Atualização da Proposição 65 da Califórnia: OEHHA adiciona quatro novas substâncias à lista de carcinógenos

Em 17 de julho de 2026, o Escritório de Avaliação de Perigos à Saúde Ambiental da Califórnia (Office of Environmental Health Hazard Assessment – OEHHA) atualizou a lista da Proposição 65 com a inclusão de quatro novos agentes reconhecidos pelo Estado da Califórnia como causadores de câncer:
- Hidroclorotiazida;
- Voriconazol;
- Tacrolimo; e
- Fumos de soldagem.
A atualização pode impactar empresas que fabricam, importam, distribuem ou comercializam produtos no mercado californiano, bem como organizações cujos processos envolvam operações de soldagem ou outras atividades que possam resultar na exposição de trabalhadores ou consumidores às substâncias listadas.
Contexto regulatório
A Proposição 65, oficialmente denominada Safe Drinking Water and Toxic Enforcement Act of 1986, é uma das principais legislações estaduais dos Estados Unidos relacionadas à comunicação de perigos químicos. Administrada pelo OEHHA, a legislação determina a manutenção de uma lista de substâncias reconhecidas pelo Estado da Califórnia como causadoras de câncer, defeitos congênitos ou outros danos ao sistema reprodutivo. Essa lista é atualizada periodicamente à medida que novas evidências científicas e os mecanismos de listagem previstos na legislação são aplicados.
Uma substância pode ser adicionada à lista da Proposição 65 por diferentes mecanismos de listagem previstos na legislação. No caso da hidroclorotiazida, do voriconazol, do tacrolimo e dos fumos de soldagem, a inclusão ocorreu após o reconhecimento de sua carcinogenicidade pelo Estado da Califórnia, com base nas classificações da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (International Agency for Research on Cancer – IARC), conforme o processo de listagem conduzido pelo OEHHA.
É importante destacar que a inclusão de uma substância na Proposição 65 não representa sua proibição nem restringe automaticamente sua fabricação, importação ou comercialização. O principal efeito regulatório está relacionado à obrigação de fornecer advertências claras e razoáveis quando consumidores ou trabalhadores puderem ser expostos às substâncias listadas em níveis que excedam os limites estabelecidos pelo OEHHA.
Novas inclusões na lista
A hidroclorotiazida, o voriconazol e o tacrolimo foram adicionados à lista após a conclusão do processo administrativo conduzido pelo OEHHA, que incluiu a publicação de um aviso de intenção de listagem e um período de consulta pública. Como não foram apresentados comentários que justificassem alterações na proposta, a inclusão definitiva dessas substâncias tornou-se efetiva em 17 de julho de 2026.
Na mesma data, os fumos de soldagem também passaram a integrar a lista de carcinógenos da Proposição 65. Diferentemente das demais inclusões, os fumos de soldagem não correspondem a 1 (uma) única substância química, mas a uma mistura complexa gerada durante operações de soldagem, cuja composição varia conforme o processo empregado, os metais envolvidos e os consumíveis utilizados. Por essa razão, a avaliação da exposição depende diretamente das condições específicas de cada atividade ou processo industrial.
Impactos para as empresas
Embora a atualização não imponha restrições imediatas ao uso das substâncias incluídas, ela pode gerar obrigações regulatórias para empresas que comercializam produtos na Califórnia ou cujas atividades possam resultar na exposição de consumidores ou trabalhadores às substâncias recém-listadas.
Nesse contexto, recomenda-se avaliar a presença dessas substâncias em produtos, matérias-primas e processos produtivos, bem como revisar as informações fornecidas por fornecedores, os cenários de exposição e a documentação técnica associada aos produtos. Dependendo dos resultados dessa avaliação, poderá ser necessária a adoção das advertências previstas na Proposição 65, além da atualização de procedimentos internos e documentos de conformidade.
No caso específico dos fumos de soldagem, empresas que realizam atividades de fabricação, manutenção ou montagem envolvendo processos de soldagem também devem avaliar as exposições ocupacionais geradas durante essas operações e verificar se as medidas de controle existentes permanecem adequadas aos requisitos da legislação.
O acompanhamento contínuo das atualizações promovidas pelo OEHHA permite que as empresas antecipem possíveis impactos regulatórios, revisem suas estratégias de conformidade e adotem medidas fundamentadas antes que surjam exigências relacionadas ao atendimento da legislação.
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Para acessar os documentos oficiais relacionados a essa atualização, consulte as publicações disponibilizadas pelo OEHHA.
Referências
- Office of Environmental Health Hazard Assessment (OEHHA). Hydrochlorothiazide, Voriconazole and Tacrolimus Added to Proposition 65 List for Cancer. 17 jul. 2026.
