Acetato de etila: controle da Polícia Federal e importância da rastreabilidade
O acetato de etila é um composto químico muito utilizado como solvente em diferentes atividades industriais. Ele ajuda a dissolver outras substâncias e está presente em diversos processos de fabricação.

Entre suas aplicações estão:
- Fabricação de tintas, vernizes e revestimentos;
- Produção de adesivos;
- Formulação de produtos químicos;
- Processos de extração e outras aplicações industriais.
Por ser um produto versátil, o acetato de etila tem um papel importante em diferentes setores da indústria. No entanto, assim como acontece com outras substâncias químicas, ele também pode ter aplicações que exigem atenção especial das autoridades.
Por esse motivo, além de conhecer suas características e aplicações, é importante entender quais regras se aplicam à sua comercialização e utilização.
Por que essa substância exige atenção regulatória?
O acetato de etila é uma das substâncias que podem ser utilizadas em processos relacionados à produção de cocaína. Por isso, seu uso e sua comercialização estão sujeitos a regras específicas de controle, que tem como objetivo ajudar as autoridades a acompanhar a movimentação do produto, asism cimo prevenir e identificar possíveis desvios.
No Brasil, a Lei nº 10.357/2001 estabelece as regras para o controle e a fiscalização de produtos químicos que possam ser utilizados na produção ilícita de drogas. A regulamentação é complementada pela Portaria MJSP nº 204/2022, que apresenta a lista de produtos químicos sujeitos ao controle da Polícia Federal (PF).
O acetato de etila consta na Lista II do Anexo I dessa Portaria, que reúne determinados solventes sujeitos à fiscalização.
As obrigações das empresas dependem do produto, de sua composição e das atividades realizadas. Por isso, é importante verificar o enquadramento regulatório de cada operação e observar os requisitos aplicáveis, como cadastro, licenças e prestação de informações sobre as movimentações.
A importância desse acompanhamento fica mais clara quando observamos situações reais de fiscalização. Em outubro de 2026, por exemplo, uma operação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal resultou na apreensão de 17 mil litros de acetato de etila que seriam exportados irregularmente para a Bolívia, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul.
Segundo a Polícia Federal, estudos realizados pela instituição identificaram evidências de contato com acetato de etila em aproximadamente 87% das amostras de cocaína analisadas. Esse tipo de análise contribui para compreender melhor o uso da substância nesses processos e auxilia o trabalho de investigação das autoridades.
O caso chama a atenção para a importância de acompanhar a origem, a movimentação e a destinação dos produtos químicos controlados. Afinal, além de cumprir as exigências legais, esse cuidado contribui para que substâncias destinadas a atividades legítimas permaneçam dentro dos canais regulares de comercialização.
Como a rastreabilidade ajuda a prevenir desvios?
O caso apresentado reforça a importância de acompanhar a movimentação dos produtos químicos ao longo de toda a cadeia de fornecimento.
Para as empresas que trabalham com produtos controlados pela Polícia Federal, a rastreabilidade permite acompanhar informações como a origem do produto, as quantidades movimentadas e sua destinação. Também ajuda a manter os registros organizados e a identificar possíveis divergências.
Na prática, esse trabalho envolve muito mais do que preencher documentos. É importante que as informações sobre compras, vendas, estoque e movimentações estejam corretas e sejam compatíveis entre si.
Algumas medidas que contribuem para uma gestão mais segura são:
- Controle de estoque: acompanhar as entradas, saídas e quantidades disponíveis de cada produto.
- Conferência de documentos: verificar se as informações das notas fiscais e dos documentos de transporte correspondem às movimentações realizadas.
- Acompanhamento de clientes e fornecedores: verificar a regularidade das operações e a documentação necessária.
- Monitoramento das movimentações: identificar diferenças de quantidade ou outras situações que precisem ser verificadas.
- Organização dos registros regulatórios: manter as informações internas alinhadas aos dados apresentados nos Mapas de Controle exigidos pela Polícia Federal.
- Atenção às operações internacionais: verificar as exigências aplicáveis à importação e à exportação de produtos controlados.
Esses cuidados ajudam a prevenir falhas, facilitam a identificação de inconsistências e permitem que a empresa demonstre a regularidade de suas operações quando necessário.
Além disso, uma boa organização documental facilita o atendimento às fiscalizações e contribui para uma gestão mais eficiente dos produtos químicos.
Por isso, a rastreabilidade deve fazer parte da rotina da empresa. Com procedimentos bem definidos e informações confiáveis, é possível fortalecer os controles internos, reduzir riscos e contribuir para que os produtos químicos sejam utilizados e movimentados de acordo com as regras aplicáveis.
Como a Intertox pode apoiar sua empresa?
Manter a gestão de produtos químicos controlados em dia exige atenção à legislação, organização das informações e acompanhamento das movimentações realizadas pela empresa.
A Intertox oferece consultoria especializada em gestão de produtos químicos controlados pela Polícia Federal, auxiliando empresas a compreender suas obrigações e a organizar seus processos de acordo com as exigências aplicáveis.
Entre as atividades de apoio estão:
- Avaliação do enquadramento de produtos químicos nas listas de controle;
- Orientação sobre cadastro e licenciamento perante a Polícia Federal;
- Apoio na elaboração e conferência dos Mapas de Controle no Siproquim 2;
- Verificação de inconsistências documentais e divergências nos registros;
- Orientação sobre as exigências aplicáveis às operações com produtos controlados;
- Apoio na melhoria dos procedimentos internos de controle e rastreabilidade.
Com o suporte técnico adequado, a empresa consegue acompanhar melhor suas movimentações, manter os registros organizados e ter mais segurança no cumprimento de suas obrigações regulatórias.
Sua empresa trabalha com produtos químicos controlados pela Polícia Federal? Entre em contato com a Intertox e conheça nossas soluções de consultoria regulatória para apoiar a gestão e a conformidade dos seus processos.
Treinamento GHS para empresas: quando capacitar sua equipe
Produtos químicos classificados como perigosos não podem ser tratados apenas como itens de estoque. Quem recebe, armazena, movimenta, fraciona, utiliza ou participa da resposta a emergências envolvendo esses produtos precisa compreender os perigos associados e saber interpretar corretamente as informações de segurança disponíveis.
