Segurança química em universidades: desafios e gestão eficiente
A segurança química em universidades é um tema cada vez mais relevante, especialmente quando consideramos a complexidade inerente aos ambientes acadêmicos.
Instituições de ensino e pesquisa reúnem múltiplos laboratórios, diferentes áreas de atuação e rotinas bastante específicas. Além disso, há uma dinâmica intensa de uso de insumos laboratoriais, compartilhamento de materiais entre equipes e uma rotatividade constante de alunos e pesquisadores, características próprias e essenciais ao ambiente universitário.
Nesse contexto, a gestão de produtos, incluindo substâncias químicas e materiais biológicos, com controle adequado, rastreabilidade e boas práticas de armazenamento e uso, torna-se um desafio operacional relevante.
Mais do que uma boa prática, a segurança desses materiais deve ser tratada como uma responsabilidade institucional. Universidades, assim como qualquer organização que manipula produtos químicos e biológicos, precisam garantir condições adequadas de armazenamento, identificação de perigos, comunicação de riscos e preparo para situações de emergência, em conformidade com normas técnicas e requisitos aplicáveis.
Quando a complexidade se torna evidente
Um exemplo recente que ajuda a ilustrar a complexidade desse cenário é o caso investigado pela Polícia Federal envolvendo o furto de material biológico em um laboratório da Universidade Estadual de Campinas.
De acordo com as informações divulgadas, os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, por crimes como furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado, o que reforça a necessidade de controles rigorosos sobre materiais sensíveis.
Mais do que os desdobramentos jurídicos, situações como essa evidenciam como a gestão de materiais sensíveis exige atenção contínua, especialmente em ambientes com múltiplos acessos, diferentes responsáveis e fluxos constantes de insumos.
Quando ampliamos esse olhar para a segurança química em laboratórios, o desafio ganha ainda mais dimensão. Mais do que conhecer os produtos presentes em cada laboratório, é necessário garantir consistência na aplicação das práticas de segurança, visibilidade sobre os materiais e integração das informações entre diferentes áreas.
Esse nível de organização torna-se ainda mais evidente quando se consideram substâncias sujeitas a controles específicos por diferentes órgãos reguladores, que demandam rastreabilidade mais rigorosa, registros consistentes e controle de acesso. Esses requisitos ajudam a ilustrar boas práticas aplicáveis à gestão de produtos químicos de forma geral.
Caminhos para fortalecer a segurança química
Diante desse cenário, algumas frentes práticas podem contribuir para o fortalecimento da segurança química em ambientes universitários:
- Padronização de procedimentos: definição de critérios comuns para armazenamento, rotulagem, inventário e descarte de produtos entre diferentes laboratórios;
- Inventário centralizado e atualizado: utilização de sistemas (ou bases consolidadas) que permitam visualizar, em tempo real ou periódico, os produtos existentes, suas quantidades e localizações;
- Gestão de acesso e responsabilidades: definição clara de responsáveis por laboratório e por substâncias, com controle sobre quem pode acessar, manipular ou movimentar determinados materiais;
- Disponibilização e atualização de FDSs: garantia de que as informações de segurança estejam acessíveis e atualizadas para todos os usuários;
- Capacitação contínua: treinamentos periódicos sobre boas práticas de segurança química, incluindo armazenamento, manuseio e resposta a emergências;
- Rotinas de verificação: auditorias internas, inspeções periódicas e conferência de inventário para identificar inconsistências ou oportunidades de melhoria;
- Integração entre áreas: maior alinhamento entre laboratórios, áreas administrativas e responsáveis técnicos, favorecendo a troca de informações e a consistência dos processos.
Mais do que atender a requisitos normativos, a segurança química está diretamente relacionada à proteção das pessoas, das instalações e das próprias atividades de pesquisa.
A gestão de produtos em ambientes acadêmicos deve ser encarada como um processo contínuo, que evolui junto com a complexidade das atividades de ensino e pesquisa.
A Intertox
Diante desses desafios, contar com apoio técnico especializado pode ser um diferencial importante. A Intertox atua na estruturação de sistemas de gestão, avaliação de riscos e implementação de boas práticas, apoiando instituições na construção de ambientes mais seguros e em conformidade com os requisitos aplicáveis.