- Office of Environmental Health Hazard Assessment (OEHHA). Welding Fumes Added to Proposition 65 List for Cancer. 17 jul. 2026.
- Office of Environmental Health Hazard Assessment (OEHHA). Proposition 65 List.
- Office of Environmental Health Hazard Assessment (OEHHA). Listing Notice – Hydrochlorothiazide, Voriconazole and Tacrolimus. Jul. 2026.
- Office of Environmental Health Hazard Assessment (OEHHA). Listing Notice – Welding Fumes. Jul. 2026.
ECHA convoca a primeira reunião da Plataforma Colaborativa sobre Alternativa aos Testes em Animais.
No último dia 17 de junho de 2026, a ECHA (European Chemicals Agency) promoveu a primeira reunião da Plataforma Colaborativa sobre Alternativa aos Teste Animais (do inglês Collaborative Platform on Alternatives to Animal Testing – CP-AAT).
O evento reuniu os países membros da ECHA, a Comissão Europeia, agências europeias, indústrias e parceiros público-privadas para definir prioridades e fortalecer cooperação no uso de alternativas aos testes em animais.
Por quê utilizar alternativas aos testes em animais?
A sociedade atual vem, nos últimos anos, reforçando a necessidade de reduzir o uso de animais em testes com produtos químicos, não só para a proteção da vida, mas também por redução de custos para as empresas.
Para alguns parâmetros, como corrosão/irritação da pele e dos olhos e mutagenicidade, já existem ensaios que não utilizam animais validados. Tanto os ensaios sendo preliminares quanto definitivos, in vitro ou ex vivo, já reduzem o uso de animais e, consequentemente, o custo para definir tal parâmetro.
Por outro lado, parâmetros como “toxicidade aguda”, “carcinogenicidade”, “toxicidade sistêmica” e “toxicidade reprodutiva” carecem de ensaios validados sem o uso de animais devido às suas complexidades e dependências de um sistema vivo para ocorrerem.
Quais métodos foram discutidos no evento?
Os 4 (quatro) métodos sem uso de animais que foram discutidos e serão priorizados para os 2 (dois) anos iniciais da plataforma são:
1) QSAR (Quantitative Structure-activity Relationship): softwares que comparam a estrutura de substâncias químicas novas com as já testadas e com efeitos conhecidos para estimar se a substância nova terá os mesmos efeitos utilizando algoritmos matemáticos.
Ação: promover o uso regulatório de métodos in silico, começando pela toxicidade oral aguda, demonstrando sua aplicação prática e estabelecendo critérios de desempenho claros para a avaliação de perigos.
2) Toxicocinética In vitro: a toxicocinética é o “caminho” utilizado pela substância no ser vivo. Existem ensaios in vitro para toxicocinética, porém cada uma dessas metodologias é focada em 1 (um) único parâmetro, não existindo metodologia que obtenha o resultado de todos os 4 (quatro) parâmetros (absorção, biotransformação, distribuição e eliminação).
Ação: desenvolver abordagens harmonizadas para o uso de dados toxicocinéticos in vitro e alinhar as expectativas científicas e regulatórias.
3) Tecnologias ômicas: tecnologias ômicas são o conjunto de técnicas que analisam, em larga escala, os componentes biológicos de células, tecidos ou organismos. Em vez de estudar um único gene ou proteína, as abordagens ômicas avaliam milhares de moléculas simultaneamente para compreender o funcionamento global de um sistema biológico. As principais tecnologias ômicas são: genômica, transcriptômica, proteômica, metabolômica, epigenômica e lipidômica.
Ação: apoiar o uso de tecnologias ômicas na identificação e no agrupamento de perigos, por meio de orientações e estudos de caso.
4) Novas metodologias de abordagem para materiais “nano” e avançados: Novas metodologias de abordagem (New approach methodologies – NAMs) para materiais “nano” e avançados são metodologias inovadoras utilizadas para avaliar a segurança, o comportamento biológico e os riscos de nanomateriais e materiais avançados por meio de abordagens mecanísticas, experimentais e computacionais, reduzindo a dependência de testes tradicionais em animais. Essas metodologias são adaptadas às características específicas desses materiais, como tamanho, forma, área superficial, revestimentos e propriedades funcionais complexas.
Ação: criar abordagens regulatórias para avaliar as propriedades específicas de nanomateriais e viabilizar sua inclusão em estratégias de testes que não utilizam animais.
Conclusão
A criação da Plataforma Colaborativa sobre Alternativas aos Testes em Animais demonstra que a substituição gradual dos ensaios tradicionais em animais deixou de ser apenas uma discussão científica e passou a ocupar uma posição estratégica na agenda regulatória europeia.
