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Nova classe de perigo do GHS contempla substâncias e misturas que contribuem para o aquecimento global

A atualização amplia os critérios de classificação de perigos para o sistema atmosférico e reforça a importância de identificar substâncias com elevado potencial de aquecimento global.

A 11ª edição revisada do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS), publicada pelas Nações Unidas em 2025, trouxe uma importante atualização para a classificação e comunicação de perigos ambientais: a inclusão da classe de perigo “Perigoso por contribuir para o aquecimento global” (Hazardous by contributing to global warming). Esta mudança amplia o escopo dos critérios anteriormente voltados à proteção da camada de ozônio e passa a contemplar, de maneira específica e diferenciada, os efeitos de determinadas substâncias e misturas sobre o aquecimento global.

A atualização também alterou a estrutura do capítulo 4.2 do GHS, que passou a ser denominado “Perigoso para o sistema atmosférico” (Hazardous to the atmospheric system). O capítulo reúne os critérios de classificação dos dois perigos referentes ao sistema atmosférico: a destruição da camada de ozônio e a contribuição para o aquecimento global.

O que é o aquecimento global e por quê ele importa?

O aquecimento global corresponde ao aumento da temperatura média da superfície terrestre e dos oceanos, associado, principalmente, ao acúmulo de gases do chamado “efeito estufa” na atmosfera em decorrência das atividades humanas.

O efeito estufa é um fenômeno natural e fundamental para a manutenção das condições de temperatura que permitem a vida na Terra. Entretanto, o aumento da concentração de determinados gases intensifica a retenção de energia na atmosfera, contribuindo para o desequilíbrio do sistema climático.

Entre os gases que contribuem para esse processo, os mais conhecidos são o dióxido de carbono (CO₂), o metano (CH₄), o óxido nitroso (N₂O) e determinados gases fluorados, como os hidrofluorcarbonetos (HFCs). Essas substâncias podem apresentar capacidades distintas de retenção de calor e diferentes tempos de permanência na atmosfera.

O aumento da temperatura média global está associado a impactos como alterações nos padrões de precipitação, intensificação de ondas de calor, mudanças na frequência e na intensidade de determinados eventos climáticos extremos, derretimento de geleiras, elevação do nível do mar e prejuízos aos ecossistemas, à biodiversidade, à agricultura e à saúde humana.

Nesse contexto, a identificação de substâncias com potencial de contribuir para o aquecimento global amplia as ferramentas disponíveis para a comunicação de perigos ambientais e subsidia decisões relacionadas à fabricação, ao uso e ao gerenciamento de produtos químicos.

Qual é a diferença entre aquecimento global e destruição da camada de ozônio?

Embora ambos sejam fenômenos atmosféricos relacionados a determinados compostos químicos, o aquecimento global e a destruição da camada de ozônio são processos diferentes.

A camada de ozônio, localizada predominantemente na estratosfera, absorve grande parte da radiação ultravioleta biologicamente nociva proveniente do Sol. Sua destruição aumenta a exposição à radiação UV, podendo causar efeitos adversos à saúde humana, como maior incidência de câncer de pele e catarata, além de impactos sobre organismos e ecossistemas.

Já o aquecimento global está relacionado ao balanço energético do planeta e à capacidade de determinados gases de reter energia na atmosfera.

Algumas substâncias podem contribuir para ambos os fenômenos. É o caso de determinados clorofluorcarbonetos (CFCs), que apresentam potencial de destruição da camada de ozônio e também elevado potencial de aquecimento global. Outras, como os HFCs, foram desenvolvidas como alternativas a substâncias que destroem a camada de ozônio, mas algumas apresentam elevado potencial de aquecimento global.

A inclusão da nova classe no GHS permite que esses efeitos sejam avaliados e comunicados de maneira independente, sem pressupor que toda substância que contribui para o aquecimento global também destrua a camada de ozônio.

Como funciona a nova classificação de perigo?

O capítulo 4.2 do GHS estabelece critérios específicos para a classificação de substâncias e misturas perigosas para o sistema atmosférico. Na 11ª edição revisada, os critérios são organizados em duas classes de perigo, avaliadas independentemente.

  • Perigoso para a camada de ozônio

Essa classe contempla substâncias controladas que apresentam potencial de destruição da camada de ozônio e misturas que contenham pelo menos um ingrediente listado nos anexos pertinentes do Protocolo de Montreal, em concentração igual ou superior a 0,1%.

  • Perigoso por contribuir para o aquecimento global

A nova classe contempla substâncias controladas que apresentam potencial de aquecimento global listado nos anexos pertinentes do Protocolo de Montreal. Também se aplica a misturas que contenham pelo menos um ingrediente listado com esse potencial, em concentração igual ou superior a 0,1%.

