ao redor do mundo, consolidando uma nova fase na avaliação de segurança química.

Para acessar a origem da informação no ECHA, utilize o link.

Checklist de conformidade química: como revisar NBR, GHS, FDS e transporte de produtos perigosos

A conformidade química exige atenção constante às exigências regulatórias que envolvem classificação de perigos, comunicação de riscos, rotulagem, transporte e documentação técnica de substâncias e misturas químicas.

No Brasil, esse processo envolve normas técnicas da ABNT, requisitos de rotulagem baseados no GHS, elaboração e revisão da FDS, documentos fiscais e regras para transporte de produtos perigosos estabelecidas pela ANTT.

Estruturar um checklist de conformidade química é uma forma eficiente de verificar se a documentação da empresa está alinhada às exigências legais, técnicas e operacionais aplicáveis ao seu segmento.

Este guia reúne os principais pontos documentais que devem ser revisados periodicamente, envolvendo ABNT NBR 14725, rotulagem GHS, FDS — Ficha com Dados de Segurança, documentação de transporte, registros internos, auditorias e consistência entre informações técnicas.

O que é conformidade química?

A conformidade química é o conjunto de práticas adotadas para garantir que produtos químicos sejam classificados, documentados, rotulados, armazenados, transportados e comunicados de acordo com normas técnicas, requisitos legais e boas práticas de segurança.

Na prática, isso significa revisar se a empresa possui documentos atualizados, informações coerentes entre diferentes áreas e processos capazes de acompanhar mudanças regulatórias.

Empresas que fabricam, importam, armazenam, distribuem, transportam ou utilizam produtos químicos precisam manter controle sobre dados de segurança, riscos ocupacionais, perigos ambientais, informações de transporte e comunicação adequada aos trabalhadores, clientes e transportadores.

A atualização da ABNT NBR 14725:2023 e seus impactos nas FDS e rótulos reforça a importância de revisar documentos técnicos com frequência, especialmente em empresas que lidam com substâncias, misturas, matérias-primas e produtos classificados como perigosos.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • classificação de perigos segundo o GHS;
  • elaboração e revisão da FDS;
  • rotulagem preventiva;
  • documentos fiscais e dados de transporte;
  • identificação para transporte terrestre;
  • registros internos de classificação;
  • compatibilidade entre FDS, rótulos e documentos de transporte;
  • controle de versões;
  • auditorias periódicas;
  • atualização normativa contínua.

Checklist de conformidade química

A seguir estão os principais pontos documentais que devem ser verificados para manter a conformidade química atualizada.

Cada item pode ser utilizado como base para auditorias internas, programas de compliance regulatório, revisão periódica da gestão química e melhoria dos processos de segurança, qualidade, logística e meio ambiente.

Normas técnicas aplicáveis à documentação química

As normas técnicas estabelecem diretrizes essenciais para classificação, comunicação de perigos, identificação de substâncias químicas e padronização de documentos de segurança.

A ABNT NBR 14725 é uma das principais referências brasileiras para produtos químicos, pois trata de aspectos gerais do Sistema Globalmente Harmonizado, classificação de perigos, FDS e rotulagem de produtos químicos. A norma também está relacionada à comunicação de perigos em ambientes de trabalho e à gestão segura de produtos químicos.

O GHS, mantido pela UNECE, é a base internacional para harmonização da classificação e rotulagem de produtos químicos, incluindo critérios de perigos físicos, perigos à saúde, perigos ao meio ambiente, fichas de segurança e elementos de rotulagem.

Checklist de normas e documentos técnicos

Verificar se a empresa está alinhada às seguintes normas e referências:

  • ABNT NBR 14725 — classificação de perigos, rotulagem e elaboração da FDS;
  • ABNT NBR 7500 — identificação para transporte terrestre, manuseio, movimentação e armazenamento de produtos;
  • ABNT NBR 9735 — conjunto de equipamentos para emergências no transporte terrestre de produtos perigosos;
  • ABNT NBR 14619 — incompatibilidade química no transporte terrestre de produtos perigosos;
  • Resolução ANTT nº 5.998/2022 — transporte rodoviário de produtos perigosos;
  • instruções complementares da ANTT aplicáveis ao transporte de produtos perigosos.

Pontos que devem ser verificados

  • atualização da versão das normas aplicáveis;
  • coerência entre normas adotadas e documentos técnicos elaborados;
  • revisão periódica das normas utilizadas nos processos internos;
  • registro formal das atualizações normativas aplicáveis;
  • adequação dos documentos aos requisitos da ABNT NBR 14725;
  • integração das áreas de segurança, qualidade, logística, regulatório e meio ambiente.

ABNT NBR 14725: base para FDS, GHS e rotulagem química

A ABNT NBR 14725 estabelece critérios para classificação de perigos, comunicação de perigos por meio da rotulagem e elaboração da FDS. Ela é uma das normas mais relevantes para empresas que trabalham com produtos químicos no Brasil.