Na prática, uma empresa pode possuir Fichas com Dados de Segurança (FDS) tecnicamente adequadas e rótulos estruturados conforme o GHS e, ainda assim, apresentar uma lacuna relevante: trabalhadores que não conseguem interpretar pictogramas, palavras de advertência, frases de perigo, frases de precaução ou informações necessárias para agir diante de uma emergência química.
A capacitação também não deve ser confundida com uma apresentação única realizada na admissão. Mudanças nos produtos utilizados, processos, condições de trabalho ou riscos ocupacionais podem exigir atualização do conhecimento da equipe. O conteúdo da INTERTOX sobre capacitação em NR-26, rotulagem preventiva, FDS e identificação de perigos mostra como esses elementos precisam funcionar de forma integrada dentro da gestão de segurança química.

Por isso, estruturar um treinamento GHS para empresas envolve identificar quem precisa ser capacitado, quais conhecimentos devem refletir a realidade da operação e em quais situações o treinamento precisa ser realizado, atualizado ou reforçado.
O que é treinamento GHS para empresas?
O treinamento GHS para empresas é uma forma de estruturar a capacitação destinada a preparar trabalhadores para compreender a classificação e a comunicação de perigos, a rotulagem preventiva, a Ficha com Dados de Segurança (FDS), os riscos associados às condições de uso dos produtos químicos e as medidas necessárias para utilização segura e resposta a emergências.
Embora a expressão “treinamento GHS” seja amplamente utilizada na prática, a NR-26 não estabelece uma modalidade de capacitação formalmente denominada dessa forma.
No Brasil, a Norma Regulamentadora nº 26 (NR-26) determina que os trabalhadores recebam treinamento para compreender a rotulagem preventiva e a FDS, bem como sobre os perigos, os riscos, as medidas preventivas para o uso seguro e os procedimentos para atuação em situações de emergência com produtos químicos. Serviços e Informações do Brasil
A capacitação, portanto, deve estar conectada aos riscos reais da atividade, e não apenas à apresentação teórica dos elementos do GHS.
Por que o treinamento GHS precisa refletir a operação da empresa?
O Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS) estabelece critérios harmonizados para classificação e comunicação de perigos químicos.
Essa comunicação envolve elementos como:
- classes e categorias de perigo;
- pictogramas de perigo;
- palavra de advertência;
- frases de perigo;
- frases de precaução;
- rotulagem preventiva;
- Ficha com Dados de Segurança (FDS).
O problema é que disponibilizar essas informações não significa automaticamente que o trabalhador saiba interpretá-las ou utilizá-las durante uma atividade.
A NR-26 determina que a organização assegure aos trabalhadores acesso às FDS dos produtos químicos utilizados no local de trabalho e estabelece a necessidade de treinamento para compreensão dessas informações.
Isso muda a forma como a capacitação deve ser planejada.
Um profissional que recebe produtos químicos no almoxarifado, por exemplo, pode precisar dar atenção especial à identificação dos produtos, à integridade da rotulagem e ao reconhecimento dos perigos. Já os trabalhadores envolvidos no fracionamento precisam compreender também como a identificação e a comunicação de perigos se aplicam aos recipientes utilizados na operação.
Equipes que manipulam diretamente substâncias ou misturas perigosas precisam relacionar as informações da FDS e do rótulo às medidas de prevenção estabelecidas para sua atividade. Profissionais envolvidos em respostas a derramamentos, vazamentos ou outras emergências precisam saber localizar rapidamente as informações necessárias e seguir os procedimentos definidos pela organização, de acordo com as atribuições para as quais foram capacitados.
Portanto, o treinamento deve transformar a comunicação técnica do GHS em decisões aplicáveis ao trabalho.
Quando a empresa deve realizar treinamento GHS?
Não existe uma resposta adequada baseada somente em um intervalo fixo de tempo.
A NR-26 estabelece requisitos relacionados ao treinamento dos trabalhadores, enquanto a NR-1 — Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais estabelece regras gerais para capacitação e treinamento em Segurança e Saúde no Trabalho (SST).
Antes do início das atividades que exigem capacitação
A NR-1 prevê treinamento inicial antes de o trabalhador iniciar suas funções ou de acordo com o prazo estabelecido pela Norma Regulamentadora específica aplicável.
Em operações com produtos químicos, essa lógica é especialmente relevante: o trabalhador precisa compreender as informações necessárias para executar a atividade de maneira segura antes de enfrentar situações nas quais terá de utilizá-las.
A capacitação deve considerar suas atribuições reais. Um operador de produção, um profissional de laboratório e um trabalhador do almoxarifado podem estar envolvidos com produtos químicos de maneiras diferentes e, portanto, demandar níveis e enfoques distintos de treinamento.
Quando mudanças na operação alterarem os riscos
A capacitação também precisa acompanhar a gestão de mudanças.
A NR-1 prevê treinamento eventual quando houver mudanças nos procedimentos, condições ou operações de trabalho que impliquem alteração dos riscos ocupacionais.
No contexto químico, essa avaliação pode ser necessária quando a empresa:
- introduz um produto com perigos diferentes dos já utilizados;
- modifica uma formulação ou processo produtivo;
- altera condições de manipulação ou armazenamento;
- modifica procedimentos operacionais capazes de alterar a exposição;
- implementa novas medidas de prevenção;
- incorpora equipamentos ou etapas que modifiquem os riscos da atividade.
A simples troca de um produto não significa automaticamente que todo o treinamento precisa ser repetido. O ponto central é avaliar se a alteração modifica os perigos, os riscos, as informações de segurança, as medidas de prevenção ou os procedimentos que o trabalhador precisa compreender.
Periodicamente, conforme os requisitos e riscos da operação
A NR-1 também contempla treinamento periódico. Quando uma NR específica não estabelece uma periodicidade determinada, o prazo deve ser definido pelo empregador.
Por isso, não é tecnicamente adequado estabelecer uma “validade universal” para todo treinamento GHS.
A empresa deve estruturar a periodicidade considerando os requisitos aplicáveis e as necessidades identificadas na gestão da segurança e saúde no trabalho.
Quando ocorrer uma situação que demande treinamento eventual
Além das mudanças nos riscos ocupacionais, a NR-1 prevê situações específicas para treinamento eventual, incluindo a ocorrência de acidente grave ou fatal que indique necessidade de nova capacitação e o retorno de afastamento ao trabalho por período superior a 180 dias.
Nesses casos, carga horária, prazo e conteúdo precisam ser adequados à situação que motivou o treinamento.
