Skip to main content

Intertox

Quais empresas precisam de uma Gestão de Segurança Química

A exposição a produtos químicos é uma realidade em diversos setores da economia, não apenas na indústria química. Empresas que utilizam, armazenam ou transportam substâncias perigosas estão cada vez mais sujeitas a exigências legais, auditorias e fiscalização intensificada no Brasil.

O problema é que muitas organizações ainda subestimam os riscos envolvidos. A falta de controle sobre produtos químicos pode gerar acidentes, autuações, passivos ambientais e até paralisação das atividades.

Com a atualização de normas como a NR-26 e a ABNT NBR 14725:2023, além da consolidação do GHS no país, a gestão de segurança química nas empresas deixou de ser uma prática opcional e passou a ser uma exigência operacional.

Neste artigo, você vai entender quais empresas precisam dessa gestão, como ela funciona na prática e quais riscos podem ser evitados ao estruturar esse processo corretamente.

O que é gestão de segurança química nas empresas?

A gestão de segurança química nas empresas é o conjunto de processos, controles e práticas adotados para garantir o uso seguro de produtos químicos ao longo de todo o ciclo operacional, desde a aquisição até o descarte.

Ela envolve identificação de riscos, classificação conforme o GHS, elaboração da Ficha com Dados de Segurança, rotulagem adequada, treinamento de colaboradores e controle de armazenamento.

O objetivo é reduzir riscos à saúde, evitar impactos ambientais e garantir conformidade com a legislação vigente. Por isso, empresas que lidam com produtos perigosos precisam avaliar não apenas a operação interna, mas também transporte, documentação, resíduos e cadeia de fornecedores.

Cenário atual e importância da gestão de segurança química

A presença de agentes químicos no ambiente de trabalho é mais comum do que parece. Empresas industriais, hospitais, laboratórios, distribuidoras, transportadoras, empresas de limpeza, construção civil e agronegócio podem ter contato direto com substâncias classificadas como perigosas.

Além disso, o Brasil segue diretrizes internacionais por meio do GHS, incorporado pela ABNT NBR 14725, o que exige padronização na comunicação de perigos químicos.

Na prática, isso impacta diretamente a rotina empresarial, pois aumenta a necessidade de documentação técnica, rastreabilidade, rotulagem adequada e controle sobre armazenamento, transporte e descarte.

Empresas que não se adequam enfrentam riscos como multas, interdições, acidentes, danos ambientais e perda de reputação. Em casos de transporte interestadual ou marítimo de produtos perigosos, por exemplo, o Ibama orienta sobre autorização ambiental para transporte de produtos perigosos, o que reforça a importância de uma gestão estruturada.

Como funciona na prática a gestão de segurança química nas empresas

A implementação da gestão de segurança química nas empresas segue uma lógica estruturada. Na prática, ela envolve etapas claras:

  • Levantamento de produtos químicos: identificação de todas as substâncias utilizadas na operação.
  • Classificação de perigos: avaliação dos riscos físicos, à saúde e ao meio ambiente conforme critérios aplicáveis.
  • Elaboração da FDS: documento obrigatório com informações de segurança do produto.
  • Rotulagem adequada: aplicação de pictogramas, frases de perigo e recomendações de precaução.
  • Treinamento de colaboradores: capacitação sobre manuseio, riscos e resposta a emergências.
  • Armazenamento seguro: separação por compatibilidade química e controle de estoque.
  • Plano de emergência: definição de procedimentos para vazamentos, incêndios e exposição.

Esse processo deve ser contínuo e atualizado conforme mudanças na operação. Empresas que importam produtos químicos, por exemplo, também precisam observar documentos, responsabilidades e exigências regulatórias específicas, como explicado no conteúdo da Intertox sobre importação de produtos químicos.

Aspectos técnicos e normativos que as empresas precisam atender

A gestão de segurança química nas empresas está diretamente ligada a normas técnicas e exigências legais no Brasil.

Entre os principais pontos estão:

  • NR-26: trata da sinalização, classificação e rotulagem preventiva de produtos químicos.
  • ABNT NBR 14725:2023: define critérios para classificação, FDS e rotulagem.
  • GHS: sistema internacional de classificação e comunicação de perigos químicos.
  • Legislação ambiental: envolve controle de resíduos químicos, transporte e descarte adequado.