A versão atualizada consolidou requisitos relacionados ao GHS, à classificação, à rotulagem e à FDS em um único documento normativo. Isso torna a consulta mais integrada e reforça a necessidade de consistência entre documentos técnicos.

O catálogo técnico da ABNT NBR 14725 descreve a norma como referência para produtos químicos, informações sobre segurança, saúde, meio ambiente, aspectos gerais do GHS, classificação, FDS e rotulagem.

Um ponto importante é a substituição da nomenclatura FISPQ por FDS — Ficha com Dados de Segurança. A antiga FISPQ deve ser mencionada apenas quando necessário para contextualizar documentos históricos, sistemas legados ou processos internos ainda não atualizados.

A adequação à nova ABNT NBR 14725 exige atenção técnica porque impacta diretamente a elaboração de FDS, a revisão de rótulos e a atualização da classificação de perigos de substâncias e misturas.

Checklist da ABNT NBR 14725

Verifique se:

  • a FDS está no formato atualizado;
  • a classificação de perigos segue os critérios da norma vigente;
  • os rótulos estão coerentes com a classificação GHS;
  • as frases de perigo e precaução estão adequadas;
  • os pictogramas foram revisados;
  • a FDS possui as 16 seções obrigatórias;
  • o documento está disponível em português;
  • existe controle de revisão e histórico de atualizações;
  • os sistemas internos utilizam a nomenclatura FDS;
  • documentos antigos foram revisados, substituídos ou corretamente arquivados.

Classificação e rotulagem segundo o GHS

O Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos, conhecido como GHS, estabelece critérios padronizados para a comunicação de perigos químicos.

O GHS permite classificar substâncias e misturas conforme perigos físicos, perigos à saúde e perigos ao meio ambiente. Também define elementos de comunicação, como pictogramas, palavras de advertência, frases de perigo e frases de precaução.

A 11ª edição revisada do GHS, publicada pela UNECE, reforça que o sistema é atualizado periodicamente em nível internacional. Entretanto, a aplicação prática no Brasil deve observar a norma brasileira vigente e as atualizações incorporadas pela ABNT NBR 14725.

Checklist de classificação GHS

Verificar se todos os produtos químicos possuem:

  • classificação físico-química atualizada;
  • classificação toxicológica adequada;
  • classificação ambiental conforme critérios GHS;
  • registro da metodologia utilizada para classificação;
  • dados técnicos compatíveis com a composição do produto;
  • avaliação das concentrações dos ingredientes relevantes;
  • justificativa técnica para substâncias e misturas;
  • coerência entre classificação, FDS e rótulo.

Checklist de rotulagem GHS

Confirmar se os rótulos apresentam:

  • identificação correta do produto;
  • identificação do fornecedor;
  • pictogramas de perigo atualizados;
  • palavra de advertência adequada;
  • frases de perigo corretas;
  • frases de precaução padronizadas;
  • informações suplementares, quando aplicável;
  • telefone de emergência, quando exigido ou recomendado;
  • informações compatíveis com a FDS.

FDS: verificação da Ficha com Dados de Segurança

A FDS é um dos principais documentos da conformidade química, reunindo informações técnicas fundamentais sobre riscos, manuseio, armazenamento, transporte, exposição ocupacional e medidas de emergência.

A estrutura da ficha segue as diretrizes da ABNT NBR 14725 e deve conter 16 seções padronizadas. Essas seções permitem que trabalhadores, profissionais de segurança, equipes regulatórias, transportadores e clientes compreendam os perigos do produto e as medidas preventivas necessárias.

A FDS substitui a antiga FISPQ como nomenclatura técnica atual. Por isso, documentos, sistemas internos e cadastros devem priorizar o termo FDS, mantendo a referência à antiga FISPQ apenas quando for necessário para orientar a transição.

A página de serviço sobre Ficha com Dados de Segurança apresenta a FDS como documento essencial para gestão de riscos químicos, manuseio seguro e comunicação adequada das informações de segurança.

Checklist de conformidade da FDS

Verificar se a Ficha apresenta:

  • estrutura completa com 16 seções obrigatórias;
  • identificação correta do produto e fornecedor;
  • classificação de perigos conforme GHS;
  • composição química detalhada;
  • medidas de primeiros socorros;
  • medidas de combate a incêndio;
  • procedimentos em caso de vazamento;
  • informações de manuseio e armazenamento;
  • controle de exposição e EPI recomendados;
  • propriedades físico-químicas atualizadas;
  • informações toxicológicas e ecológicas;
  • informações sobre transporte;
  • informações regulamentares aplicáveis;
  • outras informações relevantes para uso seguro do produto.

Pontos críticos de revisão da FDS

  • compatibilidade entre a FDS e a rotulagem do produto;
  • atualização após mudança de formulação ou classificação;
  • disponibilidade da ficha em português;
  • acesso fácil ao documento pelos trabalhadores;
  • revisão após atualização normativa;
  • inclusão de novos dados toxicológicos ou ambientais;
  • adequação da seção de transporte;
  • controle de versões e rastreabilidade das alterações.