Misturar produtos perigosos com alimentos: entenda os riscos
Legislação aplicável ao transporte rodoviário de produtos perigosos no Brasil
O transporte rodoviário de produtos classificados como perigosos no Brasil é uma atividade altamente regulada, com normas que visam proteger a saúde pública, a segurança dos trabalhadores e o meio ambiente. A principal base regulatória é a Resolução ANTT nº 5.998/2022 (e suas subsequentes atualizações) que modifica o Regulamento para o Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, substituindo normas anteriores, como a Resolução nº 5.947/2021. Essa regulamentação foi estruturada em conformidade com recomendações internacionais originadas pelo Comitê de Peritos no Transporte de Produtos Perigosos das Nações Unidas, publicadas no Regulamento Modelo, conhecido como “Orange Book”, e busca harmonizar padrões técnicos e operacionais no transporte terrestre de cargas perigosas em todo o país.
O que a legislação exige
A legislação estabelece uma série de requisitos obrigatórios para quem transporta substâncias perigosas:
- Classificação e documentação: todo produto transportado deve ser devidamente classificado conforme sua classe de risco, sendo atribuído o número ONU que melhor representa o produto e seu risco associado. Além disso, a carga deve estar acompanhada do Documento de Transporte de Produtos Perigosos, contendo a sequência obrigatória de informações exigidas pela regulamentação aplicável.
- Veículos e equipamentos adequados: somente podem ser utilizados veículos de carga, misto ou especial adequados, e, quando utilizados veículos mistos ou especiais, os produtos perigosos devem ser transportados em compartimentos físicos e estanques, segregados dos ocupantes da cabine.
- Certificação e inspeção: veículos que transportam produtos perigosos a granel devem possuir certificados emitidos por organismos acreditados pelo Inmetro, tais como o Certificado de Inspeção Veicular (CIV) e o Certificado de Inspeção para o Transporte de Produtos Perigosos (CIPP).
- Treinamento de motoristas: os condutores devem possuir curso específico de treinamento para movimentação de produtos perigosos, conforme regulamentação da ANTT, garantindo preparo para operar com segurança e responder a emergências.
- Sinalização e equipamentos: os veículos devem portar a sinalização visível exigida (placas de risco, painéis de segurança, outros aplicáveis) e dispor de kit de emergência para situações de vazamento, acidentes ou outras ocorrências durante o transporte.
Esses requisitos não são meras formalidades: eles representam condições mínimas de segurança, alinhadas com padrões internacionais e garantem que riscos inerentes ao transporte de substâncias perigosas sejam identificados e mitigados ao longo de toda a cadeia logística.
Proibição de transporte misto e principais consequências
Uma das prescrições mais importantes da regulamentação é a proibição do transporte simultâneo de produtos perigosos com mercadorias destinadas ao uso ou consumo humano ou animal, como alimentos, medicamentos, cosméticos ou insumos alimentícios. Essa regra existe para evitar qualquer possibilidade de contaminação cruzada ou exposição a substâncias que possam causar danos à saúde pública ou ao meio ambiente.
Além dessa vedação expressa, a legislação também proíbe o transporte conjunto de produtos perigosos incompatíveis entre si, ou seja, substâncias que possam reagir quimicamente em caso de contato, liberando calor, gases tóxicos, inflamáveis ou provocando explosões.
Nesse ponto, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) complementa o arcabouço regulatório por meio da ABNT NBR 14619, norma técnica que estabelece critérios para identificação e avaliação de incompatibilidade química no transporte terrestre de produtos perigosos.
A NBR 14619 fornece orientações técnicas e tabelas de segregação que permitem analisar previamente:
- substâncias que não podem compartilhar o mesmo compartimento de carga;
- riscos de reação entre classes distintas (como oxidantes e materiais orgânicos, ácidos e bases fortes, entre outros);
- medidas de separação e isolamento necessárias para evitar reações perigosas em situações normais de transporte ou em cenários acidentais.
O não cumprimento dessas proibições pode resultar em uma série de consequências administrativas, civis e até criminais:
- Multas pesadas: a ANTT pode aplicar multas que variam conforme a gravidade da infração, inclusive com penalidades previstas no regulamento, atingindo valores significativos para empresas infratoras.
- Apreensão ou retenção da carga e do veículo: veículos podem ser impedidos de continuar a viagem, com a carga sendo transferida ou armazenada até que as irregularidades sejam sanadas.