Esses critérios demonstram por que a gestão da capacitação não deve depender apenas de uma data de vencimento registrada em uma planilha.
Como funciona o treinamento GHS para empresas na prática?
Um programa tecnicamente consistente começa antes da sala de treinamento. É necessário compreender a operação e transformar as informações sobre os perigos dos produtos e os riscos das atividades em conteúdo aplicável aos trabalhadores.
Mapear produtos e atividades. Identifique quais produtos químicos estão presentes, onde são utilizados, quais tarefas são executadas e quais trabalhadores podem entrar em contato com eles.
Avaliar os perigos e os riscos relevantes. Analise classificação, FDS, rotulagem, formas de utilização, condições de exposição e medidas de prevenção relacionadas às atividades.
Definir os públicos. Separe os trabalhadores conforme responsabilidades e necessidades de conhecimento. Produção, laboratório, almoxarifado e equipes envolvidas em emergências, por exemplo, podem exigir abordagens diferentes.
Construir o conteúdo. O treinamento deve apresentar os elementos do GHS e conectá-los aos produtos, procedimentos e situações existentes na organização.
Trabalhar situações reais. Exemplos envolvendo recebimento, armazenamento, fracionamento, manipulação, vazamentos ou derramamentos ajudam o trabalhador a relacionar a informação técnica à tomada de decisão.
Registrar a capacitação. Quando se tratar de treinamento previsto em NR, devem ser observados os requisitos documentais aplicáveis.
Reavaliar a necessidade de atualização. Mudanças de produtos, processos, riscos e procedimentos devem alimentar a gestão dos treinamentos.
Essa abordagem evita uma situação recorrente: trabalhadores que reconhecem um pictograma durante uma apresentação, mas não sabem como interpretar aquele mesmo perigo quando o encontram durante sua atividade.
O que deve ser abordado em um treinamento GHS?
O conteúdo precisa ser compatível com os riscos e atividades da organização. Ainda assim, alguns elementos formam uma base relevante para a capacitação.
1. Interpretação da rotulagem preventiva
O trabalhador deve entender como a informação de perigo é apresentada no rótulo e como utilizá-la antes de manipular um produto.
Isso inclui, conforme aplicável:
- identificação e composição do produto;
- pictogramas de perigo;
- palavra de advertência;
- frases de perigo;
- frases de precaução;
- informações suplementares.
Esses são os elementos previstos pela NR-26 para a rotulagem preventiva de produtos químicos classificados como perigosos.
O objetivo não é apenas memorizar símbolos. É compreender o que eles comunicam e como essas informações se relacionam à execução segura da atividade.
Em operações que utilizam recipientes reduzidos, amostras ou produtos fracionados, a comunicação também precisa considerar os requisitos aplicáveis a essas embalagens. A INTERTOX aborda esse tema em seu conteúdo sobre rotulagem de pequenas embalagens conforme a ABNT NBR 14725:2023.
2.Leitura e utilização da FDS
A Ficha com Dados de Segurança não deve ser apresentada como um documento burocrático armazenado apenas para auditorias ou fiscalizações.
O treinamento precisa mostrar onde a FDS está disponível e como localizar informações necessárias para situações reais, como:
- identificação dos perigos;
- medidas de primeiros socorros;
- medidas de combate a incêndio;
- medidas de controle para derramamento ou vazamento;
- manuseio e armazenamento;
- controle de exposição e proteção individual;
- propriedades físicas e químicas relevantes;
- estabilidade e reatividade.
A atualização da documentação também interfere diretamente na qualidade da capacitação. Atualmente, a ABNT NBR 14725:2023 para FDS e rótulos consta como versão em vigor.
Por isso, empresas devem utilizar informações coerentes com os documentos efetivamente adotados na operação.
3.Diferença entre perigo e risco
Essa distinção precisa estar clara para que a comunicação do GHS seja corretamente compreendida.
De forma prática, o perigo está relacionado às propriedades intrínsecas de uma substância ou mistura e à sua capacidade de causar dano, enquanto o risco considera também as condições em que esse perigo está presente, incluindo exposição, atividade realizada e medidas de prevenção.
Essa compreensão ajuda o trabalhador a entender por que duas áreas que utilizam o mesmo produto podem possuir cenários de exposição e riscos diferentes.
4. Procedimentos de emergência
O treinamento precisa conectar as informações presentes na FDS aos procedimentos internos da empresa.
Em vez de apenas informar que determinada substância apresenta certo perigo, a capacitação deve esclarecer como o trabalhador precisa agir diante das situações previstas para sua atividade, respeitando planos de emergência, responsabilidades definidas e medidas de prevenção adotadas pela organização.
Também é importante deixar claro que receber treinamento sobre GHS e FDS não significa, por si só, estar capacitado para realizar intervenção técnica em uma emergência química. A atuação deve respeitar as atribuições, os procedimentos e a capacitação específica existente na organização.
NR-26, NR-1 e ABNT NBR 14725: como essas referências se conectam?
O treinamento relacionado ao GHS no ambiente de trabalho brasileiro não deve ser analisado de forma isolada.
A NR-26 — Sinalização de Segurança estabelece requisitos relacionados à classificação de produtos químicos segundo o GHS, à rotulagem preventiva, à FDS e ao treinamento dos trabalhadores.
A NR-1 — Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais estabelece requisitos gerais relacionados à capacitação em SST, incluindo treinamento inicial, periódico e eventual e sua documentação.
Já a ABNT NBR 14725 estabelece requisitos técnicos relacionados ao GHS, à classificação de perigos, à FDS e à rotulagem de produtos químicos. A ABNT NBR 14725:2023 Versão Corrigida 2:2025 encontra-se em vigor.
Informações sobre normas técnicas podem ser consultadas no Catálogo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Essas referências se complementam dentro da gestão de segurança química.
| Referência | Relação com o treinamento | Aplicação prática |
| NR-26 | Estabelece requisitos de treinamento para compreensão da rotulagem, FDS, perigos, riscos, medidas preventivas e emergências | Relaciona a comunicação de perigos ao conhecimento necessário aos trabalhadores |
| NR-1 | Estabelece requisitos gerais para capacitação e treinamento em SST | Orienta treinamentos inicial, periódico e eventual e os registros aplicáveis |
| ABNT NBR 14725 | Estabelece requisitos técnicos relacionados ao GHS, classificação, FDS e rotulagem | Fundamenta os elementos técnicos utilizados na comunicação de perigos químicos |
| GRO/PGR | Integra perigos, avaliação dos riscos ocupacionais e medidas de prevenção | Ajuda a contextualizar a capacitação dentro das condições reais das atividades |
O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos ajudam a contextualizar a capacitação dentro dos perigos, riscos e medidas de prevenção existentes na empresa.