FDS em sistemas de gestão documental

Em muitos sistemas e bases de dados internas ainda é comum encontrar referências à antiga FISPQ. Para manter a conformidade documental, é importante garantir consistência entre nomenclaturas, registros técnicos e arquivos disponíveis para consulta.

O ideal é que a empresa utilize FDS como nomenclatura principal em sistemas internos, pastas digitais, procedimentos, cadastros de produtos, documentos de qualidade, treinamentos e bases de dados regulatórias.

Checklist documental

Verificar se:

  • sistemas internos utilizam a nomenclatura atual FDS;
  • arquivos históricos com a nomenclatura antiga foram atualizados ou corretamente identificados;
  • todas as versões de fichas possuem controle de revisão;
  • existe registro da data de atualização do documento;
  • versões obsoletas foram retiradas de circulação;
  • as áreas de compras, qualidade, segurança, logística e regulatório utilizam a mesma versão;
  • a FDS disponível corresponde ao produto efetivamente adquirido, armazenado ou utilizado.

Documentação exigida no transporte de produtos perigosos

O transporte de substâncias químicas perigosas no Brasil segue as regras estabelecidas pela Resolução ANTT nº 5.998/2022 e suas atualizações, além de normas técnicas associadas.

A Resolução ANTT nº 5.998/2022 atualiza o Regulamento para o Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, aprova instruções complementares e estabelece requisitos para operações realizadas em vias públicas no território nacional.

Um ponto importante é que, conforme orientação da própria ANTT sobre produtos perigosos, não existe mais obrigatoriedade de porte da Ficha de Emergência e do Envelope para Transporte durante o transporte rodoviário de produtos perigosos.

Isso não impede que esses documentos sejam utilizados por procedimento interno, exigência contratual, requisito de cliente ou prática complementar de segurança. Porém, eles não devem ser tratados como documentos de porte obrigatório pela ANTT.

A análise sobre as alterações na Resolução ANTT 5998 ajuda a compreender pontos relevantes para empresas que transportam, expedem, armazenam ou contratam transporte de produtos perigosos.

Checklist documental para transporte

Verificar a presença e a consistência das seguintes informações:

  • documento fiscal contendo identificação do produto perigoso;
  • número ONU da substância ou mistura;
  • nome apropriado para embarque;
  • classe e subclasse de risco;
  • grupo de embalagem, quando aplicável;
  • quantidade transportada;
  • tipo de embalagem;
  • identificação do expedidor;
  • identificação do transportador;
  • dados compatíveis com a seção de transporte da FDS;
  • certificados aplicáveis ao transporte a granel, quando houver.

Documentos e registros que podem acompanhar a gestão logística

Além dos documentos exigidos pela regulamentação, a empresa pode manter registros complementares para segurança, rastreabilidade e gestão de emergência.

  • FDS disponível para consulta;
  • registro da classificação de transporte conforme regulamentação;
  • procedimentos internos de emergência;
  • checklists de expedição;
  • registros de inspeção de carga;
  • certificados de veículos e equipamentos, quando aplicável;
  • orientações para atendimento a emergências químicas;
  • registros de treinamento das equipes envolvidas.

Consistência entre FDS, rótulos, documentos internos e transporte

Um dos problemas mais comuns identificados em auditorias regulatórias é a inconsistência entre documentos químicos. Diferenças entre classificação, rotulagem, FDS, documentos fiscais e registros internos podem gerar não conformidades e comprometer a comunicação de perigos.

A FDS pode estar atualizada, mas o rótulo pode apresentar pictogramas divergentes. O documento fiscal pode trazer informações de transporte incompatíveis. O cadastro interno pode estar usando uma versão antiga. A logística pode trabalhar com dados diferentes da área regulatória.

Por isso, a conformidade química deve ser analisada de forma integrada, considerando todo o ciclo documental do produto químico.

Checklist de consistência documental

Verificar se existe coerência entre:

  • classificação GHS;
  • rótulos de perigo;
  • FDS;
  • documentos fiscais;
  • documentos de transporte;
  • registros internos de classificação química;
  • cadastros de produtos;
  • procedimentos de emergência;
  • informações enviadas a clientes;
  • informações utilizadas por transportadores.

Pontos que devem ser revisados

  • pictogramas presentes nos rótulos e na FDS;
  • frases de perigo consistentes em todos os documentos;
  • frases de precaução padronizadas;
  • classificação de transporte alinhada à seção correspondente da FDS;
  • dados de composição compatíveis com a classificação aplicada;
  • atualização simultânea dos documentos após revisão técnica;
  • remoção de versões antigas dos sistemas internos;
  • comunicação das alterações às áreas envolvidas.

Auditoria documental de conformidade química

Auditorias internas ajudam a identificar inconsistências antes de fiscalizações, auditorias externas, incidentes ou questionamentos de clientes.

