Segurança e Saúde do Trabalho: Responsabilidade de Informar

Ninguém está na área de Segurança e Saúde do Trabalho se não tiver uma clara visão e entendimento da fragilidade da vida humana. Ou pelo menos deveria ter.

Bastam alguns anos de trabalho, seja no chão de fábrica, no campo ou nas minas, para entender o que isto quer dizer.

É muito difícil assegurar a integridade dos trabalhadores

Não é um trabalho em uma única direção, ao contrário, há tantas variáveis que a probabilidade de se dar menos atenção a uma ou outra é imensa. Os critérios para priorizar as questões mais importantes nem sempre são eficazes.

O que parece mais urgente, não é necessariamente o de maior risco. E eu já passei por isso, às vezes nós nem o conhecemos.

Não sei que não sei

É a pior configuração para o (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho).

Como saber?

Você pode imaginar que há muitas maneiras de saber o que é certo, mas todas elas dependem sempre de uma coisa em comum: informação.

Assim, através da obtenção das informações que permeiam o ambiente, o processo de trabalho, os defeitos e problemas de operação e manutenção, as falhas de gerenciamento, o fluxo de materiais, entre outras infinitas possibilidades, podemos transformar as informações em conhecimento. E dessa forma é possível identificar riscos ainda não conhecidos e nem imaginados.

Além disso, há uma fonte de informação que eu reputo como a mais importante e fidedigna: o trabalhador. Se o profissional do SESMT souber estabelecer um diálogo rotineiro com os trabalhadores, ele poderá “enxergar” o que geralmente não está à vista.

O trabalhador sabe do andamento de todos os processos, ou seja, seu o próprio trabalho, com todos os detalhes que deram certo e que não deram.
Estas informações permitem ver de perto o efeito da verdadeira cultura de segurança em vigor, o que se faz realmente, o que não se faz e o que é permitido ou não.

Entender a cultura de segurança é poder entender as possibilidades de erro, falhas, negligências e, pequenas coisas, que quando combinadas dão lugar a acidentes e doenças.

O outro lado desta moeda é igualmente importante. Educar o trabalhador e informá-lo sobre os perigos de seu ambiente de trabalho faz parte do processo de obtenção da informação. E é essa informação que você precisa para o seu trabalho. Omitir ou minimizar informações é perder uma ótima fonte de conhecimento, sem falar nas questões éticas.

Já ouvi trabalhador dizer que não sabia que o produto era inflamável, mesmo depois de anos de contato com ele. Só descobrir quando o mesmo pega fogo não é uma boa opção. Como também, não é uma boa opção, acreditar que o trabalhador vá ler a FISPQ que tem um monte de páginas, mesmo que esteja em uma pasta na parede ao lado dele.

O dever de informar vai além de mostrar ou dar a informação crua

Ele exige o entendimento da informação. Uma comunicação não entendida, é uma falha do comunicador, não do receptor da informação. O primeiro tem que ir ao segundo e para isso, é necessário conhecer o seu público e, mais além, é preciso se certificar que a informação foi compreendida

Em relação aos produtos químicos e perigosos, como vimos, sem alongar o assunto, as FISPQs não são a melhor maneira de comunicar o trabalhador. Já o seu resumo, com alertas, conhecido como FCP (Ficha de Comunicação de Perigo), é muito mais eficaz. Estas fichas também são um rico material para os também conhecidos Diálogos Diários de Segurança (DDS).

Finalmente, uma palavra sobre a responsabilidade do profissional do SESMT sobre a informação de perigos e seus riscos. Conhecedor do risco, seu primeiro dever é fomentar seu controle junto aos responsáveis e, simultaneamente, dar ciência a todos que possam a eles estar expostos. Não o fazer é omissão e negligência, e pode, na prática, dar causa a um incidente.

Michel Patrick Polity

Especialista em Segurança e Saúde do Trabalho.