Classificação GHS no Brasil: como fazer corretamente

A classificação GHS no Brasil é uma exigência técnica e regulatória para empresas que fabricam, importam, armazenam ou utilizam produtos químicos. Apesar disso, muitas organizações ainda cometem erros na aplicação do sistema, seja por falta de conhecimento técnico ou interpretação incorreta das normas.

O problema é que a classificação inadequada pode gerar consequências diretas: autuações, riscos ocupacionais, problemas ambientais e até responsabilização civil. Em um cenário de fiscalização mais rigorosa, isso se torna um risco estratégico para o negócio.

Com a atualização da ABNT NBR 14725:2023 e a consolidação das diretrizes do Sistema Globalmente Harmonizado, as empresas precisam adaptar seus processos para garantir total conformidade.

Neste artigo, você vai entender como fazer a classificação GHS no Brasil corretamente, quais normas seguir e quais erros evitar para manter sua operação segura e regularizada.

O que é classificação GHS no Brasil?

A classificação GHS no Brasil é o processo de identificação e categorização dos perigos de produtos químicos conforme critérios do Sistema Globalmente Harmonizado, adotado no país por meio da ABNT NBR 14725.

Esse processo avalia riscos físicos, à saúde e ao meio ambiente, definindo classes e categorias de perigo. A partir dessa classificação, são elaborados rótulos e a Ficha com Dados de Segurança.

O objetivo é padronizar a comunicação de perigos, facilitar o entendimento dos riscos e garantir segurança no manuseio, transporte e armazenamento de produtos químicos.

Cenário atual e importância da classificação GHS

A classificação GHS no Brasil está diretamente ligada à conformidade legal e à segurança operacional das empresas. Com a atualização da ABNT NBR 14725:2023, houve maior alinhamento com as versões mais recentes do GHS internacional.

No Brasil, a obrigatoriedade está associada principalmente à NR-26, que exige a correta classificação e rotulagem de produtos químicos perigosos nos ambientes de trabalho.

Do ponto de vista de mercado, milhares de empresas utilizam substâncias químicas diariamente. A fiscalização tem aumentado, especialmente em setores industriais, e há maior exigência em auditorias, certificações e processos de qualificação de fornecedores.

Além disso, empresas que não aplicam corretamente a classificação enfrentam riscos como multas, interdições, acidentes de trabalho, danos ambientais e perda de contratos com grandes clientes.

A classificação GHS no Brasil deixou de ser apenas uma obrigação técnica e passou a ser um elemento estratégico de gestão.

Como funciona na prática a classificação GHS no Brasil

A aplicação da classificação GHS no Brasil segue um processo técnico estruturado. Na prática, envolve as seguintes etapas:

  • Levantamento das substâncias químicas: identificar todos os produtos e suas composições.
  • Coleta de dados físico-químicos e toxicológicos: utilizar informações obtidas por ensaios, literatura técnica ou bancos de dados reconhecidos.
  • Identificação dos perigos: avaliar riscos físicos, riscos à saúde humana e riscos ao meio ambiente.
  • Classificação em classes e categorias GHS: definir a categoria de perigo conforme critérios técnicos do sistema.
  • Definição de elementos de rotulagem: incluir pictogramas, palavras de advertência, frases de perigo e frases de precaução.
  • Elaboração da Ficha com Dados de Segurança: documento com 16 seções obrigatórias contendo informações detalhadas.
  • Revisão e validação técnica: garantir consistência entre classificação, rótulo e FDS.

Esse processo exige conhecimento técnico e atualização constante conforme mudanças regulatórias. Empresas que atuam com importação também precisam observar documentos e responsabilidades específicas, como explicado no conteúdo da Intertox sobre exigências para importação de produtos químicos.

Normas e requisitos técnicos da classificação GHS no Brasil

A classificação GHS no Brasil é regulamentada por normas específicas que devem ser seguidas rigorosamente.

ABNT NBR 14725:2023

É a principal norma técnica aplicada à classificação de perigos, requisitos para rotulagem e estrutura da Ficha com Dados de Segurança.