Esse processo permite verificar se a documentação química atende às exigências das normas técnicas, regulamentos vigentes e procedimentos internos da empresa.

A auditoria documental também contribui para melhorar a rastreabilidade das informações, corrigir falhas de comunicação entre áreas e fortalecer a governança sobre produtos químicos.

Checklist de auditoria

Uma auditoria documental deve verificar:

  • existência da FDS para todos os produtos químicos;
  • atualização da classificação GHS;
  • conformidade da rotulagem com a ABNT NBR 14725;
  • documentação completa para transporte de produtos perigosos;
  • controle de revisão das fichas de segurança;
  • registro das atualizações normativas aplicáveis;
  • compatibilidade entre FDS, rótulo e documento fiscal;
  • disponibilidade dos documentos para trabalhadores e áreas envolvidas;
  • procedimentos para retirada de versões obsoletas;
  • treinamento das equipes que utilizam ou gerenciam produtos químicos.

Tabela resumo da documentação de conformidade química

A tabela abaixo resume os principais documentos, registros e referências que devem ser considerados em uma rotina de conformidade química.

Documento ou registroFunçãoNorma ou regulamento
FDSInformações de segurança, perigos, medidas preventivas e dados técnicos do produtoABNT NBR 14725
Rótulo GHSComunicação visual de perigosABNT NBR 14725
Classificação GHSDefinição de perigos físicos, à saúde e ao meio ambienteGHS e ABNT NBR 14725
Documento fiscal com dados de riscoIdentificação da carga perigosa durante a operação de transporteANTT 5998/2022
Dados de transporteInformação de número ONU, classe de risco, grupo de embalagem e nome apropriado para embarqueANTT 5998/2022
Certificados para transporte a granelComprovação de inspeção ou certificação de veículos e equipamentos, quando aplicávelANTT e Inmetro
Registros internosControle de versões, rastreabilidade e consistência documentalSistema de gestão da empresa
Auditoria documentalVerificação de conformidade, coerência e atualização dos documentosNormas, regulamentos e procedimentos internos

Como manter a conformidade química atualizada?

A gestão adequada da documentação química reduz riscos operacionais, melhora a comunicação de perigos e facilita auditorias regulatórias.

Manter atualizadas as FDS, revisar classificação GHS e garantir a consistência entre documentos técnicos são etapas fundamentais para assegurar a conformidade química.

A empresa deve estabelecer uma rotina de revisão sempre que houver:

  • mudança de formulação;
  • alteração de fornecedor;
  • nova informação toxicológica ou ambiental;
  • atualização normativa;
  • mudança na classificação de transporte;
  • identificação de inconsistências em auditoria;
  • alteração de embalagem ou rotulagem;
  • novas exigências de clientes, mercados ou órgãos reguladores.

Também é importante que compras, qualidade, segurança do trabalho, meio ambiente, regulatório, logística e comercial trabalhem com a mesma base documental.

Atualize sua documentação química com suporte técnico especializado

A revisão de documentos técnicos, classificação GHS, elaboração de FDS e adequação de rotulagem química exige conhecimento especializado e acompanhamento constante das atualizações regulatórias.

A Intertox oferece suporte para empresas que precisam revisar, estruturar ou atualizar a documentação relacionada à conformidade química, reduzindo riscos e fortalecendo a segurança das informações técnicas.

A Intertox apoia empresas que precisam:

  • elaborar ou revisar FDS;
  • atualizar classificações segundo o GHS;
  • adequar rotulagens químicas;
  • revisar dados para transporte de produtos perigosos;
  • avaliar consistência entre FDS, rótulos, documentos internos e transporte;
  • estruturar auditorias de conformidade química;
  • acompanhar atualizações regulatórias aplicáveis ao negócio.

Para revisar sua documentação química com segurança técnica, fale com um especialista e mantenha sua operação alinhada às exigências regulatórias com confiabilidade.

Ficha com Dados de Segurança de Resíduos Químicos (FDSR): quando é obrigatória no Brasil

A gestão de resíduos químicos é uma etapa essencial para garantir a segurança dos trabalhadores, a proteção do meio ambiente e a conformidade legal das empresas. Além da correta classificação e destinação dos resíduos, é indispensável disponibilizar informações técnicas que orientem seu manuseio, armazenamento, transporte e resposta a emergências.

Nesse contexto, a Ficha com Dados de Segurança de Resíduos Químicos (FDSR) desempenha um papel fundamental, reunindo informações sobre os perigos do resíduo e as medidas de prevenção e controle necessárias durante todo o seu ciclo de gerenciamento.

Apesar de sua importância, muitas empresas ainda têm dúvidas sobre a obrigatoriedade desse documento. Afinal, toda empresa que gera resíduos químicos precisa elaborar uma FDSR? Em quais situações a legislação brasileira exige sua emissão?