- Suspensão de operações: empresas recorrentes ou negligentes podem ter sua autorização de transporte suspensa, afetando sua reputação e capacidade de operar no setor.
- Responsabilização criminal: em casos que colocam em risco a vida humana ou resultam em danos ambientais significativos, há a possibilidade de responsabilização dos gestores e responsáveis técnicos sob a legislação penal ambiental.
Casos recentes: transporte de carga perigosa misturado com alimentos
Em fevereiro de 2026, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou duas ocorrências na BR-282, em Campos Novos (SC), nas quais foram flagrados caminhões transportando alimentos misturados com produtos perigosos, o que configura infração clara às normas vigentes. Em uma das abordagens, foram encontrados alimentos armazenados junto com soda cáustica e inseticidas sem qualquer tipo de segregação ou isolamento seguro, expondo a carga e o transporte a riscos de contaminação e acidentes. Em menos de uma semana, a mesma transportadora foi flagrada em reincidência, transportando novamente cargas mistas perigosas, o que potencializa ainda mais as sanções aplicáveis.
Confira as matérias completas aqui:
- https://www.gov.br/prf/pt-br/noticias/estaduais/santa-catarina/2026/fevereiro/prf-flagra-transporte-de-alimentos-misturados-com-produtos-perigosos-na-br-282-em-campos-novos
- https://www.gov.br/prf/pt-br/noticias/estaduais/santa-catarina/2026/fevereiro/mais-uma-vez-empresa-e-flagrada-novamente-pela-prf-transportando-alimentos-misturados-com-produtos-perigosos-na-br-282-em-campos-novos
Esses episódios não apenas ilustram falhas operacionais graves, mas também reforçam a necessidade de planejamento adequado da logística, segregação das cargas e adesão estrita à legislação, a fim de evitar prejuízos econômicos e riscos à saúde e segurança das pessoas envolvidas e da população final consumidora.
Nosso compromisso com a conformidade
Na Intertox, entendemos que a conformidade normativa não é apenas uma obrigação legal, mas uma ferramenta essencial de gestão de risco e de reputação corporativa. A complexidade crescente da legislação que rege o transporte de produtos perigosos exige acompanhamento técnico especializado, monitoramento contínuo e práticas robustas de segregação e de controle de cargas incompatíveis.
Oferecemos suporte especializado para diagnósticos de risco, revisão de processos logísticos, capacitação de equipes e adequação documental, ajudando sua operação a atender plenamente às exigências da ANTT e demais órgãos reguladores. Ao priorizar a segurança e a conformidade, sua empresa não apenas reduz riscos de penalidades, mas também eleva seus padrões de excelência no mercado.
Acidente com carga tóxica no Piauí reforça importância da classificação no transporte de produtos perigosos
Um grave acidente envolvendo o transporte de produtos químicos ocorreu recentemente no município de Bertolínia, no Piauí, quando um caminhão carregado com galões de defensivo agrícola tombou nas proximidades de um balneário local e caiu em um riacho da região.
Com o impacto do acidente, parte da carga se rompeu e o produto químico vazou diretamente para a água.
Após o vazamento, imediatamente foram observadas mortes de peixes e um odor muito forte, o que levou autoridades ambientais e equipes de emergência a interditarem o local. A população foi orientada a não utilizar a água para banho, pesca ou consumo, enquanto são realizadas as análises para avaliar a extensão da contaminação.
Produto não foi divulgado, mas rótulos indicam substância perigosa
Até o momento, não foi informado oficialmente qual defensivo agrícola estava sendo transportado. No entanto, imagens divulgadas do caminhão após o acidente mostram claramente os rótulos de risco utilizados no transporte de produtos perigosos.

Entre os rótulos visíveis estão:
- Símbolo ‘caveira e ossos cruzados’ – Subclasse 6.1 – Substâncias tóxicas
- Símbolo ‘peixe e árvore’ – Poluente marinho
Essas sinalizações fazem parte do sistema internacional de identificação de perigos utilizado no transporte de produtos químicos.
Perigo ambiental explica morte de peixes
A classificação de transporte “Poluente marinho” é utilizada para substâncias que podem causar efeitos adversos para o ambiente aquático (organismos aquáticos que vivam na água, bem como o ecossistema aquático do qual fazem parte).
Quando ocorre um derramamento em corpos d’água, como no caso do riacho atingido pelo acidente, mesmo pequenas quantidades podem causar toxicidade para peixes, crustáceos e/ou outros organismos aquáticos.