Mais do que substituir ensaios, o objetivo é construir abordagens integradas capazes de gerar informações mais rápidas, eficientes e relevantes para a proteção da saúde humana e do meio ambiente.
Para as empresas que atuam com registro e avaliação de substâncias químicas, acompanhar a evolução dessas metodologias será cada vez mais importante. As discussões e os resultados produzidos pela CP-AAT nos próximos anos poderão influenciar diretamente as expectativas regulatórias da ECHA e servir de referência para outras autoridades ao redor do mundo, consolidando uma nova fase na avaliação de segurança química.
Para acessar a origem da informação no ECHA, utilize o link.
Panamá abre consulta pública para iniciar a adoção do GHS
O Panamá abriu, no último dia 02 de junho de 2026, uma consulta pública contendo o projeto de lei RT DGNTI XXX:2026, que visa a oficialização da adoção do GHS no país.
A proposta indica que o Panamá adotará a 7ª edição revisada do GHS e o Comitê técnico (DGNTI-CT 7 – Tecnología e Ingeniería Química) terá a responsabilidade de revisar as informações GHS adotadas a cada 5 (cinco) anos ou quando houver alteração significativa do GHS.
A consulta pública fica disponível até 02/08/2026 e, uma vez aprovada, as autoridades competentes panamenhas têm um prazo de 2 (dois) anos a partir da vigência do novo regulamento para se adequar a ela.
As empresas que fabricam, importam e distribuem produtos químicos terão o prazo máximo de 3 (três) anos a partir da vigência do novo decreto para se adequarem a ele.
Para verificar o texto completo deste projeto de lei em consulta pública, clique aqui.
Para fazer contribuições, não só para este projeto, mas para todos os conteúdos disponíveis na consulta pública panamenha, navegue por este link.
Explosão em indústria química de Itupeva reforça importância das informações de segurança presentes nas FDS
Uma forte explosão ocorrida na madrugada de 20 de junho de 2026, em uma fábrica de produtos químicos situada em Itupeva (SP), gerou grande movimentação de equipes de resgate e chamou a atenção dos moradores da região. Apesar do grande impacto e da apreensão inicial, o incidente não resultou em feridos e nem em incêndio, segundo uma nota oficial divulgada pela Prefeitura de Itupeva.
Conforme detalhado no comunicado da prefeitura, o evento se deu durante uma reação química envolvendo peróxido de hidrogênio e óleo de soja. As apurações técnicas indicaram que concentrações acima do ideal no processo levaram a um excesso de pressão em um dos reatores da planta industrial. O equipamento, que é um tanque de aço inoxidável com sistemas de segurança, reagiu ao aumento da pressão abrindo sua válvula (ou tampa) de alívio, o que liberou os gases acumulados e causou a explosão presenciada.
Ainda de acordo com a prefeitura, a empresa opera com quatro reatores interligados. Após o ocorrido, dois deles foram imediatamente drenados e esvaziados. Um quarto reator continuou em funcionamento, pois não era possível interromper o processo de forma súbita, sendo programado para um esvaziamento controlado posteriormente. Durante todo o incidente, bombeiros estiveram no local orientando os responsáveis sobre os procedimentos de segurança e prevenção de incêndios. As autoridades confirmaram que a situação foi controlada sem riscos para a população local.
Embora as causas exatas do evento ainda precisem ser investigadas tecnicamente, o incidente sublinha a importância de identificar e comunicar corretamente os perigos e riscos associados a substâncias químicas e processos industriais. Nesse sentido, a Ficha com Dados de Segurança (FDS) desempenha um papel crucial na prevenção de acidentes e na resposta a emergências.
De acordo com a ABNT NBR 14725:2023, norma brasileira vigente que estabelece os critérios para classificação de perigos, rotulagem preventiva e elaboração de documentos de segurança, estabelece que, na seção 10 do documento (destinada às informações sobre estabilidade e reatividade) contenha informações sobre condições a serem evitadas, materiais incompatíveis, possibilidade de reações perigosas e produtos de decomposição. Em processos que utilizam oxidantes, como o peróxido de hidrogênio, o conhecimento prévio das materiais incompatíveis, condições que podem gerar reações exotérmicas, aumento de pressão ou liberação de gases é essencial para definir controles operacionais e medidas preventivas.
Na seção 5 do documento de segurança (que trata das medidas de combate a incêndio) oferece diretrizes cruciais para emergências. De acordo com normativa brasileira, a seção 5 necessita conter os meios de extinção adequados, os perigos específicos decorrentes da combustão ou decomposição dos produtos, os equipamentos de proteção necessários para as equipes de resposta e os procedimentos especiais de combate ao fogo. Essas informações auxiliam bombeiros e equipes de socorro a identificar e prevenir riscos adicionais, estabelecendo áreas de segurança e tomando medidas para impedir o agravamento de uma situação de risco.