Neste artigo, você entenderá quando a FDSR é obrigatória no Brasil, quais normas regulamentam esse documento e como identificar os cenários em que sua elaboração é necessária para atender aos requisitos legais e garantir a segurança das operações.

O que é FDSR?

A FDSR é a Ficha com Dados de Segurança de Resíduos, um documento técnico que reúne informações sobre riscos, manuseio, armazenamento, transporte e destinação de resíduos químicos perigosos.

Ela é obrigatória sempre que o resíduo apresenta características de periculosidade, como inflamabilidade, toxicidade, corrosividade ou reatividade, conforme critérios da legislação brasileira e do sistema GHS.

A FDSR funciona como uma adaptação da FDS (Ficha com Dados de Segurança) para resíduos, garantindo que todas as etapas do ciclo de vida do resíduo sejam realizadas com segurança e conformidade legal.

Contexto e importância da FDSR no Brasil

A geração de resíduos químicos no Brasil cresce de forma proporcional ao avanço industrial. Segundo dados do IBGE, setores como indústria, saúde e agronegócio são responsáveis por volumes significativos de resíduos perigosos.

Além disso, a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece que empresas são responsáveis por todo o ciclo de vida dos resíduos que geram — da geração à destinação final.

Nesse cenário, a FDSR resíduos químicos deixa de ser apenas um documento técnico e passa a ser uma exigência estratégica para:

  • garantir segurança operacional
  • reduzir riscos ambientais
  • atender auditorias e fiscalizações
  • evitar penalidades legais

A ausência desse documento pode comprometer inclusive contratos com transportadoras e empresas de destinação.

Como funciona a FDSR na prática

A elaboração e aplicação da FDSR segue uma lógica técnica baseada na identificação de perigos e controle de riscos.

Veja como funciona na prática:

  1. Identificação do resíduo
    • Origem do resíduo
    • Processo gerador
    • Composição química
  2. Classificação de perigos
    • Escolha do sistema de classificação
    • Aplicação dos critérios Identificação de riscos físicos, à saúde e ao meio ambiente
  3. Estruturação da FDSR
    • Informações padronizadas em seções (semelhantes à FDS)
    • Dados sobre transporte, armazenamento e emergência
  4. Aplicação operacional
    • Uso pela equipe interna
    • Compartilhamento com transportadores e destinadores
  5. Atualização periódica
    • Revisão conforme mudança de composição ou legislação

Esse fluxo garante que o resíduo seja tratado com o mesmo nível de controle aplicado a produtos químicos.

Requisitos técnicos e normas aplicáveis

A obrigatoriedade da FDSR não está concentrada em uma única norma, mas sim em um conjunto de regulamentações que, na prática, exigem sua elaboração.

Entre os principais referenciais técnicos estão:

1. ABNT NBR 14725

  • Define critérios de classificação de perigos
  • Estrutura da Ficha com Dados de Segurança
  • Base técnica utilizada para adaptação à FDSR

2. NR-26

  • Internaliza o GHS no Brasil
  • Estabelece diretrizes para comunicação de perigos

3. Lei 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos

  • Define responsabilidade compartilhada
  • Exige controle sobre riscos de resíduos

4. Normas de transporte terrestre (ANTT)

  • Exigem informações de risco para movimentação de resíduos perigosos

Quando a FDSR se torna obrigatória?

De forma geral, a Ficha com Dados de Segurança de Resíduos Químicos (FDSR) é exigida quando o resíduo apresenta perigos que demandam a comunicação de informações de segurança para seu manuseio, armazenamento, transporte ou destinação.

Na prática, a elaboração da FDSR é necessária, principalmente, quando:

  • o resíduo é classificado como perigoso;
  • o resíduo apresenta riscos à saúde humana ou ao meio ambiente que precisam ser comunicados aos envolvidos em seu gerenciamento;
  • empresas terceirizadas participam das etapas de coleta, transporte, tratamento ou destinação final do resíduo.

Nessas situações, a FDSR fornece informações essenciais para que todos os envolvidos conheçam os perigos do resíduo e adotem as medidas adequadas de prevenção, resposta a emergências e controle de riscos, contribuindo para o atendimento aos requisitos legais e para a segurança das operações.

Tabela: FDS x FDSR — principais diferenças

CritérioFDS (Produto Químico)FDSR (Resíduo Químico)
AplicaçãoSubstâncias e misturas comerciaisResíduos gerados na empresa
Base normativaABNT NBR 14725ABNT NBR 16725
ComposiçãoFixaVariável conforme processo gerador
ObjetivoSegurança no uso do produtoSegurança na gestão do resíduo
ObrigatoriedadeProdutos perigososResíduos perigosos

Principais erros relacionados à FDSR 

Mesmo empresas estruturadas cometem falhas na gestão da FDSR de resíduos químicos. Os erros mais comuns incluem:

  1. Não elaborar FDSR para resíduos perigosos
    Acreditar que apenas a FDS do produto original é suficiente.
  2. Copiar FDS de produtos químicos
    Resíduos possuem composição diferente e devem ser tratados como novos materiais.
  3. Não atualizar o documento
    Mudanças no processo produtivo alteram o perfil do resíduo.
  4. Falta de integração com o PGRS
    A FDSR deve estar alinhada ao Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.