NR-26

A norma regulamentadora trata da comunicação de perigos no ambiente de trabalho, incluindo sinalização, classificação e rotulagem preventiva de produtos químicos.

GHS

O Sistema Globalmente Harmonizado define critérios internacionais para classificação e comunicação de perigos químicos. A Fundacentro também disponibiliza materiais técnicos sobre a aplicação do GHS em produtos químicos.

Entre os pontos técnicos mais relevantes estão a atualização da FDS, a consistência entre classificação e rotulagem, o uso correto de pictogramas GHS e a identificação adequada de perigos para misturas químicas.

Tabela: Classes de perigo no GHS

Tipo de perigoExemplos de classesImpacto
FísicoInflamáveis, explosivos, oxidantesRisco de incêndio e explosão
Saúde humanaToxicidade aguda, corrosão, carcinogenicidadeRisco à saúde ocupacional
Meio ambientePerigo aquático, toxicidade ambientalContaminação ambiental

Essa divisão orienta toda a classificação GHS no Brasil e a comunicação de riscos.

Principais erros relacionados à classificação GHS no Brasil

A aplicação incorreta da classificação GHS no Brasil é mais comum do que parece. Entre os erros mais frequentes estão:

1. Classificação baseada em suposição

Empresas utilizam dados incompletos ou não confiáveis, comprometendo toda a análise. A classificação precisa ser baseada em critérios técnicos, dados consistentes e avaliação adequada da composição do produto.

2. FDS desatualizada

Mudanças na formulação ou na legislação exigem revisão periódica do documento. Uma FDS desatualizada pode comprometer auditorias, transporte, armazenamento e atendimento a emergências.

3. Inconsistência entre FDS e rótulo

Informações divergentes geram risco e não conformidade. A classificação, a rotulagem e a FDS precisam comunicar os mesmos perigos de forma clara e tecnicamente alinhada.

4. Ignorar classificação de misturas

Misturas químicas exigem critérios específicos que muitas empresas não aplicam corretamente. Esse erro pode levar à subavaliação de perigos relevantes.

5. Uso incorreto de pictogramas

A aplicação inadequada prejudica a comunicação de perigo. Em embalagens menores, por exemplo, é preciso observar regras específicas. A rotulagem de embalagens reduzidas exige atenção técnica para manter conformidade e clareza na comunicação de risco.

Benefícios de aplicar corretamente a classificação GHS no Brasil

A correta aplicação da classificação GHS no Brasil traz vantagens operacionais e estratégicas para empresas que lidam com produtos químicos.

  • redução de acidentes de trabalho;
  • maior segurança jurídica;
  • conformidade com normas e auditorias;
  • facilidade em exportações pela padronização internacional;
  • melhoria da organização interna;
  • redução de custos com penalidades;
  • mais previsibilidade em operações de transporte e armazenamento.

Além disso, empresas que seguem corretamente o GHS ganham mais credibilidade no mercado, principalmente em cadeias industriais que exigem documentação técnica robusta.

Classificação GHS e transporte de produtos perigosos

A classificação correta também influencia o transporte de produtos perigosos. A identificação do produto, os elementos de comunicação de perigo, a documentação técnica e o acondicionamento precisam estar coerentes com a natureza da substância ou mistura.

Falhas nesse processo podem gerar riscos operacionais, ambientais e legais. Um exemplo prático está no conteúdo da Intertox sobre uso inadequado de embalagens no transporte de produtos perigosos, que mostra como erros de acondicionamento e rastreabilidade podem comprometer a segurança da operação.

Em operações com impacto ambiental, também é importante observar orientações do Ibama sobre produtos perigosos para transporte.

Perguntas frequentes sobre classificação GHS no Brasil

A classificação GHS é obrigatória no Brasil?

Sim. A classificação GHS no Brasil é obrigatória para produtos químicos perigosos, conforme NR-26 e ABNT NBR 14725.

Quem deve fazer a classificação GHS?

Fabricantes, importadores e empresas que comercializam produtos químicos são responsáveis pela classificação adequada dos produtos.

Misturas químicas precisam ser classificadas?