É importante apenas não confundir as funções: o GHS classifica e comunica perigos; o GRO/PGR possui escopo mais amplo e envolve o gerenciamento dos riscos ocupacionais.
O Ministério do Trabalho e Emprego disponibiliza orientações oficiais sobre o Programa de Gerenciamento de Riscos.
Quem deve receber treinamento GHS na empresa?
A definição não deve ser feita somente pelo cargo registrado.
A empresa precisa identificar quais trabalhadores necessitam compreender informações de segurança química em razão das atividades executadas e dos riscos envolvidos.
Dependendo da operação, a capacitação pode envolver profissionais de:
- produção;
- laboratório;
- almoxarifado;
- recebimento;
- armazenamento;
- manutenção;
- logística interna;
- equipes envolvidas em emergências;
- áreas que realizam manipulação ou fracionamento.
Também é adequado trabalhar com níveis diferentes de conhecimento.
Um profissional responsável pela classificação de perigos, elaboração ou revisão técnica de documentos químicos precisa de profundidade diferente daquela necessária para um trabalhador que utiliza o produto seguindo um procedimento operacional.
Isso significa que um treinamento destinado à compreensão da comunicação do GHS não deve ser confundido com uma capacitação técnica voltada à realização da classificação de substâncias e misturas.
Como documentar o treinamento GHS corretamente?
A documentação não deve ser tratada como um detalhe administrativo.
A NR-1 estabelece requisitos para os certificados relativos aos treinamentos inicial, periódico ou eventual previstos nas Normas Regulamentadoras. Entre as informações previstas estão nome do trabalhador, conteúdo programático, carga horária, data, local de realização, nome e qualificação dos instrutores e assinatura do responsável técnico do treinamento.
Na gestão interna, é adequado manter rastreabilidade sobre:
- quem recebeu a capacitação;
- conteúdo programático aplicado;
- data de realização;
- carga horária;
- instrutores e responsáveis aplicáveis;
- necessidade de treinamento periódico ou eventual;
- certificados e demais evidências exigidas.
Essa organização facilita a gestão de competências e reduz a dependência da memória de um responsável ou de arquivos dispersos.
6 erros comuns no treinamento GHS para empresas
1. Fazer um treinamento genérico para todos
Erro: apresentar o mesmo conteúdo para todos os trabalhadores, sem considerar atividades, produtos e exposições diferentes.
Impacto: o trabalhador conhece conceitos do GHS, mas não consegue relacioná-los aos perigos e procedimentos de sua rotina.
Como evitar: adaptar exemplos, profundidade e situações práticas aos diferentes públicos envolvidos.
2. Ensinar pictogramas sem ensinar tomada de decisão
Erro: transformar a capacitação em uma atividade de memorização de símbolos.
Impacto: o profissional pode reconhecer o pictograma, mas não saber consultar a FDS ou aplicar corretamente os procedimentos internos.
Como evitar: trabalhar rótulo, FDS, perigos, riscos, medidas preventivas e situações de emergência de forma integrada.
3. Capacitar somente na admissão
Erro: considerar que o treinamento inicial resolve permanentemente a necessidade de capacitação.
Impacto: mudanças nos riscos, procedimentos, produtos ou condições de trabalho podem não chegar adequadamente aos trabalhadores.
Como evitar: integrar a gestão do treinamento ao processo de gestão de mudanças e aos critérios de treinamento periódico e eventual.
4. Utilizar FDS, rótulos ou procedimentos desatualizados
Erro: treinar a equipe com documentos que não representam mais os produtos e processos utilizados ou os requisitos aplicáveis.
Impacto: cria-se uma diferença entre aquilo que foi ensinado e a informação que o trabalhador encontra durante a operação.
Como evitar: verificar previamente se os materiais utilizados na capacitação correspondem às versões vigentes adotadas pela empresa. Quando houver documentos antigos, a revisão da FISPQ para FDS também precisa ser considerada dentro da gestão documental.
5. Não registrar adequadamente a capacitação
Erro: realizar o treinamento sem manter as evidências e informações exigidas pelos requisitos aplicáveis.
Impacto: a empresa perde rastreabilidade sobre competências e pode ter dificuldade para demonstrar como a capacitação foi realizada.
Como evitar: estabelecer um processo formal de registro, arquivamento e gestão dos treinamentos.
6. Tratar GHS, FDS e PGR como assuntos separados
Erro: ensinar comunicação de perigo sem relacioná-la aos riscos ocupacionais e às medidas de prevenção existentes na organização.
Impacto: o treinamento se torna excessivamente teórico e distante da rotina dos trabalhadores.
Como evitar: utilizar produtos, riscos, procedimentos e cenários reais da operação como base para a capacitação.
Benefícios de um treinamento GHS bem estruturado
Um programa adequado de capacitação oferece benefícios que vão além do atendimento documental às normas.
Redução de falhas de interpretação: trabalhadores preparados conseguem compreender melhor as informações de segurança antes de utilizar produtos químicos.
Maior preparação para emergências: conhecer previamente procedimentos e fontes de informação reduz improvisações diante de vazamentos, derramamentos e outras ocorrências.
Melhor utilização das FDS: o documento passa a funcionar como fonte de informação para as atividades, e não apenas como arquivo documental.
Maior consistência entre documentação e prática: rótulos, FDS, procedimentos e medidas preventivas passam a fazer parte de uma mesma lógica de comunicação e prevenção.
Apoio ao gerenciamento de riscos: a capacitação auxilia os trabalhadores a compreender as medidas de prevenção definidas para suas atividades.
Redução de retrabalho associado à interpretação inadequada: equipes que compreendem as informações e os procedimentos podem reduzir falhas decorrentes de interpretações incorretas.
Mais segurança durante mudanças operacionais: quando a gestão dos treinamentos acompanha alterações de produtos e processos, os trabalhadores podem ser capacitados antes de executar atividades modificadas.
Perguntas frequentes sobre treinamento GHS para empresas
1.O treinamento GHS é obrigatório?