Os acidentes com reações químicas mostram que a segurança de processos não depende somente da integridade dos equipamentos e de sistemas de proteção adequados, mas também do acesso a informações técnicas exatas e recentes. Assim, manter as documentações de seguranças completas, atualizadas e condizentes com os produtos e processos reais segue sendo um dos modos mais importantes de evitar acidentes em indústrias e garantir a segurança de empregados, equipes de emergência e comunidades vizinhas.
Para verificar a notícia original, acesse o link.
Metacrilato de metila: o que é, quais seus perigos e riscos
No contexto industrial, compreender as propriedades, perigos e classificações de substâncias químicas é essencial para a prevenção de acidentes e proteção à saúde e ao meio ambiente. O metacrilato de metila (MMA), amplamente utilizado na indústria, é um exemplo de produto que exige atenção especial devido às suas características perigosas e ao seu potencial de risco em situações de manuseio, armazenamento e transporte inadequados
O que é
O metacrilato de metila é uma substância orgânica, da classe ‘éster” e CAS 80-62-6, utilizado no meio industrial como matéria prima em sínteses, intermediário de reações e monômero de polímeros.
Possui a fórmula molecular:

Perigos e riscos
Segundo os critérios do GHS (ABNT NBR 14725:2023), é classificado como:
- Líquido inflamável – categoria 2 (H225 Líquido e vapores altamente inflamáveis)
- Toxicidade aguda – inalação – categoria 5 (H333 Pode ser nocivo se inalado)¹
- Corrosão/irritação à pele – categoria 2 (H315 Provoca irritação à pele)
- Sensibilização à pele – categoria 1 (H317 Pode provocar reações alérgicas na pele)
- Toxicidade para órgãos-alvo específicos – exposição única – categoria 3 (H335 Pode provocar irritação das vias respiratórias)
- Perigo para o ambiente aquático – agudo – categoria 3 (H402 Nocivo para os organismos aquáticos)
¹ Esta classe e categoria de perigo dependem do entendimento se a CL50 (inalação, ratos, vapores, 4h) = 29,8 mg/L se enquadra na nota (g) da tabela 16 da ABNT NBR 14725:2023

Segundo os critérios da regulamentação de transporte (Resolução nº 5.998, de 3 de novembro de 2022 e suas atualizações), o metacrilato de metila é classificado na Classe 3 (líquidos inflamáveis) e está listado individualmente como:
- Número ONU: UN 1247
- Nome apropriado para embarque: METACRILATO DE METILA MONÔMERO, ESTABILIZADO
- Classe de risco principal 3
- Grupo de embalagem II
Estas classificações de perigo (GHS) e risco (transporte) fazem com que sejam necessários cuidados durante seu manuseio e seu armazenamento, além de controles para prevenção de derramamento, tais como (não se limitando a):
- Durante o manuseio, em ambiente com risco de exposição, utilizar como EPI’s:
- Rosto/respiração: proteção adequada a spray e vapores orgânicos
- Olhos: óculos de segurança com proteção lateral
- Mãos: usar preferencialmente, luvas de borracha butílica ou de borracha nitrílica(mínimo de 0,3 mm de espessura, por no máximo 60 minutos consecutivos)
- Cuidados no armazenamento:
- Não permitir temperaturas superiores a 30 °C
- Proteger da luz solar e materiais oxidantes
Caso de vazamento e evacuação na Califórnia
No último dia 21 de maio de 2026, um tanque de uma fábrica de plásticos aeroespaciais contendo metacrilato de metila começou a vazar em Garden Grove, no condado de Orange, ao sudeste de Los Angeles, alertando as autoridades.
Vazamentos de líquidos inflamáveis geram risco de incêndio e explosão, por isso 40 mil pessoas foram evacuadas das áreas próximas.
Conclusão
Casos como o ocorrido na Califórnia reforçam a importância da correta classificação, identificação de perigos e adoção de medidas preventivas no gerenciamento de substâncias químicas. A aplicação rigorosa das normas, aliada à capacitação técnica e à cultura de segurança, é fundamental para mitigar riscos e evitar impactos à população, aos trabalhadores e ao meio ambiente. Segurança química não é apenas conformidade regulatória: é responsabilidade contínua.
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Notícia original: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/23/40-mil-pessoas-recebem-ordens-de-evacuacao-por-vazamento-em-tanque-quimico-na-california.ghtml