Além disso, empresas que transportam produtos perigosos devem observar regulamentações específicas. O uso inadequado de embalagens, por exemplo, pode gerar não conformidades operacionais e riscos ao meio ambiente, tema abordado pela Intertox em conteúdo sobre embalagens no transporte de produtos perigosos.

Outro ponto relevante é a exigência de documentação atualizada, especialmente a FDS, que deve refletir corretamente os riscos do produto conforme o GHS. A rotulagem também exige atenção, principalmente em embalagens reduzidas ou situações em que o rótulo completo não é viável. Esse tema é detalhado no artigo da Intertox sobre rotulagem de embalagens reduzidas e meios alternativos.

Quais empresas precisam de gestão de segurança química?

A gestão de segurança química nas empresas não se limita à indústria química. Ela é necessária para qualquer organização que utilize produtos químicos no seu processo produtivo, operacional, assistencial, laboratorial, logístico ou de manutenção.

Entre os principais setores estão:

  • indústrias químicas;
  • farmacêuticas;
  • indústrias alimentícias;
  • empresas de cosméticos;
  • construção civil;
  • agronegócio;
  • hospitais e laboratórios;
  • empresas de limpeza e saneamento;
  • indústrias de plástico e polímeros;
  • transportadoras de produtos perigosos;
  • distribuidoras e importadoras de produtos químicos.

Mesmo empresas de menor porte podem ser obrigadas a implementar essa gestão, dependendo do tipo de produto utilizado, do volume armazenado, da classificação de risco e da exposição dos trabalhadores.

Tabela: empresas e nível de exigência em gestão química

SetorUso de químicosNível de riscoExigência de gestão
Indústria químicaAltoAltoMuito alta
FarmacêuticaAltoAltoMuito alta
Alimentos e bebidasMédioMédioAlta
Construção civilMédioMédioAlta
AgriculturaAltoAltoMuito alta
Hospitais e laboratóriosMédioAltoMuito alta
CosméticosMédioMédioAlta
Limpeza profissionalMédioMédioAlta

Principais erros relacionados à gestão de segurança química nas empresas

Muitas empresas falham na implementação da gestão de segurança química nas empresas por erros recorrentes. Esses problemas costumam surgir quando a organização trata produtos químicos apenas como itens de estoque, sem considerar os requisitos técnicos, legais e ambientais envolvidos.

1. Não possuir FDS atualizada

Documentos desatualizados comprometem a conformidade e aumentam riscos operacionais. A FDS deve estar disponível, correta e compatível com o produto utilizado.

2. Falta de treinamento da equipe

Colaboradores despreparados aumentam a probabilidade de acidentes. A equipe precisa entender riscos, pictogramas, medidas de proteção e procedimentos de emergência.

3. Armazenamento inadequado

A mistura de produtos incompatíveis pode causar reações perigosas, incêndios, vazamentos ou contaminações. Por isso, o armazenamento deve considerar compatibilidade química, ventilação, contenção e sinalização.

4. Rotulagem incorreta ou inexistente

A ausência de rotulagem adequada dificulta a identificação de riscos e pode violar normas aplicáveis. Esse problema também compromete a resposta em emergências.

5. Ausência de plano de emergência

Empresas sem plano de emergência não sabem como agir em situações críticas, como derramamentos, incêndios, exposição acidental ou transporte de produto perigoso.

Benefícios de aplicar corretamente a gestão de segurança química

A adoção estruturada da gestão de segurança química nas empresas gera ganhos diretos para a operação e para a governança corporativa.

  • redução de acidentes de trabalho;
  • diminuição de passivos ambientais;
  • maior eficiência operacional;
  • conformidade com normas e auditorias;
  • fortalecimento da imagem da empresa;
  • redução de custos com multas, interdições e indenizações;
  • melhor rastreabilidade de produtos e documentos;
  • mais segurança em processos de transporte, armazenamento e descarte.

Além disso, empresas alinhadas com práticas de segurança química se destacam em processos de certificação, auditorias de fornecedores e programas ESG.

Gestão de resíduos químicos e responsabilidade ambiental

A segurança química não termina no uso do produto. O descarte, o tratamento e a destinação de resíduos também exigem controle técnico e responsabilidade ambiental.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece diretrizes importantes para a gestão de resíduos no Brasil. No caso de resíduos perigosos, a atenção deve ser ainda maior, pois falhas na destinação podem gerar impactos ambientais, responsabilização legal e prejuízos à imagem da empresa.