Sim. Misturas devem ser avaliadas com base em critérios específicos do GHS, considerando composição, concentração dos componentes e dados disponíveis.

Com que frequência a FDS deve ser atualizada?

Sempre que houver mudança na composição, nos dados de segurança, na classificação de perigos ou na legislação aplicável.

Posso usar classificação de outro país?

Não diretamente. É necessário validar a classificação conforme os critérios adotados no Brasil e conforme a norma técnica vigente.

Resumo prático sobre classificação GHS no Brasil

A classificação GHS no Brasil é um processo técnico que define como os perigos de produtos químicos são identificados e comunicados.

Ela envolve análise de dados, categorização de riscos, elaboração de FDS e rotulagem adequada, sempre conforme a ABNT NBR 14725.

Empresas que não aplicam corretamente esse processo ficam expostas a riscos operacionais, legais e financeiros.

Já aquelas que estruturam corretamente a classificação operam com mais segurança, previsibilidade e conformidade regulatória.

Fale com especialistas em classificação GHS

Se sua empresa precisa implementar ou revisar a classificação GHS no Brasil, contar com suporte técnico especializado faz diferença na qualidade e na segurança do processo.

A Intertox atua com classificação de produtos químicos, elaboração de Ficha com Dados de Segurança, adequação à ABNT NBR 14725 e suporte regulatório completo.

Fale com um especialista e entenda como estruturar a classificação GHS da sua empresa com precisão técnica e conformidade total.

FISPQ x FDS: o que muda e como adequar sua empresa à ABNT NBR 14725

A transição da FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos) para a FDS (Ficha com Dados de Segurança) vai muito além de uma simples mudança de nomenclatura. Trata-se de uma atualização normativa relevante, com impactos diretos na conformidade legal, na gestão de riscos e nas operações das empresas. 

Muitas organizações ainda operam com documentos desatualizados, ignorando as exigências da ABNT NBR 14725, o que pode gerar riscos regulatórios, dificuldades logísticas e até penalidades em auditorias.

Além disso, com a crescente exigência por padronização global alinhada ao GHS (Sistema Globalmente Harmonizado), manter documentos atualizados deixou de ser diferencial e passou a ser obrigação operacional.

Neste artigo, você vai entender de forma prática como realizar a revisão da FISPQ para FDS, quais são os impactos dessa atualização e o que fazer se sua empresa ainda não está em conformidade.

O que é revisão da FISPQ para FDS?

A revisão da FISPQ para FDS é o processo técnico de atualização das Fichas de Informações de Segurança de Produtos Químicos para o novo modelo de Ficha com Dados de Segurança, conforme estabelecido pela ABNT NBR 14725, em alinhamento ao GHS (Sistema Globalmente Harmonizado)

Mais do que uma simples conversão de documento, essa revisão envolve uma reavaliação completa das informações de segurança do produto, garantindo que estejam consistentes com os critérios atuais de classificação e comunicação de perigos. 

Na prática, o processo inclui:

  • Reclassificação do produto químico, com base nos critérios atualizados do GHS
  • Revisão e atualização das frases de perigo (H) e precaução (P)
  • Validação das informações toxicológicas, ambientais e de exposição
  • Adequação das 16 seções obrigatórias, conforme a estrutura normativa vigente
  • Padronização da linguagem técnica, garantindo clareza e consistência internacional

Contexto e importância da atualização para FDS

A ABNT NBR 14725, que trata da classificação, rotulagem e comunicação de perigos de produtos químicos, passou por revisões relevantes para alinhamento ao GHS.

No Brasil, essa norma é referência obrigatória para fabricantes, importadores e distribuidores de produtos químicos. Sua não conformidade pode resultar em autuações por órgãos como:

  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária
  • Ministério do Trabalho e Emprego
  • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

Além disso, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que o setor químico brasileiro movimenta bilhões anualmente, aumentando a necessidade de controle e padronização das informações de segurança.