Esse tipo de perigo é comum em diversos defensivos agrícolas, que muitas vezes possuem formulações altamente tóxicas para organismos aquático e sua maioria são vendidos concentrados para uso em diluição.
A importância da classificação correta para transporte de produtos perigosos
A classificação de produtos perigosos para transporte é um dos pilares da gestão de segurança química. Ela define como uma substância deve ser identificada, rotulada, embalada e transportada.
Esse processo permite:
- identificar os perigos físicos, toxicológicos e ambientais de um produto;
- aplicar rótulos de risco adequados no veículo e nas embalagens;
- garantir que a carga seja transportada conforme as exigências regulatórias;
- fornecer informações críticas para resposta a emergências.
Em situações como acidentes rodoviários, essas informações são essenciais para que equipes de resgate, autoridades ambientais e defesa civil compreendam rapidamente os riscos envolvidos e adotem medidas adequadas para conter os impactos.
Gestão química é essencial para reduzir riscos no transporte
Acidentes envolvendo produtos químicos podem gerar impactos ambientais significativos, principalmente quando há contaminação de rios, lagos ou áreas de uso público.
Por isso, empresas que fabricam, comercializam ou transportam produtos químicos precisam garantir que seus produtos estejam corretamente classificados para transporte, conforme regulamentações nacionais e internacionais.
A correta classificação permite identificar perigos como toxicidade (Subclasse 6.1) e perigo ao meio ambiente, contribuindo para uma gestão de riscos mais eficiente e para a proteção da saúde humana e do meio ambiente.
Como a consultoria em gestão química pode ajudar
Empresas que lidam com produtos químicos precisam atender a diversas exigências regulatórias relacionadas à classificação de perigos, rotulagem e transporte de cargas perigosas.
Uma consultoria especializada pode apoiar em atividades como:
- classificação de produtos perigosos para transporte (ANTT / IMDG / IATA)
- elaboração e revisão de Fichas com Dados de Segurança (FDS)
- avaliação de perigos ambientais e toxicológicos
- adequação de rotulagem e comunicação de perigos
- suporte regulatório para transporte e comercialização de produtos químicos
Além de garantir conformidade regulatória, essas medidas contribuem para reduzir riscos operacionais e ambientais ao longo de toda a cadeia logística.
Prazo para reporte à COMDEC 2026 está acabando: sua empresa já enviou o fluxo de produtos perigosos?
O tempo está correndo para as empresas que expedem produtos perigosos com circulação no município de São Paulo.
Entre 1º de janeiro e 31 de março, é obrigatório realizar o reporte anual de fluxo à COMDEC, conforme previsto no Decreto nº 50.446/2009. Com o prazo deste ano se aproximando do fim, deixar para a última hora pode aumentar significativamente o risco de inconsistências e penalidades.
O não cumprimento pode gerar multas, retenção de cargas e registro como infratora no município.
O que é o reporte de rotas à COMDEC?
O reporte consiste na comunicação obrigatória do fluxo de produtos perigosos transportados no município de São Paulo durante o ano anterior.
Devem ser informados dados como:
- Quantidades transportadas
- Classes de risco
- Rotas utilizadas
Essas informações permitem que a Defesa Civil:
- Monitore o tráfego de cargas perigosas
- Planeje ações de emergência
- Avalie riscos no território
- Aprimore a resposta a acidentes
O envio deve ser realizado por meio de formulários específicos que devem conter, no mínimo:
1. Fluxo de todos os produtos perigosos contidos no ano anterior;
2. Nome e classificação dos produtos transportados;
3. Volume anual de produtos transportados;
4. Esquemas de atendimento de emergência relacionando os recursos humanos, materiais disponíveis e o sistema de acionamento.
Base legal da exigência
A obrigação está prevista no:
Artigo 19, Capítulo X, do Decreto nº 50.446, de 20 de setembro de 2009
A norma determina que todas as empresas expedidoras de produtos perigosos que transitam no município de São Paulo devem reportar anualmente o fluxo à COMDEC.
🎥 Webinar Intertox + COMDEC
Para apoiar o setor, a Intertox realizou um Webinar em parceria com a Coordenação da Defesa Civil, esclarecendo pontos críticos do reporte, erros comuns e expectativas do órgão. Para assistir, clique aqui.