Por isso, a gestão de segurança química nas empresas deve integrar inventário de produtos, classificação de riscos, armazenamento, transporte, documentação, treinamento e descarte.

Perguntas frequentes sobre gestão de segurança química nas empresas

Toda empresa precisa implementar gestão de segurança química?

  • Não necessariamente. A obrigatoriedade depende do uso de produtos químicos. Porém, qualquer empresa que utilize substâncias perigosas deve implementar controles mínimos para reduzir riscos e atender às exigências aplicáveis.

O que é a FDS?

  • A Ficha com Dados de Segurança é um documento técnico que informa riscos, medidas de proteção, condições de armazenamento, transporte e procedimentos de emergência relacionados a um produto químico.

Qual norma regula a segurança química no Brasil?

  • A principal referência é a ABNT NBR 14725, alinhada ao GHS, além da NR-26, que trata da sinalização de segurança e da comunicação de perigos químicos no ambiente de trabalho.

Pequenas empresas também precisam se adequar?

  • Sim. O porte não isenta a empresa. O que define a necessidade de adequação é o tipo de produto utilizado, sua classificação de risco, a forma de armazenamento, o volume e a exposição dos trabalhadores.

Quais são os riscos de não implementar essa gestão?

  • Multas, interdição, acidentes de trabalho, danos ambientais, processos judiciais, perda de contratos e problemas em auditorias.

Resumo prático sobre gestão de segurança química nas empresas

A gestão de segurança química nas empresas é uma exigência operacional para qualquer negócio que utilize substâncias químicas em sua rotina.

Ela envolve controle técnico, adequação normativa e capacitação da equipe, com foco em reduzir riscos e garantir conformidade.

Empresas que negligenciam esse processo aumentam significativamente sua exposição a acidentes, penalidades legais e prejuízos financeiros.

Por outro lado, organizações que estruturam essa gestão operam com mais segurança, eficiência e previsibilidade.

Fale com especialistas em segurança química

Se sua empresa utiliza produtos químicos e ainda não possui uma gestão estruturada, o risco não está apenas na operação. Está também na conformidade legal.

Contar com especialistas permite implementar processos corretos, adequar documentação e evitar problemas com fiscalização.

A Intertox apoia empresas na gestão segura de produtos químicos, documentos de segurança, rotulagem, transporte, armazenamento e conformidade regulatória.Fale com um especialista e entenda como estruturar a gestão de segurança química na sua empresa com segurança e respaldo técnico.

Descomplicando a Rotulagem: O que a regulamentação diz sobre embalagens reduzidas e meios alternativos? 

A NR-26 exige que produtos químicos sejam rotulados com base no GHS, porém sabemos que no dia a dia industrial nem sempre é viável aplicar rótulos GHS completos em embalagens reduzidas.
 
Por isso, a norma ABNT NBR 14725:2023 prevê flexibilidades inteligentes (em seu item 6.7.2) para que possam ser utilizadas nesse tipo de embalagem, como por exemplo, o uso de bulas, etiquetas tipo TAG e até embalagens intermediárias, desde que as informações críticas de identificação e emergência estejam preservadas. Mais do que isso, para uso interno, a normativa permite meios alternativos, de fluxogramas a sistemas eletrônicos, desde que a equipe seja devidamente treinada. 

Em qualquer meio utilizado como apresentado anteriormente, o fornecedor deve incluir na embalagem que imediatamente contenha a substância ou a mistura no mínimo as seguintes informações: 

  • identificação do produto; 
  • nome e telefone de emergência do fornecedor. 

 
Atenção: Caso essas informações não estejam dispostas na embalagem que imediatamente contenha o produto, deve ser incluída uma menção clara sobre o meio utilizado para fornecer as informações exigidas, como, por exemplo “Veja a bula”. 

Ainda, caso o produto não tenha a finalidade de ser fornecido internamente ou vendido, os empregadores podem utilizar meios alternativos de comunicação ao invés da rotulagem para informar os perigos do GHS relacionados aos produtos químicos (item 6.8.4 da norma). Como por exemplo, o uso de documentos de segurança resumidos, o uso de sinalização permanente para tubulações fixas (por exemplo, cores ou placas nos pontos de operação, como válvulas de uso ou amostragem)  ou até mesmo em uso de procedimentos operacionais. 

É importante ressaltar que a comunicação deve ser clara, adequada e padronizada com o GHS e que o público-alvo deve ser treinado para compreender os meios de comunicação de perigo específicos utilizados no local de trabalho e como obtê-los. 