Empresas que não realizam a revisão da FISPQ para FDS enfrentam riscos como:

  • inconsistência em auditorias
  • dificuldades em exportação
  • falhas na comunicação de perigos
  • responsabilização civil em acidentes

Como funciona na prática a revisão da FISPQ para FDS

A revisão da FISPQ para FDS segue um processo técnico estruturado. Veja as principais etapas:

1. Levantamento das fichas existentes

Identificação de todas as FISPQs utilizadas pela empresa, incluindo versões antigas e documentos incompletos.

2. Verificação da conformidade normativa

Análise comparativa com os requisitos atualizados da ABNT NBR 14725.

3. Reclassificação de perigos

Aplicação dos critérios do GHS para:

  • perigos físicos
  • perigos à saúde
  • perigos ao meio ambiente

4. Atualização das seções da FDS

  1. Verificar se os documentos atendem às 16 seções obrigatórias com conteúdo adequado.

5. Revisão de linguagem e terminologia

Padronização conforme o GHS, incluindo:

  • frases H 
  • frases P pictogramas

6. Validação técnica

Realizar a revisão com especialista garante rapidez, consistência e conformidade.

Aspectos técnicos da NBR 14725 que impactam a atualização

Atualização contínua

Sempre que houver nova informação toxicológica, mudança na formulação ou atualização regulatória, a FDS deve ser revisada para garantir a conformidade e a precisão das informações de segurança. 

Responsabilidade legal

O fabricante ou importador é responsável pelas informações contidas na FDS.

Principais erros relacionados à revisão da FISPQ para FDS

1. Apenas trocar o nome do documento

Muitas empresas acreditam que mudar “FISPQ” para “FDS” resolve o problema, sem atualizar o conteúdo técnico.

2. Ignorar a reclassificação GHS

Manter classificações antigas pode gerar inconsistências técnicas.

3. Não revisar todas as seções

A atualização deve abranger as 16 seções obrigatórias.

4. Utilizar modelos genéricos

Copiar fichas prontas sem validação técnica compromete a segurança.

5. Não atualizar periodicamente

A norma exige revisão contínua conforme novas informações.

Benefícios de realizar a revisão corretamente

A revisão da FISPQ para FDS traz ganhos operacionais e estratégicos relevantes:

  • Redução de riscos legais e multas
  • Maior segurança para colaboradores
  • Facilidade em auditorias e certificações
  • Adequação para exportação
  • Melhoria na gestão de riscos químicos
  • Fortalecimento da credibilidade da empresa

Além disso, empresas que seguem a norma conseguem integrar melhor seus processos com cadeias globais de fornecimento.

Perguntas frequentes sobre revisão da FISPQ para FDS

A FISPQ ainda pode ser utilizada?

Não. O termo FISPQ foi substituído por FDS conforme a atualização da ABNT NBR 14725, sendo este o formato atualmente exigido para a comunicação de perigos de produtos químicos. 

Todas as empresas precisam atualizar?

Sim, qualquer empresa que fabrica, importa ou comercializa produtos químicos deve realizar a revisão da FISPQ para FDS.

Existe prazo para atualização?

A adequação deve ser realizada de forma imediata após atualizações normativas ou sempre que houver mudanças relevantes no produto, como alterações de composição ou novas informações de segurança.

Quem pode elaborar uma FDS?

A elaboração deve ser feita por profissionais qualificados, com conhecimento técnico em química e em regulamentação, assegurando a correta classificação de perigos e a consistência das informações.

A FDS precisa ser revisada com frequência?

Sim. A FDS deve ser revisada sempre que houver novas informações toxicológicas, mudanças na formulação ou atualizações regulatórias. 

Direcionamento prático para empresas que estão desatualizadas

Se sua empresa ainda não realizou a revisão da FISPQ para FDS, o caminho mais eficiente envolve:

  • auditoria interna dos documentos existentes
  • priorização de produtos com maior risco
  • contratação de especialistas
  • implementação de rotina de atualização

A adaptação não deve ser tratada como tarefa pontual, mas como parte da governança regulatória.

Precisa atualizar suas FDS? Saiba como agir com segurança

A adequação à NBR 14725 exige conhecimento técnico, atualização constante e domínio das exigências regulatórias nacionais e internacionais.