Benefícios de aplicar corretamente a FDSR

A correta aplicação da FDSR resíduos químicos gera ganhos diretos para a empresa:

  • Redução de riscos operacionais
    Menos acidentes e exposição a agentes perigosos
  • Conformidade legal
    Atendimento às exigências de fiscalização
  • Eficiência na gestão de resíduos
    Processos mais organizados e rastreáveis
  • Facilidade em auditorias
    Documentação técnica adequada
  • Melhor relação com parceiros
    Transportadoras e destinadores exigem esse documento

Além disso, empresas que estruturam corretamente sua gestão de resíduos fortalecem sua imagem institucional e reduzem passivos ambientais.

Perguntas frequentes sobre FDSR resíduos químicos

  • A FDSR substitui a FDS?

Não. A FDS é aplicada a produtos químicos. A FDSR é específica para resíduos e complementa a documentação.

  • Todo resíduo químico precisa de FDSR?

Não. Apenas resíduos classificados como perigosos exigem a FDSR de resíduos químicos.

  • Quem é responsável pela elaboração da FDSR?

A empresa geradora do resíduo é responsável, podendo contratar especialistas para elaboração técnica.

  • Existe um modelo padrão de FDSR?

Sim,  ela deve ser elaborada conforme as orientações da ABNT NBR 16725.

  • A falta de FDSR gera multa?

Pode gerar autuações, além de impedir transporte e destinação adequada.

Conte com especialistas para garantir a conformidade da sua gestão de resíduos

Atender às exigências legais relacionadas aos resíduos químicos vai muito além da destinação adequada. A classificação correta dos resíduos, a elaboração da FDSR e a manutenção da documentação técnica atualizada são etapas essenciais para reduzir riscos, proteger os trabalhadores e demonstrar conformidade perante os órgãos fiscalizadores.

A Intertox oferece suporte técnico especializado em segurança química, incluindo a elaboração de Fichas com Dados de Segurança de Resíduos Químicos (FDSR), classificação de perigos, adequação às normas aplicáveis e consultoria em assuntos regulatórios, auxiliando empresas de diferentes segmentos a manterem suas operações em conformidade.

Se sua empresa gera resíduos químicos e deseja avaliar se a documentação utilizada atende aos requisitos legais e às melhores práticas de segurança, conheça as soluções da Intertox e fale com um especialista.

Anvisa promove capacitação em Boas Práticas de Fabricação de Cosméticos e Saneantes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) disponibilizou a capacitação “Boas Práticas de Fabricação de Cosméticos e Saneantes para o Setor Regulado”, iniciativa voltada à qualificação técnica de profissionais e empresas que atuam nos setores de cosméticos e saneantes.

O curso reforça a importância das Boas Práticas de Fabricação (BPF) como elemento essencial para a conformidade sanitária, a segurança dos produtos e a melhoria contínua dos processos produtivos. A iniciativa também busca aproximar os requisitos regulatórios da rotina operacional das empresas, contribuindo para que as exigências aplicáveis sejam compreendidas e implementadas de forma prática no ambiente industrial.

Mais do que atender a requisitos normativos, a capacitação destaca a necessidade de consolidar uma cultura de qualidade nas operações fabris, assegurando que as etapas envolvidas na fabricação estejam alinhadas aos requisitos regulatórios vigentes e gerem as evidências documentais necessárias para demonstrar a conformidade sanitária da empresa. A capacitação está disponível no AVA Visa, ambiente virtual de aprendizagem da ANVISA, em formato totalmente on-line.

Lançamento da capacitação

O lançamento oficial da capacitação ocorreu em 25 de junho de 2026, em evento realizado pela ANVISA, com a participação de representantes da Agência e de importantes entidades do setor produtivo, como a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), a Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC) e a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes (ABIPLA). A programação do evento destacou a relevância da qualificação técnica e da integração entre regulação, fiscalização sanitária e indústria. Entre os temas abordados, estiveram a visão estratégica da fiscalização sanitária, a evolução e os fundamentos das Boas Práticas de Fabricação e a apresentação de diagnósticos de inspeções realizadas em empresas de cosméticos e saneantes.

Tópicos contemplados e objetivo

A capacitação tem como objetivo apoiar profissionais do setor regulado na compreensão e aplicação das Boas Práticas de Fabricação em cosméticos e saneantes, contribuindo para transformar requisitos regulatórios em práticas efetivas de qualidade no ambiente fabril.

O conteúdo está relacionado ao fortalecimento da conformidade com os requisitos aplicáveis às Boas Práticas de Fabricação previstas para os setores de cosméticos e saneantes, incluindo a RDC nº 48/2013, aplicável a produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, e a RDC nº 47/2013, aplicável a produtos saneantes.