Para transformar a complexidade normativa em resultados práticos e eficientes, a solução Safetychem®, é o software de segurança química desenvolvido pela Intertox, uma ferramenta essencial para uma gestão eficiente e segura de produtos químicos. No Safetychem®, foi desenvolvido o documento Ficha de Comunicação de Perigo, que pode ser adotada como documento de comunicação de perigos em formato resumido, na condição de meio alternativo, desde que esteja alinhada aos requisitos estabelecidos da ABNT NBR 14725:2023, bem como aos critérios de clareza e precisão estabelecidos pela NR-26.   

Com o Safetychem® Mobile (iOS e Android), permite acesso às Fichas de Seguranças atualizadas a qualquer hora, em qualquer lugar. 

Garanta a conformidade da sua operação com o Safetychem®, entre em contato com os nossos canais de atendimento! 
 

Suporte em assuntos regulatórios: como lidar com regulamentações de produtos químicos

As regulamentações de produtos químicos no Brasil estão passando por uma mudança relevante com a criação do Inventário Nacional de Substâncias Químicas. Para empresas químicas, importadoras, distribuidoras e indústrias usuárias de substâncias químicas, esse novo cenário exige mais controle técnico, rastreabilidade e governança regulatória.

Antes mesmo de avaliar os impactos da nova legislação, é importante entender que a conformidade química já depende de uma estrutura documental sólida, incluindo classificação de perigo, FDS, rotulagem, controle de importação e gestão de substâncias. Nesse contexto, temas como o processo regulatório para importação de produtos químicos passam a ter relação direta com o novo inventário.O Inventário Nacional de Substâncias Químicas foi instituído pela Lei nº 15.022/2024, que estabelece regras para cadastro, avaliação e controle de risco de substâncias químicas utilizadas, produzidas ou importadas no território nacional.

Regulamentações de produtos químicos

O que é o Inventário Nacional de Substâncias Químicas?

O Inventário Nacional de Substâncias Químicas é um instrumento regulatório criado para reunir informações sobre substâncias químicas fabricadas, importadas ou utilizadas no Brasil. A proposta é permitir que o poder público conheça melhor o universo de substâncias em circulação no país e possa avaliar seus riscos à saúde humana e ao meio ambiente.

Na prática, o inventário aproxima o Brasil de modelos internacionais de gestão de substâncias químicas, em que empresas precisam manter dados técnicos atualizados e comprovar que suas operações estão alinhadas às exigências de segurança química.

Por que o novo inventário muda a rotina das empresas?

Com o Inventário Nacional de Substâncias Químicas, as empresas químicas precisarão tratar a gestão regulatória como parte estratégica do negócio. Não se trata apenas de cumprir uma obrigação burocrática, mas de organizar informações técnicas que podem impactar produção, importação, comercialização e continuidade operacional.

Entre os pontos de atenção estão:

  • identificação correta das substâncias químicas;
  • levantamento de volume produzido ou importado;
  • organização de dados toxicológicos e ecotoxicológicos;
  • adequação de FDS e rótulos;
  • revisão de processos internos de controle regulatório;
  • monitoramento de exigências complementares.

Empresas que não estruturarem essas informações com antecedência podem enfrentar dificuldades para atender prazos, responder solicitações técnicas e comprovar conformidade.

Quem pode ser impactado pelo Inventário Nacional de Substâncias Químicas?

O impacto do Inventário Nacional de Substâncias Químicas não se limita aos fabricantes de produtos químicos. A legislação também alcança importadores e pode afetar empresas que utilizam substâncias químicas em seus processos produtivos.

Entre os segmentos mais sensíveis estão:

  • indústrias químicas;
  • fabricantes de saneantes;
  • empresas de tintas, solventes, adesivos e resinas;
  • indústrias cosméticas;
  • empresas farmacêuticas;
  • distribuidores de insumos químicos;
  • importadores de matérias-primas;
  • indústrias que utilizam químicos em processos produtivos.

Relação entre inventário, FDS e rotulagem química

A implementação do Inventário Nacional de Substâncias Químicas reforça a necessidade de manter documentos técnicos consistentes. A FDS, ou Ficha com Dados de Segurança, deve apresentar informações confiáveis sobre identificação, perigos, composição, medidas de controle, transporte, armazenamento e descarte.