A Intertox atua com elaboração, revisão e atualização de FDS, garantindo conformidade com o GHS e a legislação brasileira. Além disso, oferece suporte completo em classificação de perigos, rotulagem e gestão de risco químico.

Se sua empresa precisa realizar a revisão da FISPQ para FDS, contar com especialistas reduz riscos, evita retrabalho e acelera a conformidade.

Acesse o site da Intertox e conheça as soluções disponíveis para manter sua operação segura e alinhada às exigências atuais.

40 anos de Chernobyl: o legado da segurança que não pode ser negligenciada

Em 26 de abril de 1986, o mundo testemunhou um dos maiores desastres da história: a explosão do reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, na cidade de Pripiate, no norte da Ucrânia Soviética. Quatro décadas depois, o acidente continua sendo um marco global sobre os riscos da negligência em segurança, falhas de comunicação e deficiência na gestão de riscos.

Esse episódio catastrófico não foi resultado de um único erro, mas da combinação de diversos fatores técnicos, operacionais e organizacionais. Testes conduzidos sem o devido controle, falhas no projeto do reator e uma cultura institucional que desencorajava questionamentos criaram um cenário propício à catástrofe. A liberação de material radioativo afetou milhares de pessoas, provocou impactos ambientais duradouros e redefiniu protocolos internacionais de segurança nuclear.

Cultura de segurança: lições que ultrapassam o setor nuclear

Embora Chernobyl esteja associado à energia nuclear, suas lições são universais e aplicáveis a qualquer atividade que envolva substâncias perigosas ou processos industriais críticos.

Entre os principais aprendizados, destacam-se:

  • A importância da avaliação e gestão contínua de riscos;
  • A necessidade de transparência e comunicação clara;
  • O papel essencial de treinamentos técnicos e cultura de segurança;
  • A responsabilidade das organizações na atualização constante de seus sistemas de controle.

No âmbito da segurança química e regulatória, esses princípios se traduzem em práticas como classificação adequada de produtos, elaboração de FDS consistentes, rotulagem correta, capacitação de equipes e conformidade com normas nacionais e internacionais.

Segurança não é custo … é compromisso

Grandes desastres industriais raramente são causados por um único fator isolado. Eles geralmente são precedidos por pequenas falhas negligenciadas, decisões tomadas sob pressão e falta de uma cultura preventiva robusta.

Quarenta anos depois de Chernobyl, a principal mensagem que permanece é clara: segurança deve ser proativa, não reativa. Investir em gestão de risco, conformidade regulatória e educação técnica é uma decisão estratégica que protege as pessoas, o meio ambiente e a própria sustentabilidade do negócio.

A Intertox reforça seu compromisso em apoiar empresas na construção de ambientes mais seguros, por meio de consultoria técnica especializada, elaboração de documentos de segurança, treinamentos e suporte regulatório.

CETESB define prazo oficial para adoção da ABNT NBR 10004:2024 na classificação de resíduos

A CETESB publicou a Decisão de Diretoria nº 078/2025/I/C, de 17 de novembro de 2025, estabelecendo oficialmente o período de transição para implantação da nova ABNT NBR 10004:2024, que revisou profundamente o processo de classificação de resíduos sólidos no Brasil.

A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOE-SP) e pode ser consultada diretamente na edição digital do Diário Oficial.

De acordo com a decisão:

  • a ABNT NBR 10004:2004 poderá continuar sendo utilizada até 31 de dezembro de 2026;
  • a partir de 1º de janeiro de 2027, a CETESB passará a adotar a ABNT NBR 10004:2024 para os processos de classificação de resíduos no estado.

Portanto, essa definição é particularmente relevante porque normas técnicas da ABNT não possuem obrigatoriedade legal por si só. Na prática, elas passam a ter força regulatória quando são adotadas por órgãos ambientais ou incorporadas em processos de licenciamento, como ocorre agora no Estado de São Paulo.

O que muda com a nova ABNT NBR 10004:2024

A nova edição da norma trouxe mudanças estruturais importantes no processo de classificação de resíduos, tornando o método mais alinhado a práticas internacionais.