A NR-26 não estabelece uma modalidade formal denominada “treinamento GHS”.
Entretanto, determina que os trabalhadores recebam treinamento para compreender a rotulagem preventiva e a FDS e sobre perigos, riscos, medidas preventivas para uso seguro e procedimentos para atuação em situações de emergência com produtos químicos.
Assim, o treinamento GHS é uma das formas utilizadas para estruturar essa capacitação.
2. Existe uma validade fixa para o treinamento GHS?
Não há uma periodicidade única e universal estabelecida pela NR-26.
A NR-1 disciplina os treinamentos periódicos e prevê que, quando não houver periodicidade definida em NR específica, o prazo seja determinado pelo empregador.
3. Quando é necessário atualizar o treinamento?
A necessidade deve ser avaliada quando houver mudanças capazes de alterar os riscos ocupacionais, além das demais hipóteses de treinamento eventual previstas na NR-1.
A capacitação periódica também deve seguir os requisitos aplicáveis à organização.
4. Quem trabalha com produtos químicos precisa saber ler a FDS?
Os trabalhadores precisam ter acesso às FDS dos produtos químicos utilizados no local de trabalho e receber treinamento para compreendê-las.
A profundidade necessária deve considerar as atividades e responsabilidades de cada trabalhador.
5. Trocar um produto químico exige novo treinamento?
Não necessariamente em qualquer substituição.
A empresa deve avaliar se a mudança altera perigos, riscos, procedimentos, medidas de prevenção ou outras informações que o trabalhador precisa compreender.
Quando houver impacto relevante, a necessidade de treinamento deve ser tratada dentro da gestão de mudanças e dos requisitos aplicáveis.
6. O treinamento GHS pode ser realizado junto com outras capacitações?
Sim. A NR-1 permite que treinamentos previstos nas Normas Regulamentadoras sejam ministrados conjuntamente com outros treinamentos da organização, desde que sejam observados os conteúdos e demais requisitos previstos nas normas aplicáveis.
Como transformar o treinamento GHS em uma prática de segurança
O treinamento GHS para empresas deve preparar trabalhadores para interpretar informações de perigo e aplicá-las às situações encontradas durante o trabalho.
Isso exige conectar rotulagem preventiva, FDS, perigos químicos, riscos ocupacionais, medidas de prevenção e procedimentos de emergência. A capacitação também precisa acompanhar mudanças capazes de alterar os riscos e ser documentada conforme os requisitos aplicáveis.
Para organizações que trabalham com muitos produtos químicos, o desafio aumenta. Documentos precisam estar atualizados, trabalhadores precisam saber onde encontrá-los e o conteúdo ministrado precisa refletir aquilo que realmente existe na operação.
Quando esses elementos funcionam de maneira integrada, as informações fornecidas pelo GHS podem apoiar efetivamente a prevenção e a tomada de decisão no ambiente de trabalho.
Capacite sua equipe com conhecimento aplicado à realidade química
A INTERTOX atua na gestão de riscos químicos, toxicológicos e ambientais, apoiando empresas na aplicação de requisitos relacionados ao GHS, classificação de perigos, FDS, rotulagem e segurança química.
Para empresas que precisam preparar suas equipes, uma capacitação tecnicamente estruturada pode conectar os requisitos da NR-26 e da ABNT NBR 14725 aos produtos, processos, documentos e situações efetivamente encontrados no ambiente de trabalho.
Mais do que apresentar pictogramas, o objetivo é desenvolver a capacidade de interpretar informações de segurança e utilizá-las na prevenção de exposições, no manuseio seguro e na resposta a situações de emergência.
Se sua empresa precisa avaliar a capacitação das equipes, atualizar conhecimentos relacionados ao GHS ou estruturar um treinamento alinhado à realidade da operação, converse com a equipe da INTERTOX para identificar a abordagem mais adequada aos produtos, riscos e processos da organização.
Gestão de produtos químicos na indústria: controles, riscos e conformidade
Produtos químicos estão presentes em praticamente todos os ambientes industriais. Eles podem ser utilizados como matérias-primas, insumos de processo, solventes, combustíveis, reagentes, lubrificantes, tintas, produtos de limpeza, agentes de tratamento ou materiais de manutenção.
Os riscos, porém, não estão somente no uso direto dessas substâncias. Falhas no cadastro, Fichas com Dados de Segurança desatualizadas, embalagens sem identificação, armazenamento de produtos incompatíveis e licenças que não abrangem a operação também podem provocar acidentes, autuações, interrupções e danos ambientais.
Ocorrências envolvendo vazamentos, incêndios, explosões e exposição ocupacional reforçam a importância de uma gestão adequada de produtos químicos nas atividades de manuseio, armazenamento e transporte.
Por isso, a gestão de produtos químicos na indústria precisa acompanhar cada substância desde sua avaliação antes da compra até o consumo, transporte, reaproveitamento ou descarte.
Esse controle exige integração entre compras, segurança do trabalho, meio ambiente, produção, manutenção, logística, armazenamento e assuntos regulatórios. Quando cada setor utiliza informações diferentes, a empresa perde a visão sobre os produtos presentes na unidade e amplia sua exposição a riscos.

Neste artigo, você entenderá como estruturar a gestão química, quais controles precisam ser implantados e como identificar falhas capazes de comprometer a segurança e a conformidade da operação.
O que é gestão de produtos químicos?
Gestão de produtos químicos é o conjunto de procedimentos, documentos, responsabilidades e controles utilizados para acompanhar substâncias e misturas químicas durante todo o seu ciclo de vida dentro da empresa.
Esse processo pode abranger:
- avaliação antes da compra;
- aprovação de fornecedores;
- recebimento e inspeção;
- cadastro no inventário;
- análise da FDS;
- classificação de perigos;
- rotulagem;
- armazenamento;
- movimentação interna;
- uso nos processos;
- controle de exposição;
- atendimento às obrigações legais;
- preparação para emergências;
- transporte;
- gerenciamento de resíduos.
O objetivo é garantir que a empresa conheça os produtos existentes, os perigos associados, as quantidades armazenadas, as condições de uso e os requisitos legais aplicáveis a cada substância.
A gestão química não deve se limitar a uma planilha com nomes comerciais. Ela precisa produzir informações confiáveis para orientar decisões relacionadas à compra, ao armazenamento, à saúde ocupacional, à proteção ambiental e à resposta a emergências.