Além disso, a rotulagem química precisa estar alinhada às exigências brasileiras. A Intertox já aborda esse ponto no conteúdo sobre rotulagem de produtos químicos e embalagens reduzidas, tema diretamente conectado à comunicação de perigos e à gestão segura de substâncias.

Quando há divergência entre FDS, rótulo, classificação GHS, composição e informações regulatórias, a empresa aumenta o risco de inconsistência perante órgãos fiscalizadores.

Quais informações devem ser organizadas pelas empresas?

Embora a regulamentação operacional ainda dependa de atos complementares, a Lei nº 15.022/2024 já indica que o cadastro deve considerar dados essenciais sobre as substâncias químicas. Por isso, as empresas devem começar a estruturar uma base técnica mínima.

Área de informaçãoO que a empresa deve revisarRisco de não conformidade
Identificação químicaNome da substância, CAS, composição e purezaCadastro incorreto ou incompleto
VolumeQuantidade fabricada, importada ou utilizadaErro de enquadramento regulatório
PerigosClassificação GHS e dados toxicológicosFDS e rótulo inconsistentes
UsoAplicações industriais e cadeia de fornecimentoDificuldade em responder exigências técnicas
DocumentaçãoFDS, laudos, certificados e registrosAutuações, bloqueios ou exigências adicionais

O papel da avaliação e do controle de risco

O Inventário Nacional de Substâncias Químicas não serve apenas para cadastro. Ele também cria uma base para avaliação e controle de risco das substâncias químicas utilizadas, produzidas ou importadas no Brasil.

Isso significa que determinadas substâncias poderão ser avaliadas com mais profundidade, especialmente quando houver indícios de risco à saúde ou ao meio ambiente. O governo também disponibilizou materiais relacionados à regulamentação da Lei nº 15.022/2024, indicando avanço na construção dos procedimentos de implementação.

Para empresas químicas, esse movimento exige atenção constante. Uma substância hoje comercializada sem restrições específicas pode, futuramente, ser submetida a medidas de gerenciamento de risco.

Como o inventário afeta importadores de produtos químicos?

Importadores tendem a ser um dos grupos mais impactados pelo Inventário Nacional de Substâncias Químicas. Isso porque a empresa brasileira será responsável por reunir informações técnicas de substâncias adquiridas no exterior, mesmo quando o fornecedor estrangeiro não estiver familiarizado com as exigências brasileiras.

Na prática, será necessário revisar:

  • FDS recebida do fornecedor internacional;
  • adequação da FDS ao formato brasileiro;
  • classificação de perigo conforme GHS;
  • dados de composição;
  • restrições de uso;
  • documentos de transporte e armazenamento;
  • enquadramento em listas de controle.

Esse cuidado é ainda mais importante em operações com produtos controlados, substâncias perigosas, insumos industriais e produtos sujeitos à fiscalização sanitária, ambiental ou aduaneira.

Impactos operacionais para empresas químicas

O Inventário Nacional de Substâncias Químicas pode gerar mudanças em diferentes áreas da empresa. O setor regulatório tende a ser o mais diretamente envolvido, mas compras, importação, qualidade, pesquisa e desenvolvimento, jurídico, meio ambiente e segurança do trabalho também serão impactados.

Entre os principais impactos operacionais estão:

  • necessidade de mapear todas as substâncias químicas utilizadas;
  • revisão da documentação técnica de fornecedores;
  • integração entre áreas internas;
  • criação de processos de atualização regulatória;
  • maior controle sobre alterações de formulação;
  • registro e rastreabilidade de dados técnicos.

Riscos para empresas que não se prepararem

Ignorar o Inventário Nacional de Substâncias Químicas pode gerar riscos relevantes. Empresas sem dados técnicos organizados podem ter dificuldades para cadastrar substâncias, responder exigências, comprovar segurança ou manter operações regulares.

Os riscos incluem:

  • inconsistência documental;
  • atrasos em importações;
  • exigências complementares de órgãos reguladores;
  • multas e penalidades administrativas;
  • bloqueio de operações;
  • perda de competitividade frente a empresas já adequadas.

Além disso, a gestão inadequada de produtos químicos também pode impactar transporte, armazenamento e descarte. O tema se conecta, por exemplo, aos riscos de uso inadequado de embalagens no transporte de produtos perigosos, que envolve responsabilidade técnica e regulatória.

Como as empresas devem se preparar?