👉 O material reforça a importância de:
- enviar dados completos e consistentes
- respeitar o formato exigido
- não deixar o envio para a última hora
- manter rastreabilidade adequada do transporte
Esse alinhamento direto com a COMDEC evidencia o nível de atenção que o tema vem recebendo da fiscalização municipal.
🚨 O que acontece se a empresa não reportar?
O não envio do relatório dentro do prazo pode resultar em:
- Multas superiores a R$ 4.000,00
- Registro como infratora no município
- Impactos operacionais
- Maior exposição em fiscalizações
Quem deve fazer o reporte?
Devem reportar:
- Empresas EXPEDIDORAS de produtos perigosos
- Operações que transitem pelo município de São Paulo
- Indústrias, distribuidoras e operadores logísticos
Se sua empresa embarcou produtos perigosos que circularam em São Paulo no ano anterior, a obrigação se aplica.
🎯 Como a Intertox pode ajudar
Com sólida experiência em TRANSPORTE DE PRODUTOS PERIGOSOS, a Intertox apoia sua empresa em todas as etapas do processo.
Nossa equipe pode:
✔ Preparar o relatório no formato da COMDEC
✔ Realizar o envio dentro do prazo
✔ Reduzir riscos de autuação
📣 Últimos dias: evite multas e retenções
Com o prazo anual se aproximando do fim, agir agora é essencial para manter sua empresa em conformidade.
👉 Fale com a Intertox e garanta que seu reporte de produtos perigosos à COMDEC seja entregue com segurança técnica e dentro do prazo.
Guia de Tráfego do Exército: como emitir e regularizar PCE
Empresas que trabalham com produtos químicos, explosivos, insumos industriais ou materiais sensíveis enfrentam um cenário regulatório cada vez mais rigoroso no Brasil.
E um dos pontos mais críticos — e frequentemente negligenciados — é o controle do transporte desses itens.
A Guia de Tráfego do Exército é o documento que autoriza a movimentação de Produtos Controlados pelo Exército (PCE) em território nacional. Sem ela, sua empresa pode enfrentar desde retenção de carga até sanções administrativas e criminais.
Apesar disso, muitos gestores ainda operam com dúvidas como:
- Quando a guia é obrigatória?
- Quem precisa emitir?
- O processo ainda é físico?
- O que mudou nos últimos anos?
Neste artigo, você terá uma visão atualizada, técnica e prática sobre o tema — com base na legislação vigente e nas mudanças recentes no sistema de controle.
O que são Produtos Controlados pelo Exército (PCE)
Os Produtos Controlados pelo Exército são definidos pelo Decreto nº 10.030/2019 como itens que apresentam:
- potencial de causar danos à segurança pública
- interesse militar estratégico
- necessidade de restrição de uso, comercialização ou transporte
Esses produtos são regulamentados e fiscalizados pelo Exército Brasileiro por meio da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados.
Exemplos comuns de PCE
- produtos químicos com potencial explosivo ou tóxico
- explosivos e acessórios
- pólvoras e munições
- certos insumos industriais controlados
A lista completa é definida por normas como a Portaria COLOG nº 118/2019 e suas atualizações.
Como saber se um produto é controlado
Um dos maiores erros operacionais é assumir que apenas produtos “obviamente perigosos” são controlados. Na prática, o enquadramento depende de três fatores:
1. Substância
Se o produto está listado como controlado nas normas do Exército.
2. Concentração
Misturas podem ser consideradas PCE dependendo da concentração do componente controlado.
3. Aplicação e risco
O uso do produto pode justificar controle mesmo em concentrações menores.
👉 Em casos de dúvida, a análise deve ser feita pela DFPC, que pode emitir parecer técnico.
O que é a Guia de Tráfego do Exército
A Guia de Tráfego (GT) é o documento que autoriza o transporte de um Produto Controlado pelo Exército entre dois pontos definidos.
Ela funciona como:
- autorização de circulação
- instrumento de rastreabilidade
- documento de fiscalização
Importante:
👉 A GT não autoriza uso ou comercialização — apenas o transporte.
Quando a Guia de Tráfego é obrigatória
A emissão da GT é exigida sempre que houver movimentação de PCE, incluindo:
- transporte entre unidades da mesma empresa
- envio para clientes
- transferência entre empresas
- devoluções
- transporte para descarte ou tratamento
Situações críticas
- transporte interestadual
- grandes volumes
- produtos de maior grau de restrição
👉 Sem a GT, o transporte é considerado irregular.