Quando esse sistema não existe, produtos podem entrar na unidade sem avaliação prévia e permanecer fora dos controles internos.
A gestão química muda de uma indústria para outra?
Os princípios da gestão de produtos químicos são aplicáveis a qualquer atividade industrial. Empresas químicas, metalúrgicas, alimentícias, automotivas, têxteis, cosméticas, farmacêuticas, de mineração e de outros setores podem precisar controlar os mesmos grupos de perigos.
O que muda são as características da operação, como:
- tipos de produtos utilizados;
- volumes armazenados;
- formas de aplicação;
- frequência de manipulação;
- possibilidade de exposição;
- condições estruturais;
- geração de resíduos;
- enquadramento perante órgãos fiscalizadores;
- classificação para transporte.
Uma indústria que utiliza pequenas embalagens de reagentes laboratoriais apresenta uma realidade diferente daquela que recebe solventes inflamáveis a granel. Ainda assim, ambas precisam conhecer os perigos, manter documentos atualizados, controlar incompatibilidades e preparar os trabalhadores.
Portanto, não é necessário criar uma metodologia completamente diferente para cada segmento. O sistema deve ser dimensionado conforme os produtos, as quantidades, as atividades realizadas e os riscos reais de cada instalação.
Quais são os principais riscos relacionados aos produtos químicos?
Uma gestão consistente começa pela compreensão dos cenários que podem ocorrer dentro e fora da empresa.
Exposição dos trabalhadores
Vapores, gases, névoas, poeiras, fumos e respingos podem atingir os trabalhadores por inalação, contato com a pele, contato com os olhos ou ingestão acidental.
O risco não depende somente da classificação do produto. Também deve ser considerada a forma como a atividade é executada.
Abrir uma embalagem, realizar uma transferência, preparar uma solução, limpar um equipamento ou recolher um vazamento pode gerar exposições diferentes das existentes durante o armazenamento normal.
A empresa precisa avaliar as tarefas e aplicar medidas de controle conforme a hierarquia de prevenção, priorizando:
- eliminação do perigo;
- substituição por produto menos perigoso;
- sistemas fechados ou automatizados;
- enclausuramento e exaustão;
- controles administrativos;
- procedimentos e treinamentos;
- equipamentos de proteção individual.
O EPI não deve ser tratado como a única medida de proteção quando há possibilidade de adotar controles coletivos ou modificar o processo.
Incêndios e explosões
Líquidos inflamáveis, gases, poeiras combustíveis e outras substâncias podem formar atmosferas perigosas quando não há ventilação, controle de fontes de ignição ou estrutura adequada.
O risco pode aumentar durante operações de transferência, mistura, manutenção e limpeza. Por isso, a avaliação precisa considerar as atividades realizadas, e não apenas a presença do produto no estoque.
Reações entre produtos incompatíveis
O contato acidental entre substâncias incompatíveis pode provocar geração de calor, liberação de gases tóxicos, incêndios, projeção de materiais ou ruptura de embalagens.
Ácidos, bases, oxidantes, redutores, inflamáveis e produtos reativos não devem ser organizados somente por ordem alfabética, fabricante ou frequência de utilização.
A definição do layout precisa considerar as características químicas e os possíveis efeitos de um vazamento. A análise dos riscos no armazenamento de produtos químicos perigosos ajuda a identificar condições capazes de ampliar a gravidade de um acidente.
Contaminação ambiental
Vazamentos podem atingir o solo, redes de drenagem, sistemas de tratamento, cursos d’água ou outras áreas da instalação.
Mesmo pequenas perdas repetidas podem gerar passivos ambientais. Contenção secundária, inspeções e procedimentos de resposta são necessários para evitar que o produto ultrapasse a área controlada.
Falhas regulatórias e documentais
A empresa também pode enfrentar riscos quando:
- utiliza FDS desatualizadas;
- mantém embalagens sem identificação;
- compra produtos sem avaliação;
- opera com licenças incompletas;
- deixa de declarar movimentações;
- classifica incorretamente uma carga;
- destina resíduos sem documentação;
- desconhece produtos utilizados por terceiros.
Essas falhas dificultam a resposta a emergências e podem resultar em notificações, apreensões, multas e paralisações.
Como estruturar a gestão de produtos químicos na indústria?
A estrutura deve acompanhar o ciclo de vida de cada produto e estabelecer responsabilidades para todas as áreas envolvidas. A seguir, veja os principais controles.
1. Criar um inventário químico centralizado
O inventário é uma das principais bases da gestão. Ele deve reunir todos os produtos químicos existentes na unidade, incluindo materiais utilizados por:
- produção;
- manutenção;
- laboratórios;
- tratamento de água;
- utilidades;
- limpeza;
- controle de pragas;
- prestadores de serviços;
- equipes terceirizadas.
Para cada produto, o inventário pode apresentar:
- nome técnico e comercial;
- fabricante e fornecedor;
- número CAS dos componentes relevantes;
- composição ou concentração;
- finalidade e setor de uso;
- forma física;
- quantidade máxima armazenada;
- classificação de perigos;
- condições de armazenamento;
- incompatibilidades;
- FDS vigente;
- classificação para transporte;
- enquadramento como produto controlado;
- licenças relacionadas;
- responsável interno.
O levantamento deve refletir a situação real da unidade. A Intertox apresenta mais detalhes sobre a importância e a aplicação do inventário de produtos químicos nas empresas.
Uma lista que não inclui produtos de manutenção, limpeza ou empresas terceirizadas transmite uma falsa sensação de controle.
2. Avaliar o produto antes da compra
A entrada de uma nova substância não deve depender apenas de preço, disponibilidade ou desempenho técnico.
Antes da aquisição, a empresa precisa verificar:
- classificação de perigos;
- composição;
- condições de armazenamento;
- incompatibilidades;
- necessidade de ventilação;
- medidas para controle da exposição;
- classificação para transporte;
- enquadramento em listas de produtos controlados;
- licenças necessárias;
- impactos ambientais;
- geração de resíduos;
- capacidade de resposta a emergências;
- possibilidade de substituição.
Essa análise evita que um produto seja comprado antes de a instalação estar preparada para recebê-lo.
Uma substância aparentemente mais barata pode exigir adaptações prediais, equipamentos especiais, proteção respiratória, licenças adicionais ou destinação mais onerosa. Esses fatores precisam integrar a decisão de compra.