A preparação para o Inventário Nacional de Substâncias Químicas deve começar antes da exigência operacional plena. Empresas que esperam a regulamentação final para iniciar o levantamento interno poderão enfrentar acúmulo de demandas e falta de dados confiáveis.

Um plano de adequação pode incluir:

  1. inventário interno de substâncias químicas;
  2. revisão de FDS e rótulos;
  3. checagem de dados de composição;
  4. validação de fornecedores nacionais e internacionais;
  5. classificação de perigo conforme GHS;
  6. avaliação de volumes produzidos ou importados;
  7. monitoramento das publicações oficiais;
  8. estruturação de governança regulatória.

O inventário como ferramenta de competitividade

Embora o Inventário Nacional de Substâncias Químicas represente uma nova obrigação regulatória, ele também pode gerar vantagem competitiva. Empresas com informações técnicas bem estruturadas tendem a responder mais rápido a clientes, auditorias, órgãos públicos e parceiros internacionais.

Em mercados regulados, conformidade deixou de ser apenas uma exigência legal. Ela se tornou um critério de confiança, acesso a mercados, redução de riscos e proteção da reputação corporativa.

Quando buscar suporte técnico especializado?

Empresas devem buscar suporte técnico quando não possuem equipe interna com domínio em toxicologia, assuntos regulatórios, classificação GHS, FDS, rotulagem, importação e avaliação de risco químico.

O suporte especializado ajuda a:

  • identificar lacunas documentais;
  • corrigir inconsistências técnicas;
  • organizar dados para cadastro;
  • avaliar riscos regulatórios;
  • preparar equipes internas;
  • reduzir exposição a penalidades.

Prepare sua empresa para o novo cenário regulatório

O Inventário Nacional de Substâncias Químicas marca uma nova fase da segurança química no Brasil. Empresas químicas que atuarem de forma preventiva terão mais previsibilidade, segurança e capacidade de adaptação às exigências regulatórias.

Se a sua empresa precisa revisar substâncias, FDS, rotulagem, importação ou gestão regulatória de produtos químicos, conte com a Intertox.Fale com um especialista e prepare sua operação para atender ao Inventário Nacional de Substâncias Químicas com segurança técnica e conformidade regulatória.

Acidente com carga tóxica no Piauí reforça importância da classificação no transporte de produtos perigosos

Um grave acidente envolvendo o transporte de produtos químicos ocorreu recentemente no município de Bertolínia, no Piauí, quando um caminhão carregado com galões de defensivo agrícola tombou nas proximidades de um balneário local e caiu em um riacho da região.

Com o impacto do acidente, parte da carga se rompeu e o produto químico vazou diretamente para a água.

Após o vazamento, imediatamente foram observadas mortes de peixes e um odor muito forte, o que levou autoridades ambientais e equipes de emergência a interditarem o local. A população foi orientada a não utilizar a água para banho, pesca ou consumo, enquanto são realizadas as análises para avaliar a extensão da contaminação.

Produto não foi divulgado, mas rótulos indicam substância perigosa

Até o momento, não foi informado oficialmente qual defensivo agrícola estava sendo transportado. No entanto, imagens divulgadas do caminhão após o acidente mostram claramente os rótulos de risco utilizados no transporte de produtos perigosos.

Entre os rótulos visíveis estão:

  • Símbolo ‘caveira e ossos cruzados’ – Subclasse 6.1 – Substâncias tóxicas
  • Símbolo ‘peixe e árvore’ – Poluente marinho

Essas sinalizações fazem parte do sistema internacional de identificação de perigos utilizado no transporte de produtos químicos.

Perigo ambiental explica morte de peixes

A classificação de transporte “Poluente marinho” é utilizada para substâncias que podem causar efeitos adversos para o ambiente aquático (organismos aquáticos que vivam na água, bem como o ecossistema aquático do qual fazem parte).

Quando ocorre um derramamento em corpos d’água, como no caso do riacho atingido pelo acidente, mesmo pequenas quantidades podem causar toxicidade para peixes, crustáceos e/ou outros organismos aquáticos.

Esse tipo de perigo é comum em diversos defensivos agrícolas, que muitas vezes possuem formulações altamente tóxicas para organismos aquático e sua maioria são vendidos concentrados para uso em diluição.

A importância da classificação correta para transporte de produtos perigosos

A classificação de produtos perigosos para transporte é um dos pilares da gestão de segurança química. Ela define como uma substância deve ser identificada, rotulada, embalada e transportada.