Entre as principais mudanças, destacam-se:

1️⃣ Nova estrutura da norma

Agora, a norma passa a ser dividida em duas partes:

  • ABNT NBR 10004-1:2024 — Requisitos de classificação
  • ABNT NBR 10004-2:2024 — Sistema Geral de Classificação de Resíduos (SGCR)

Essa nova estrutura tem como objetivo, segregar os critérios de classificação na Parte 1, que não objetiva-se sua atualização frequente, e os anexos e sistemas necessários para a efetivação da classificação na Parte 2, sendo esses por vezes dinâmicos e necessitando, portanto, de atualização frequente, sendo de sugestão da própria ABNT a sugestão a cada 02 anos.

2️⃣ Redirecionamento das classes de resíduos

A classificação passou a considerar apenas duas categorias:

  • Classe 1 — resíduos perigosos
  • Classe 2 — resíduos não perigosos

A antiga subdivisão Classe II A (não inerte) e Classe II B (inerte) foi eliminada, reforçando que o objetivo da norma é avaliar periculosidade, e não mais a destinação final com possível direcionamento para aterros.

3️⃣ Criação da Lista Geral de Resíduos (LGR)

A norma também introduziu uma Lista Geral de Resíduos, na qual cada resíduo recebe um código de oito dígitos, permitindo maior padronização em sua identificação.

Dependendo do enquadramento na lista, o resíduo pode ser:

  • entrada única perigosa
  • entrada única não perigosa
  • entrada-espelho, quando a classificação depende da composição e características do resíduo.

4️⃣ Avaliação estruturada da periculosidade

A classificação agora segue um fluxo estruturado que considera diferentes etapas de avaliação, incluindo:

  • presença de poluentes orgânicos persistentes (POP);
  • propriedades físico-químicas ou patogênicas;
  • avaliação de toxicidade das substâncias presentes no resíduo.

5️⃣ Integração com o sistema GHS

Por fim, uma das novidades mais relevantes da revisão é a incorporação do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS) para avaliação da toxicidade.

Isso significa que a identificação de perigos pode considerar classes toxicológicas como:

  • toxicidade aguda
  • carcinogenicidade
  • mutagenicidade
  • toxicidade reprodutiva
  • toxicidade para órgãos-alvo específicos (STOT)
  • toxicidade por aspiração
  • ecotoxicidade

Como encontrar a decisão no Diário Oficial

A decisão pode ser localizada no Diário Oficial do Estado de São Paulo utilizando o identificador digital do documento.

No portal do DOE, é possível pesquisar pelo DOI da publicação:

2025.12.04.1.1.33.16.199.1509040

Esse código garante a autenticidade do documento publicado digitalmente.

Também é possível acessar diretamente a publicação no portal do Diário Oficial pelo link: https://doe.sp.gov.br/executivo/secretaria-de-meio-ambiente-infraestrutura-e-logistica/decisao-de-diretoria-n-078-2025-i-c-de-17-de-novembro-de-2025-202512041133161991509040

Capacitação técnica sobre a nova NBR 10004

A implementação da nova metodologia traz desafios importantes para geradores de resíduos, especialmente na identificação de perigos e aplicação dos critérios toxicológicos.

Com isso, para apoiar profissionais e empresas nesse processo, a Intertox oferece cursos especializados e atualizados com as novas exigências da norma:

🔹 Curso dedicada à classificação da NBR 10004 com 8h de duração: ABNT NBR 10.004:2024 – Classificação de Resíduos Sólidos e Laudo LCR
https://www.intertoxacademy.com.br/plataforma/user/ver_cursolivre.php?id=46

🔹 Curso completo com 16h de duração para classificação pela NBR 10.004 e Resolução ANTT, com elaboração das documentações – FDSR, rotulagem e Ficha de Emergências: Gerenciamento de Resíduos Sólidos – Classificação 10004:2024, FDSR, Rotulagem e Transporte (ANTT)
https://www.intertoxacademy.com.br/plataforma/user/ver_cursolivre.php?id=24

Vale destacar que a Intertox participou ativamente do processo de atualização da ABNT NBR 10004, como integrante do Comitê ABNT CEE-246, contribuindo especialmente nas discussões relacionadas à integração do GHS na classificação de resíduos.

