Cianeto: conheça a toxicologia e os casos de intoxicação

Cianeto: conheça a toxicologia e os casos de intoxicação
5 anos atrás

Cianeto (do grego κυανός (kyanós) = “de cor azul-esverdeada” + sufixo), é um composto químico (C≡N), com uma ligação tríplice entre o átomo de carbono e o de nitrogênio.

O que é cianeto de hidrogênio?

O cianeto de hidrogênio é um gás incolor com típico odor amargo, lembrando amêndoas. Os cianetos de sódio e de potássio são pós brancos. Sendo assim, podemos definir que o cianeto possui cor branca.

O cianeto de hidrogênio (CAS 74-90-8, fórmula molecular HCN) é um agente ubíquo encontrado na natureza. 

A sua liberação no ambiente ocorre através de emissões vulcânicas, queima de biomassa, e, de vários processos biológicos naturais através de bactérias, algas e fungos superiores. 

O cianeto é também encontrado em vegetais, tais como:

  • mandioca;
  • bambu;
  • frutas;
  • entre outros.

Existem também relatos de intoxicações letais por cianeto pela ingestão de plantas ainda no Egito antigo. O cianeto é também subproduto da queima de diversos componentes usados na indústria, como:

  • plástico;
  • acrílico;
  • espuma de poliuretano.

O cianeto de hidrogênio é empregado como precursor em síntese de muitos compostos químicos, o que varia entre polímeros e plásticos. Também é aplicado na indústria farmacêutica e para fumigação em navios e edifícios.

Tal composto tem um histórico de uso peculiar. Isso porque além de ser empregado como composto químico, foi empregado como arma química.

1. Casos de intoxicação por cianeto em incêndios

  • 05/12/2009: Incêndio no clube noturno Lame Horse cidade russa de Perm, 156 pessoas no total morreram. As causas de morte por cianeto foram envenenamento por cianeto e outros gases tóxicos liberados pela queima de espuma de plástico e poliestireno usada na construção de interiores de clubes.
  • 27/01/2013:Incêndio na boate do Kiss na cidade de Santa Maria, RS, envenenamento por cianeto de centenas de jovens por cianeto liberado pela combustão de espuma insonorizada feita com poliuretano. Em março de 2013, foram confirmadas 241 mortes, através do cianeto veneno e cianeto espuma.

2. Cianeto em câmara de gás e execução em massa

  • O cianeto de hidrogênio na forma de Zyklon B foi usado em campos de extermínio alemães durante a Segunda Guerra Mundial, a partir de março de 1942, quando foi usado pela primeira vez experimentalmente para assassinar prisioneiros de guerra russos em Auschwitz.
  • O uso do produto foi aumentado rapidamente até as câmaras de gás que foram construídas como parte do novo complexo de crematórios em Auschwitz-Birkenau.
  • O gás cianeto foi usado para execução judicial em alguns estados dos EUA.

3. Cianeto como agente químico de guerra e terrorismo

  • O cianeto foi empregado como potencial arma química na União Soviética e nos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960.
  • Em 1995, um dispositivo foi descoberto em um banheiro na estação de metrô Kayabacho Tóquio, consistindo em sacos de cianeto de sódio e ácido sulfúrico com um motor controle remoto para rompê-los no que se acreditava ser uma tentativa do culto Aum Shinrikyo de produzir tóxicos.
  • Em 2003, a Al Qaeda teria planejado liberar gás cianeto no sistema do metrô da cidade de Nova York. O ataque foi supostamente abortado.

4. Cianeto como agente para suicídio

  • Na Operação Artilharia de 1943 para destruir a Planta de Varejo de Água Pesada na Segunda Guerra Mundial os comandos receberam comprimidos de cianeto e foram instruídos a morder em caso de captura alemã (morte em 3 minutos).
  • O cianeto foi o agente suicida preferido do Terceiro Reich. Foi usado para se suicidar por Erwin Rommel (1944), depois de ser acusado de conspirar contra Hitler; esposa de Adolf Hitler, Eva Braun (1945); pelos líderes nazistas Heinrich Himmler (1945), possivelmente Martin Bormann (1945) e Hermann Göring (1946).
  • Em 28 de junho de 2012, o comerciante de Wall Street, Michael Marin, ingeriu uma pílula de cianeto após ter sido culpado do incêndio em Phoenix. Morreu minutos depois.