Esse processo permite:

  • identificar os perigos físicos, toxicológicos e ambientais de um produto;
  • aplicar rótulos de risco adequados no veículo e nas embalagens;
  • garantir que a carga seja transportada conforme as exigências regulatórias;
  • fornecer informações críticas para resposta a emergências.

Em situações como acidentes rodoviários, essas informações são essenciais para que equipes de resgate, autoridades ambientais e defesa civil compreendam rapidamente os riscos envolvidos e adotem medidas adequadas para conter os impactos.

Gestão química é essencial para reduzir riscos no transporte

Acidentes envolvendo produtos químicos podem gerar impactos ambientais significativos, principalmente quando há contaminação de rios, lagos ou áreas de uso público.

Por isso, empresas que fabricam, comercializam ou transportam produtos químicos precisam garantir que seus produtos estejam corretamente classificados para transporte, conforme regulamentações nacionais e internacionais.

A correta classificação permite identificar perigos como toxicidade (Subclasse 6.1) e perigo ao meio ambiente, contribuindo para uma gestão de riscos mais eficiente e para a proteção da saúde humana e do meio ambiente.

Como a consultoria em gestão química pode ajudar

Empresas que lidam com produtos químicos precisam atender a diversas exigências regulatórias relacionadas à classificação de perigos, rotulagem e transporte de cargas perigosas.

Uma consultoria especializada pode apoiar em atividades como:

  • classificação de produtos perigosos para transporte (ANTT / IMDG / IATA)
  • elaboração e revisão de Fichas com Dados de Segurança (FDS)
  • avaliação de perigos ambientais e toxicológicos
  • adequação de rotulagem e comunicação de perigos
  • suporte regulatório para transporte e comercialização de produtos químicos

Além de garantir conformidade regulatória, essas medidas contribuem para reduzir riscos operacionais e ambientais ao longo de toda a cadeia logística.

Treinamento em FDS (antiga FISPQ): por que sua equipe precisa saber interpretar corretamente

A Ficha com Dados de Segurança (FDS) é um dos principais instrumentos de comunicação de perigos no ambiente de trabalho. Contudo, mais do que possuir a FDS atualizada conforme a ABNT NBR 14725, é fundamental garantir que sua equipe saiba interpretar e aplicar corretamente as informações contidas nesse documento.

Empresas que mantêm a documentação formalmente adequada, mas não capacitam seus colaboradores, permanecem expostas a riscos operacionais, legais e ocupacionais que poderiam ser evitados com treinamento técnico direcionado.

A capacitação é, inclusive, um requisito normativo, exigido na Norma Regulamentadora de nº 26 e que prevê penalização pelo seu descumprimento.

Segundo a NR 26:

26.5.1 A organização deve assegurar o acesso dos trabalhadores às fichas com dados de
segurança dos produtos químicos que utilizam no local de trabalho.
26.5.2 Os trabalhadores devem receber treinamento

Portanto, todo trabalhador com contato direto ou indireto com produtos químicos — independente da área de atuação — deve (ou seja, é obrigatório) receber capacitação para:

a) para compreender a rotulagem preventiva e a ficha com dados de segurança do produto
químico; e
b) sobre os perigos, os riscos, as medidas preventivas para o uso seguro e os procedimentos
para atuação em situações de emergência com o produto químico.

Esse conhecimento desempenhará papel fundamental na prevenção de acidentes mediante aos variados riscos existentes dentro de um ambiente de trabalho, na correta interpretação de informações constantes em Fichas com Dados de Segurança (FDS) e na promoção da cultura de segurança.


Por que o treinamento em FDS (antiga FISPQ) é indispensável

A FDS é estruturada em 16 seções obrigatórias, reunindo informações sobre:

  • Classificação de perigos
  • Medidas de primeiros socorros
  • Combate a incêndio
  • Manuseio e armazenamento
  • Incompatibilidade
  • Controle de exposição e EPIs
  • Propriedades física e químicas
  • Informações toxicológicas e ecotoxicológicas

Sem capacitação adequada, é comum que colaboradores:

  • Interpretem incorretamente os perigos
  • Tenham uma percepção de risco inadequada
  • Desconheçam o antídoto e orientações em caso de contato
  • Não reconheçam riscos toxicológicos relevantes
  • Desconsiderem as condições seguras para armazenamento
  • Apliquem procedimentos inadequados em situações de emergência

Assim, portanto, o treinamento transforma a FDS em uma ferramenta prática de prevenção — e não apenas um requisito documental.