Quem precisa emitir a Guia de Tráfego
A responsabilidade pela emissão é da empresa que detém o produto — desde que esteja devidamente registrada no Exército.
Para isso, é obrigatório possuir o:
Certificado de Registro (CR)
O CR é o documento que habilita a empresa a operar com PCE.
Sem ele:
- não é possível emitir GT
- não é permitido comercializar ou transportar produtos controlados
Diferença entre CR, Apostila e Guia de Tráfego
Um dos pontos mais confusos para as empresas é a função de cada documento.
| Documento | Função |
| CR (Certificado de Registro) | Autoriza a empresa a operar com PCE |
| Apostila | Define quais produtos e atividades são permitidos |
| GT (Guia de Tráfego) | Autoriza o transporte específico |
👉 Esses três elementos funcionam de forma integrada.
Nova sistemática: modernização do controle de PCE
Nos últimos anos, houve uma evolução significativa na forma como o Exército controla os PCE.
O que mudou
- Redução de processos físicos
- Digitalização progressiva dos fluxos
- Integração com sistemas como o SISFPC
- Maior rastreabilidade das operações
A antiga lógica baseada apenas no Sistema de Guia de Tráfego Eletrônica (SGTE) vem sendo substituída por um ecossistema mais integrado.
Impacto para empresas
- mais controle por parte do órgão regulador
- menor margem para erros operacionais
- necessidade de gestão documental mais estruturada
Como emitir a Guia de Tráfego (processo atualizado)
Embora ainda existam etapas presenciais em algumas regiões, o processo atual segue um modelo híbrido:
Etapas gerais
- Empresa deve possuir CR válido
- Cadastro de responsável no sistema
- Acesso ao sistema de controle do Exército
- Solicitação da GT com dados do transporte
- Validação e emissão com código verificador
A GT deve acompanhar o produto durante todo o trajeto.
Validade da Guia de Tráfego
Diferente do que muitos acreditam, a GT não é sempre um documento de uso único.
A validade pode variar conforme:
- tipo de produto
- categoria de controle
- operação realizada
👉 Em alguns casos, pode ter validade estendida.
Por isso, o controle correto das guias emitidas é essencial para evitar irregularidades.
Riscos e penalidades por não conformidade
Operar sem Guia de Tráfego ou com documentação irregular pode gerar:
- apreensão da carga
- multas administrativas
- suspensão do Certificado de Registro
- responsabilização criminal (dependendo do produto)
👉 Em operações fiscalizadas, a ausência da GT é uma das infrações mais recorrentes.
Diferença entre controle do Exército e Polícia Federal
Muitas empresas confundem os órgãos reguladores.
Exército Brasileiro
Controla:
- explosivos
- produtos com potencial destrutivo
- insumos estratégicos
Polícia Federal
Controla:
- produtos químicos usados em drogas
- substâncias precursoras
👉 Um mesmo produto pode estar sujeito a ambos os controles.
Erros mais comuns na gestão de PCE
- transportar sem GT
- emitir guia com dados incorretos
- operar com CR vencido
- não atualizar apostila
- desconhecer enquadramento do produto
Esses erros geralmente acontecem por falta de estrutura regulatória interna.
Como manter sua empresa em conformidade
Para evitar riscos e garantir operação segura:
- revisar regularmente o enquadramento dos produtos
- manter CR e apostila atualizados
- controlar validade das GTs
- integrar área técnica e logística
- acompanhar atualizações normativas
Empresas que tratam compliance como prioridade evitam paralisações e prejuízos.
Fale com especialistas em PCE
Se sua empresa trabalha com produtos controlados e ainda tem dúvidas sobre emissão de Guia de Tráfego, enquadramento ou regularização, o risco já existe — mesmo que ele ainda não tenha aparecido.
A Intertox atua diretamente com:
- regularização junto ao Exército
- análise técnica de enquadramento
- emissão e gestão de processos de PCE
- suporte completo em compliance regulatório
Evite erros que podem parar sua operação.
👉 Fale com a equipe da Intertox e entenda exatamente o que sua empresa precisa fazer para operar com segurança e dentro da legislação.
Giulia Forni de Almeida
Assuntos Regulatórios