5. Cianeto e intoxicação ocupacional e na mineração

  • Em 2000, um derramamento na Baia Mare, na Roménia, resultou no pior desastre ambiental na Europa desde Chernobyl.
  • Em 2000, Allen Elias, CEO da Evergreen Resources foi condenado por conhecer o risco de intoxicação por cianeto do empregado Scott Dominguez. Esta foi uma das primeiras ações judiciais bem sucedidas de um executivo corporativo pela Environmental Protection Agency.

Como o cianeto age em nosso organismo?

O cianeto é um composto extremamente tóxico, e atua desativando as enzimas que contem ferro FE+++, produzindo anóxia devido a ligação ao sítio ativo do citocromo c oxidase – proteína terminal na cadeia de transporte de elétrons na membrana mitocondrial.

Quando uma pessoa é intoxicada por cianeto, ela tem a capacidade de desativar essas enzimas, e as que contêm cobalto. 

O efeito letal por anóxia histotóxica (redução dos níveis de oxigênio nos tecidos) ocorre devido à ligação do cianeto ao sítio ativo (íon férrico). 

Este sítio é o do citocromo c oxidase (ou citocromo a-a3), uma proteína terminal na cadeia de transporte de elétrons na membrana da mitocôndria. 

Tal interação inibe a mudança de estado do ferro à forma ferrosa (Fe++) e a transferência de elétrons para o oxigênio molecular, impossibilitando uso do oxigênio e a síntese de ATP (adenosina trifosfato) no cianeto cadeia respiratória.

Assim, apesar do oxigênio disponível no sangue, não pode ser gerado ATP por meio da cadeia respiratória, ocorrendo interrupção do metabolismo aeróbico nas células. 

Inicialmente, ocorre um mecanismo de compensação com a formação de ATP pela via glicolítica. Todavia, tal mecanismo compensatório é insuficiente para a demanda biológica. 

Quais os sistemas mais afetados por cianeto?

Os sistemas mais afetados envolvem o metabolismo cardíaco e do sistema nervoso central, que dependem da via aeróbica e possuem metabolismo anaeróbico limitado.

Ocorre a interrupção do metabolismo aeróbico nas células, assim as que possuem um tecido e não podem utilizar oxigênio, perdem o funcionamento adequado e ocorre a morte celular. 

Tal efeito a depender da concentração do cianeto e a via de exposição, pode provocar a hipóxia tecidual e a morte, em poucos minutos.

Quais os principais sintomas da exposição?

Os sintomas dependem do nível de exposição ao elemento, bem como do nível de toxicidade do material. A saúde ocupacional deve ser uma preocupação para as empresas, além do que é um direito do trabalhador. Os sintomas podem variar entre leve, moderado e severos, confira:

Toxicidade leve

  • Náusea;
  • Tontura;
  • Sonolência.

Toxicidade moderada

  • Perda de consciência por curto período;
  • Convulsão;
  • Vômito;
  • Cianose.

Toxicidade severa

  • Coma profundo;
  • Pupilas dilatadas não reativas;
  • Deterioração da função cardiorrespiratória;
  • Pode ocorrer a morte.

 Há tratamento para a intoxicação?

Com a intoxicação por cianeto estabelecida, o uso da hidroxicobalamina tem sido uma das opções mais consideradas no tratamento imediato de vítimas de incêndios. 

A hidroxicobalamina se completa com o cianeto formando cianocobalamina, atóxica, a qual é excretada na urina.

Existem outros antídotos para a intoxicação por cianeto, entretanto, a aplicação deve ser muito rápida e adequada. São empregados os seguintes antídotos: agentes metemoglobinizantes, os complexantes e doadores de enxofre.

Para prevenir incidentes com o cianeto em sua instituição é fundamental tomar medidas preventivas. De forma a evitar possíveis problemas com este material tóxico, é importante começar com a informação e educação dos profissionais.

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REFERÊNCIAS, NOTAS OU LINKS
Toxicology in box. Brian T. Kloss and Travis Bruce. 2014Centro de assistência toxicológica do Hospital das Clínicas da Uaniversidade de São Paulo – www.med.fm.usp.br/dim/homepage/a105/ceatox.htm
Mais informações:
www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK28380
www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0910/cianetos/p5.html
www.inchem.org/documents/antidote/antidote/ant02.htm
www.who.int/ipcs/publications/cicad/en/cicad61.pdf
www.inchem.org/documents/pims/chemical/pimg003.htm
www.inchem.org/documents/cicads/cicads/cicad61.htm#7.9
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