Principais riscos de uma equipe não treinada

A ausência de capacitação pode resultar em:

❌ Manipulação inadequada
❌ Evolução de quadros clínicos após o contato com produtos químicos
❌ Armazenamento incompatível de produtos, soluções e misturas
❌ Falhas ao responder auditorias e fiscalizações
❌ Não conformidade com a NR 26 e requisitos normativos

Em auditorias e inspeções, não basta apresentar a FDS: é frequentemente avaliado se os colaboradores sabem interpretar e aplicar suas informações no dia a dia.

Além disso, a empresa pode receber autuações de órgãos como a Policia Civil ou Federal, que se embasa no DECRETO Nº 10.088, DE 5 DE NOVEMBRO DE 2019, o qual exige:

Artigo 6. 1. A autoridade competente, ou os organismos aprovados ou reconhecidos pela autoridade competente, em conformidade com as normas nacionais ou internacionais, deverão estabelecer sistemas e critérios específicos apropriados para classificar todos os produtos químicos em função do tipo e do grau dos riscos físicos e para a saúde que os mesmos oferecem, e para avaliar a pertinência das informações necessárias para determinar a sua periculosidade.

Artigo 7. 1. Todos os produtos químicos deverão portar uma marca que permita a sua identificação.

Artigo 8. 1. Os empregadores que utilizem produtos químicos perigosos deverão receber fichas com dados de segurança que contenham informações essenciais detalhadas sobre a sua identificação, seu fornecedor, a sua classificação, a sua periculosidade, as medidas de precaução e os procedimentos de emergência.


Benefícios diretos do treinamento em FDS para a empresa

  • Redução de riscos e acidentes, pois os colaboradores treinados identificam perigos antes que se tornem acidentes.
  • Conformidade regulatória, alinhamento às exigências normativas e à versão vigente da ABNT NBR 14725 e da NR 26.
  • Padronização operacional com a equipe que passa a adotar critérios técnicos uniformes para manuseio, armazenamento e resposta a emergências.
  • Fortalecimento da cultura de segurança, uma vez que o conhecimento técnico promove consciência, responsabilidade e prevenção.

Quem deve receber treinamento em FDS

O treinamento deve abranger todos os profissionais que, direta ou indiretamente, lidam com produtos químicos:

  • Produção
  • Almoxarifado e logística
  • Segurança do trabalho
  • Meio ambiente
  • Qualidade
  • Supervisores e lideranças
  • Recebimento

Cada área utiliza a FDS sob uma perspectiva diferente — por isso, o treinamento precisa ser adaptado à realidade operacional da área e da empresa.

Podendo incluir, especificidades dos produtos manipulados na área, abordando sua classificação, produtos de decomposição, riscos presentes, EPI’s adequados, meios de extinção, materiais para contenção, ações em caso de emergências e outras informações personalizadas e dedicadas aos produtos em questão.


Como deve ser um treinamento realmente eficaz

Um treinamento eficiente deve abordar:

  • Explicar detalhadamente as 16 seções da FDS
  • Ensinar a interpretar a classificação GHS e frases H
  • Orientar sobre EPIs e medidas de controle
  • Trabalhar cenários reais de emergência
  • Utilizar exemplos práticos dos produtos da própria empresa
  • Detalhar as informações presentes na rotulagem e o que estas significam
  • Estar totalmente alinhado à versão vigente da norma

Na Intertox, nossos treinamentos customizados para empresas são estruturados com base nos produtos, processos e riscos específicos de cada cliente, garantindo aplicabilidade imediata.


Treinamento Customizado em FDS – Intertox

O curso in company da Intertox vai além da teoria. Ele integra:

  • Interpretação técnica aprofundada
  • Aplicação prática à rotina operacional
  • Discussão de casos reais
  • Atualização normativa
  • Espaço para dúvidas específicas da equipe

Nosso objetivo é transformar a FDS em uma ferramenta estratégica de gestão de risco químico, fortalecendo a conformidade e reduzindo vulnerabilidades.


Quer capacitar sua equipe com um treinamento técnico personalizado?

📩 Solicite um orçamento para treinamento customizado:
👉 https://materiais.intertox.com.br/cursos-in-company

Capacitação técnica, conteúdo atualizado e aplicação real no dia a dia.