3. Inspecionar o recebimento
A inspeção deve comparar o material recebido com o produto aprovado e cadastrado.
É importante conferir:
- fabricante;
- nome do produto;
- integridade das embalagens;
- lacres;
- rotulagem;
- quantidade;
- lote, quando aplicável;
- validade;
- condições do veículo;
- documentação de transporte;
- existência de vazamentos ou danos.
Produtos divergentes, avariados ou sem identificação adequada devem permanecer em uma área controlada até a conclusão da avaliação.
A descarga também precisa considerar os perigos envolvidos. Produtos incompatíveis não devem ser colocados temporariamente no mesmo espaço sem análise prévia.
4. Controlar FDS, classificação e rotulagem
A FDS — Ficha com Dados de Segurança — reúne informações sobre identificação, perigos, medidas de primeiros socorros, combate a incêndio, controle de derramamento, manuseio, armazenamento, proteção individual, transporte e destinação.
A Norma Regulamentadora nº 26 estabelece requisitos relacionados à classificação e à comunicação dos perigos dos produtos químicos utilizados nos locais de trabalho. A ABNT NBR 14725 apresenta os critérios técnicos para classificação, elaboração da FDS e rotulagem conforme o Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos, o GHS.
A empresa precisa controlar:
- versão vigente do documento;
- idioma;
- identificação correta do produto;
- coerência entre composição, classificação e rótulo;
- acesso dos trabalhadores;
- atualização após alterações relevantes;
- distribuição aos setores;
- identificação de recipientes secundários.
Não basta armazenar os arquivos em uma pasta. As informações devem ser avaliadas e utilizadas na definição dos controles operacionais.
Uma revisão baseada em um checklist de conformidade química pode apoiar a comparação entre inventário, FDS, classificação GHS, rótulos, armazenamento e dados de transporte.
5. Armazenar de acordo com os perigos e as incompatibilidades
A organização do depósito precisa considerar a classificação de perigos e os possíveis efeitos de um vazamento.
Entre os controles que devem ser avaliados estão:
- separação de substâncias incompatíveis;
- contenção secundária;
- controle de temperatura;
- ventilação;
- proteção contra fontes de ignição;
- aterramento, quando aplicável;
- resistência das estruturas;
- proteção contra impactos;
- sinalização;
- controle de acesso;
- limite de armazenamento;
- disponibilidade de equipamentos de emergência;
- inspeção das embalagens;
- limpeza e organização.
A matriz de compatibilidade deve ser construída a partir de informações técnicas confiáveis. Não é adequado utilizar apenas o nome comercial ou uma regra genérica para determinar quais produtos podem permanecer juntos.
6. Controlar fracionamentos e movimentações internas
Quando um produto é transferido para outro recipiente, sua identidade e seus perigos precisam continuar reconhecíveis.
Recipientes secundários não devem permanecer sem identificação ou apresentar rótulos de produtos utilizados anteriormente.
O controle interno deve permitir saber:
- qual produto foi transferido;
- de qual embalagem ele foi retirado;
- em qual setor será utilizado;
- qual quantidade foi movimentada;
- quem realizou a operação;
- quando ocorreu a transferência;
- quais perigos precisam ser comunicados.
Mangueiras, bombas, funis e equipamentos de transferência também devem ser compatíveis com o produto e permanecer identificados quando houver risco de troca, mistura ou contaminação.
7. Verificar produtos controlados
Determinadas substâncias podem estar submetidas ao controle da Polícia Federal, do Exército Brasileiro ou de órgãos estaduais.
O enquadramento depende de fatores como:
- produto;
- concentração;
- quantidade;
- atividade realizada;
- finalidade;
- condição de armazenamento;
- movimentação;
- hipóteses de isenção.
A indústria deve comparar periodicamente seu inventário com as listas oficiais. Também precisa verificar se as licenças abrangem os produtos, as atividades e os endereços corretos.
A existência de um documento válido não garante, isoladamente, que a operação esteja regular. Mudanças de formulação, concentração, fornecedor ou processo podem alterar o enquadramento.
A legislação sobre produtos químicos controlados da Polícia Federal deve ser consultada para verificar as listas, regras, documentos e procedimentos vigentes.
8. Classificar corretamente os produtos para transporte
Produto controlado e produto perigoso para transporte não são sinônimos.
“Produto controlado” se refere à fiscalização exercida por determinado órgão. Já a classificação como perigoso para transporte considera os perigos apresentados durante a operação logística.
Assim, uma substância pode ser:
- controlada, mas não classificada como perigosa para transporte;
- perigosa para transporte, mas não controlada;
- enquadrada nas duas condições;
- não enquadrada em nenhuma delas.
A expedição precisa avaliar, quando aplicável:
- número ONU;
- nome apropriado para embarque;
- classe ou subclasse de risco;
- grupo de embalagem;
- provisões especiais;
- quantidades limitadas;
- adequação das embalagens;
- marcação e rotulagem;
- documentação;
- sinalização do veículo;
- compatibilidade no carregamento.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres mantém uma área específica com atos normativos, orientações e informações relacionados ao transporte terrestre de produtos perigosos.
9. Preparar a resposta a vazamentos e emergências
A empresa deve planejar a resposta antes da ocorrência. Os procedimentos precisam ser compatíveis com os produtos existentes e com os possíveis cenários da operação.
O planejamento deve considerar:
- identificação dos possíveis cenários;
- isolamento da área;
- proteção das pessoas;
- acionamento das equipes responsáveis;
- consulta à FDS;
- seleção de materiais absorventes;
- contenção;
- recolhimento;
- descontaminação;
- ventilação;
- atendimento aos trabalhadores;
- comunicação aos órgãos competentes, quando necessária;
- classificação e destinação dos resíduos;
- investigação da causa.
Kits de emergência não devem ser montados de forma genérica. O material utilizado para conter uma substância pode ser inadequado ou reativo diante de outra.
Treinamentos e simulados ajudam a verificar se os recursos, procedimentos e responsabilidades são suficientes para os cenários previstos.
10. Gerenciar resíduos e embalagens contaminadas
Produtos vencidos, sobras, resíduos de limpeza, materiais absorventes, embalagens contaminadas e produtos recolhidos precisam ser avaliados antes da destinação.
A gestão deve preservar:
- identificação;
- compatibilidade;
- condições de armazenamento temporário;
- classificação;
- quantidades;
- rastreabilidade;
- documentação de transporte;
- comprovação da destinação.