A proposta central é reforçar que a qualidade deve estar presente em todas as etapas da operação, desde o recebimento de matérias-primas até a expedição final dos produtos. Esse enfoque contribui para que os processos sejam conduzidos de forma padronizada, rastreável e tecnicamente controlada.

Entre os assuntos contemplados, destacam-se:

  • higiene, limpeza e sanitização;
  • validação e calibração;
  • gestão técnica de documentos e registros;
  • tratamento de desvios e não conformidades;
  • fundamentos das Boas Práticas de Fabricação;
  • preparação para auditorias e inspeções sanitárias;
  • diagnóstico de falhas recorrentes observadas em inspeções;
  • oportunidades de melhoria nos processos produtivos.

Importância para o setor regulado

As Boas Práticas de Fabricação representam um dos pilares da regularidade sanitária. Para empresas que fabricam, importam, armazenam, distribuem ou comercializam cosméticos e saneantes, manter processos compatíveis com as BPF é essencial para reduzir riscos regulatórios, prevenir desvios de qualidade e garantir maior segurança ao consumidor.

A capacitação disponibilizada pela ANVISA pode apoiar empresas em diferentes frentes, como:

  • treinamento de equipes técnicas, operacionais e regulatórias;
  • revisão de procedimentos internos;
  • fortalecimento do sistema de gestão da qualidade;
  • melhoria da rastreabilidade documental;
  • adequação de rotinas de fabricação, controle e armazenamento;
  • preparação para inspeções e auditorias sanitárias;
  • identificação de oportunidades de melhoria em processos produtivos;
  • redução de riscos associados a não conformidades e falhas documentais.

A disponibilização de um curso oficial pela ANVISA representa uma oportunidade importante para o setor de cosméticos e saneantes. Além de ampliar o acesso ao conhecimento técnico, a capacitação favorece a padronização de entendimentos entre empresas, profissionais e órgãos de fiscalização.

Conte com a Intertox

A disponibilização da capacitação pela ANVISA reforça a importância da qualificação técnica contínua e da implementação efetiva das Boas Práticas de Fabricação nos setores de cosméticos e saneantes.

Nesse contexto, a Intertox atua no suporte técnico e regulatório para empresas que buscam fortalecer sua conformidade sanitária, estruturar processos internos e atender às exigências aplicáveis ao setor regulado.

Com equipe multidisciplinar e experiência em assuntos regulatórios, segurança química e gestão de conformidade, a Intertox apoia empresas em atividades como:

  • avaliação de requisitos regulatórios aplicáveis a cosméticos e saneantes;
  • suporte à adequação regulatória;
  • elaboração e revisão de procedimentos, manuais e documentos técnicos;
  • preparação para inspeções e auditorias sanitárias;
  • análise de rotulagem, FDS e comunicação de perigos;
  • treinamentos técnicos para equipes operacionais, regulatórias e de qualidade;
  • acompanhamento de atualizações normativas junto aos órgãos competentes.

Dessa forma, a Intertox contribui para que empresas do setor mantenham seus processos alinhados às exigências da ANVISA, reduzam riscos regulatórios e fortaleçam sua atuação no mercado com segurança, qualidade e conformidade.

Colômbia abre consulta pública para definir critérios de priorização de substâncias químicas industriais

A Colômbia colocou em consulta pública um projeto de resolução que estabelece os critérios para identificar substâncias químicas de uso industrial consideradas prioritárias para a gestão do risco à saúde humana e ao meio ambiente. A iniciativa regulamenta a etapa de priorização prevista no Sistema de Gestão de Substâncias Químicas de Uso Industrial (SQUI) e representa mais um avanço na implementação do modelo colombiano de avaliação e gerenciamento dessas substâncias.

A proposta busca definir como será realizada a seleção das substâncias que seguirão para as próximas etapas do sistema, permitindo que as autoridades concentrem seus esforços naquelas que apresentam maior potencial de risco. A adoção de critérios técnicos para essa seleção contribui para tornar o processo mais transparente, consistente e alinhado às boas práticas internacionais de gestão de produtos químicos.

Contexto regulatório

O Sistema de Gestão de Substâncias Químicas de Uso Industrial (SQUI), previsto no Decreto 1076 de 2015, foi estruturado para organizar a gestão dessas substâncias de forma gradual. O sistema contempla o Inventário Nacional de Substâncias Químicas de Uso Industrial (INSQUI), a etapa de priorização, a avaliação do risco e, quando necessário, a definição de medidas de gerenciamento.

A resolução em consulta pública trata especificamente da etapa de priorização. Seu objetivo é estabelecer os critérios que orientarão a escolha das substâncias que serão avaliadas primeiro, considerando que o grande número de produtos químicos presentes no mercado torna inviável analisar todos simultaneamente.

Na prática, essa etapa funciona como um mecanismo de organização das ações regulatórias, direcionando recursos técnicos para os casos considerados mais relevantes sob a perspectiva da proteção da saúde humana e do meio ambiente.