Além disso, Fabriciano Pinheiro, diretor da Intertox, é representante do Brasil no Subcomitê de Especialistas da ONU responsável pela atualização do GHS, participando anualmente das reuniões técnicas realizadas em Genebra.

Essa atuação garante que os cursos oferecidos pela Intertox estejam alinhados às discussões técnicas internacionais e às atualizações regulatórias mais recentes.

HDV e Carcinogenicidade: Impacto da Nova Classificação da IARC considerando o GHS

A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) atualizou recentemente a classificação do Vírus da Hepatite D (HDV). Antes visto apenas como um agravante da Hepatite B, o HDV agora é oficialmente um Carcinógeno Humano Confirmado (Grupo 1).

Para empresas que manipulam agentes biológicos em laboratórios, centros de pesquisa ou indústrias, essa mudança indica a necessidade de uma atualização na comunicação de perigos conforme o GHS (Sistema Globalmente Harmonizado), para as empresas que usam este sistema para agentes biológicos.

1. O HDV sob a ótica do GHS

Embora o GHS não seja aplicável a agentes biológicos, em alguns casos estes agentes possuem informações que permitam o enquadramento nos critérios do GHS, permitindo que os perigo à saúde destes agentes também possam ser comunicados na forma do GHS.

A nova classificação do HDV pela IARC o enquadra, segundo o GHS, como:

  • Classe de Perigo: Carcinogenicidade.
  • Categoria de perigo: Categoria 1A (Carcinógeno humano conhecido ou presumido).

2. Elementos de Rotulagem e FDS (Ficha de Dados de Segurança)

A FDS não é um documento obrigatório para agentes biológicos e a rotulagem possui obrigações específicas não englobadas pela ABNT NBR 14725:2023.

Porém, como o HDV possui dados o suficiente para realizar uma classificação GHS, esta nova classificação gera, na seção 2 das Fichas de Dados de Segurança e nos rótulos de recipientes contendo o HDV, os seguintes elementos de rotulagem GHS:

  • Palavra de Advertência: PERIGO.
  • Pictograma de Perigo: Símbolo de “Perigo à Saúde”
  • Frases de Perigo (Frases H): H350 (Pode provocar câncer).
  • Frases de Precaução (Frases P): P201; P202; P280; P308 + P313; P405.

Comparativo: Vírus da Hepatite e Classificações de carcinogenicidade (GHS)

Agente BiológicoClassificação IARCCategoria de perigo GHSPalavra de AdvertênciaFrase de Perigo
HDV (Hepatite D)Grupo 1Cat. 1APERIGOH350
HBV (Hepatite B)Grupo 1Cat. 1APERIGOH350
HCV (Hepatite C)Grupo 1Cat. 1APERIGOH350
HAV (Hepatite A)Não ClassificadoN/AN/AN/A

Implicações Práticas:

A reclassificação do HDV para Carcinogênico 1A não é apenas burocrática; ela exige, para quem utiliza o GHS nos documentos e rotulagens, ações imediatas para gestão de riscos ocupacionais:

  1. Revisão do PGR: Atualizar o Programa de Gerenciamento de Riscos para incluir o risco carcinogênico do agente.
  2. Contenção Biológica: Reavaliar o Nível de Biossegurança necessário para manipulação.
  3. Monitoramento: Reforçar os protocolos de vigilância médica para colaboradores expostos.
  4. Treinamento: Informar a equipe sobre a nova classificação e a importância do uso rigoroso de EPIs e EPCs.
  5. Atualização da documentação de segurança: FDS e Rótulos

Sua empresa trabalha com agentes biológicos e utiliza o GHS?

A adequação ao GHS é fundamental para iniciar a gestão da segurança e da saúde dos trabalhadores. Se você precisa de apoio para atualizar suas FDS ou revisar a classificação de risco de seus processos, nossa consultoria está pronta para ajudar.