Misturar resíduos sem avaliação pode produzir reações perigosas e dificultar o tratamento. A empresa também deve evitar que recipientes contaminados sejam reutilizados indevidamente.
Controles essenciais em cada etapa da gestão química
| Etapa | Controle principal | Evidência esperada | Risco reduzido |
| Seleção | Avaliação técnica antes da compra | FDS, análise de perigos e aprovação interna | Entrada de produto incompatível com a operação |
| Recebimento | Conferência física e documental | Registro de inspeção e identificação do produto | Vazamentos, trocas e divergências |
| Inventário | Cadastro centralizado e atualizado | Relação de produtos, quantidades, setores e FDS | Produtos desconhecidos ou sem avaliação |
| Armazenamento | Segregação por perigo e compatibilidade | Matriz de incompatibilidade e inspeções | Reações, incêndios e contaminação |
| Utilização | Controle de manuseio e exposição | Procedimentos, treinamentos e registros | Exposição ocupacional e uso incorreto |
| Controle legal | Verificação de licenças e obrigações | Autorizações, declarações e movimentações | Autuações, apreensões e paralisações |
| Transporte | Classificação e expedição adequadas | Documentação, marcação e identificação da carga | Retenções, irregularidades e acidentes |
| Resíduos | Classificação e destinação comprovada | Registros e documentos de destinação | Passivos ambientais e descarte irregular |
Quais são os erros mais comuns na gestão química?
Manter inventários diferentes em cada setor
Compras, segurança, meio ambiente e produção utilizam listas que não correspondem entre si. Como resultado, alguns produtos permanecem sem FDS, licença ou avaliação de risco.
Comprar antes da aprovação técnica
A substância chega à empresa antes que sejam verificadas as condições necessárias para armazenamento, uso, transporte e destinação.
Tratar a FDS como um arquivo administrativo
O documento é guardado, mas não é analisado nem utilizado na definição de controles, procedimentos, equipamentos de proteção e treinamentos.
Armazenar produtos por ordem alfabética
Substâncias incompatíveis podem ficar próximas e reagir em caso de vazamento ou ruptura de embalagem.

Perder a identificação após o fracionamento
O produto é transferido para recipientes secundários sem informações suficientes para reconhecer seu conteúdo e seus perigos.
Acompanhar somente a validade das licenças
A autorização pode estar vigente, mas não abranger determinado produto, atividade, quantidade, concentração ou endereço.
Desconsiderar os produtos de empresas terceirizadas
Materiais utilizados em manutenção, limpeza, obras e controle de pragas entram na unidade sem avaliação ou cadastro.
Confundir produto controlado com produto perigoso
Essa falha pode provocar tanto o descumprimento de exigências dos órgãos fiscalizadores quanto erros na classificação para transporte.
Quais são os benefícios de uma gestão química estruturada?
Uma gestão eficiente contribui para:
- prevenção de acidentes;
- redução da exposição ocupacional;
- melhoria da resposta a emergências;
- identificação de produtos obsoletos;
- redução de estoques vencidos;
- prevenção de compras duplicadas;
- organização das licenças;
- maior confiabilidade documental;
- armazenamento mais seguro;
- redução de passivos ambientais;
- conformidade no transporte;
- preparação para auditorias e fiscalizações;
- apoio à substituição de substâncias perigosas;
- decisões mais seguras em mudanças de processo.
A gestão também fornece informações para projetos de ampliação. Ao conhecer os volumes, perigos e incompatibilidades existentes, a empresa pode dimensionar áreas, contenções, ventilação e recursos de emergência com base em dados reais.
Perguntas frequentes sobre gestão de produtos químicos na indústria
1.Toda indústria precisa manter um inventário químico?
A empresa precisa conhecer os produtos presentes em suas instalações, inclusive os utilizados por laboratórios, manutenção, limpeza e terceiros. O nível de detalhamento deve ser compatível com as substâncias, quantidades e atividades realizadas.
2.Todo produto químico precisa de FDS?
A obrigação e o tipo de informação aplicável dependem da classificação do produto e dos requisitos previstos na NR-26 e na ABNT NBR 14725. A empresa deve avaliar o enquadramento e manter as informações de segurança necessárias para o uso adequado.
3.Produtos químicos podem ser armazenados por ordem alfabética?
A ordem alfabética pode facilitar a localização, mas não deve ser o principal critério de organização. A prioridade é separar os produtos conforme seus perigos, características e incompatibilidades.
4.A FDS define sozinha quais EPIs devem ser utilizados?
Não. A FDS fornece informações importantes, mas a definição das medidas de controle deve considerar a atividade, a forma de exposição, a duração, a frequência e as condições reais do processo.
5.Como controlar produtos utilizados por empresas terceirizadas?
A contratante deve exigir a relação dos materiais, as respectivas FDS e a aprovação prévia. Também precisa definir responsabilidades relacionadas ao armazenamento, treinamento, resposta a emergências e retirada dos resíduos.
6.Uma licença válida garante que a empresa está regular?
Não necessariamente. É preciso verificar se o documento abrange os produtos, concentrações, atividades, quantidades e endereços envolvidos na operação.
7.Produto controlado é o mesmo que produto perigoso para transporte?
Não. O controle por órgãos públicos e a classificação para transporte seguem critérios e finalidades diferentes. O enquadramento precisa ser analisado separadamente para evitar falhas regulatórias e logísticas.
Como a Intertox pode apoiar a gestão química da sua indústria?
A Intertox é uma consultoria especializada na gestão dos riscos químico, toxicológico e ambiental. Suas soluções apoiam empresas que produzem, utilizam, armazenam, transportam ou destinam produtos químicos.
O suporte técnico pode abranger inventários, classificação de perigos, elaboração e revisão de FDS, rotulagem GHS, produtos controlados, transporte de produtos perigosos, diagnóstico da operação e análise de conformidade.
Com informações centralizadas e controles compatíveis com os riscos existentes, sua indústria pode reduzir falhas documentais, prevenir acidentes e tomar decisões mais seguras sobre aquisição, armazenamento, movimentação, transporte e destinação de produtos químicos.
Se sua empresa precisa identificar lacunas, atualizar documentos ou organizar seus controles, solicite uma análise da equipe da Intertox e fortaleça a segurança química em todas as etapas da operação.