Como funcionará a priorização

O Documento Técnico que acompanha a consulta pública apresenta a metodologia proposta para selecionar as substâncias prioritárias. A classificação será baseada na combinação de informações relacionadas ao perigo intrínseco das substâncias e ao potencial de exposição, permitindo uma análise mais abrangente da relevância de cada uma para o contexto colombiano.

Entre os parâmetros considerados estão características de perigo para a saúde humana e para o meio ambiente, como carcinogenicidade, mutagenicidade, toxicidade para a reprodução, toxicidade aguda, sensibilização, persistência ambiental, bioacumulação e ecotoxicidade.

Além dessas propriedades, também serão avaliadas informações que refletem o potencial de exposição, incluindo volumes de fabricação e importação, usos industriais, setores econômicos envolvidos, classificações harmonizadas, dados provenientes de programas regulatórios nacionais e internacionais e informações declaradas no INSQUI.

A combinação desses elementos permitirá identificar substâncias que reúnam elevado potencial de perigo e maior probabilidade de exposição, fornecendo uma base técnica para definir a ordem em que serão submetidas às avaliações de risco.

É importante destacar que a inclusão de uma substância na lista de prioritárias não implica sua proibição, restrição de uso ou retirada do mercado. A priorização representa apenas uma etapa inicial do processo regulatório, indicando quais substâncias serão avaliadas com maior profundidade antes da eventual adoção de medidas de gerenciamento.

Papel do INSQUI

O Inventário Nacional de Substâncias Químicas de Uso Industrial (INSQUI) desempenha papel estratégico nesse processo. As informações declaradas pelas empresas sobre fabricação e importação constituem uma das principais fontes de dados utilizadas para a seleção das substâncias, sendo complementadas por informações provenientes de bases regulatórias e científicas nacionais e internacionais.

Segundo o Documento Técnico, essa integração permitirá que as decisões sejam fundamentadas em dados representativos da realidade colombiana, sem deixar de considerar o conhecimento científico já consolidado e as experiências regulatórias adotadas em outros países.

Nesse cenário, a qualidade, a consistência e a atualização das informações fornecidas pelas empresas tornam-se fatores essenciais para garantir a confiabilidade do processo de priorização e o adequado funcionamento do sistema.

Próximas etapas e impactos para as empresas

A identificação de uma substância como prioritária marca o início de uma etapa de avaliação mais detalhada. A partir desse momento, poderão ser conduzidos estudos para caracterizar os riscos associados às condições de fabricação, importação, uso e exposição, gerando subsídios técnicos para futuras decisões regulatórias.

Somente após essa avaliação será possível considerar a adoção de medidas de gerenciamento do risco, caso as evidências científicas justifiquem essa necessidade. Dessa forma, o projeto reforça uma abordagem baseada em etapas sucessivas, na qual as decisões são construídas de maneira gradual e fundamentadas em critérios técnicos.

Embora a proposta não imponha novas restrições às substâncias químicas de uso industrial, ela evidencia a importância das informações declaradas pelas empresas ao INSQUI. Esses dados compõem uma parte relevante da base utilizada para definir quais substâncias serão priorizadas nas etapas seguintes do sistema.

Por esse motivo, fabricantes, importadores e demais empresas que atuam com substâncias químicas devem acompanhar a evolução da consulta pública e da futura regulamentação, uma vez que as substâncias classificadas como prioritárias poderão ser objeto de avaliações específicas e, posteriormente, de medidas de gerenciamento, quando houver justificativa técnica.

A publicação da proposta representa mais um passo na consolidação do marco regulatório colombiano para substâncias químicas industriais e reforça a adoção de uma abordagem baseada em risco, apoiada em critérios científicos, dados nacionais e referências regulatórias internacionais.

Conte com a Intertox

A evolução dos requisitos regulatórios relacionados ao INSQUI e aos demais instrumentos do sistema colombiano pode gerar impactos para empresas que fabricam, importam ou comercializam substâncias químicas. Acompanhar essas mudanças é fundamental para manter a conformidade regulatória e antecipar possíveis exigências futuras.

A Intertox monitora continuamente a evolução das regulamentações nacionais e internacionais, oferecendo suporte especializado em assuntos regulatórios, classificação GHS, elaboração e revisão de Fichas com Dados de Segurança (FDS), inventários de substâncias químicas, avaliação de risco, gestão de produtos químicos e consultoria técnica para atendimento aos requisitos regulatórios.

Para acessar esta consulta pública e os arquivos abaixo citados, clique aqui.

  • Ministerio de Ambiente y Desarrollo Sostenible. Proyecto de Resolución – Por medio del cual se definen los criterios y condiciones para identificar las sustancias químicas de uso industrial que son prioritarias para la gestión del riesgo.
  • Ministerio de Ambiente y Desarrollo Sostenible. Documento Técnico – Priorización de Sustancias Químicas de Uso Industrial (SQUI).