Para ambas as classes, a categorização se resume a uma única categoria “Categoria 1“.

É importante observar que a classificação não se baseia exclusivamente na presença de gases de efeito estufa. Para aplicar os critérios do capítulo 4.2, é necessário verificar se (1) a substância está contemplada nas listagens pertinentes do Protocolo de Montreal e se (2) atende às condições estabelecidas para a classificação.

Além disso, os critérios de classificação deste capítulo aplicam-se a substâncias e misturas, não abrangendo equipamentos, artigos e aparelhos que contenham substâncias perigosas para o sistema atmosférico, como sistemas de refrigeração e ar-condicionado. O GHS também estabelece uma exceção para inaladores médicos durante a administração intencional do medicamento.

O que é o potencial de aquecimento global (GWP)?

O potencial de aquecimento global, conhecido pela sigla GWP (Global Warming Potential), é uma métrica que compara a capacidade de uma substância de contribuir para o aquecimento da atmosfera com a de um gás de referência, geralmente o dióxido de carbono (CO₂).

Essa métrica considera o efeito radiativo acumulado, incluindo efeitos diretos e indiretos, ao longo de um horizonte temporal definido, em relação à emissão de uma massa equivalente de CO₂.

O horizonte de 100 anos é amplamente utilizado para expressar o GWP, embora outros períodos também possam ser considerados, dependendo da finalidade da avaliação e da referência adotada.

Por exemplo, uma substância com GWP de 1000 apresenta um potencial de aquecimento global mil vezes maior que o do CO₂, considerando a mesma massa emitida e o mesmo horizonte temporal de avaliação. Essa métrica permite comparar o potencial climático de diferentes gases, mas o impacto efetivo de suas emissões também depende da quantidade liberada e das características da substância, como seu tempo de permanência na atmosfera.

O GWP é, portanto, uma métrica útil para comparar o potencial de aquecimento global de diferentes gases. Sua interpretação deve considerar o horizonte temporal adotado e, para avaliar o impacto efetivo das emissões, a quantidade liberada e as características da substância.

Como deve ser feita a comunicação do perigo no rótulo?

Para as substâncias e misturas classificadas na Categoria 1 como “perigosas por contribuir para o aquecimento global”, o GHS estabelece elementos específicos de comunicação de perigos.

Os elementos previstos na Tabela 4.2.3 do capítulo 4.2 da 11ª revisão são:

  • Pictograma de perigo: Ponto de exclamação.
  • Palavra de advertência: Atenção.
  • Frase de perigo: “Prejudica a saúde pública e o meio ambiente ao contribuir para o aquecimento global” (tradução livre de “Harms public health and the environment by contributing to global warming”, já que este perigo ainda não foi adotado pela ABNT NBR 14725 para ter uma tradução oficial).

A frase de perigo corresponde à de código H421 na versão oficial do GHS.

Quando uma mesma substância ou mistura atende simultaneamente aos critérios de perigo para a camada de ozônio e de perigo por contribuir para o aquecimento global, o GHS permite combinar as respectivas frases de perigo, conforme os princípios previstos em seu Anexo 3.

Essa possibilidade favorece uma comunicação mais objetiva, sem deixar de informar os diferentes efeitos ambientais associados ao produto.

A inclusão da nova classe também reforça a importância da avaliação consistente da composição dos produtos, da identificação dos ingredientes relevantes e da atualização dos elementos de comunicação de perigos quando os critérios aplicáveis forem adotados pela regulamentação pertinente.

Onde consultar as substâncias abrangidas pelo Protocolo de Montreal?

O Protocolo de Montreal sobre “Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio” é um acordo internacional estabelecido em 1987 para controlar a produção e o consumo de substâncias responsáveis pela destruição da camada de ozônio. Ao longo dos anos, o tratado recebeu ajustes e emendas, incorporando novos controles e informações científicas.

Embora tenha sido criado com foco na proteção da camada de ozônio, o Protocolo também passou a contemplar substâncias com potencial de aquecimento global, especialmente por meio de disposições relacionadas aos hidrofluorcarbonetos (HFCs), introduzidas pela Emenda de Kigali.

As listas de substâncias controladas pelo Protocolo de Montreal, incluindo os valores de potencial de destruição da camada de ozônio e de potencial de aquecimento global pertinentes, estão disponíveis nos anexos do acordo, publicados pelo Secretariado do Ozônio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP).

Para verificar as substâncias abrangidas pelos critérios do capítulo 4.2 do GHS, consulte os anexos pertinentes e suas atualizações no site oficial do Secretariado do Ozônio.

Acesse: Protocolo de Montreal – Secretariado do Ozônio (UNEP)

Quais são os impactos para a classificação e a comunicação de perigos?

A inclusão da classe “Perigoso por contribuir para o aquecimento global” amplia o escopo de avaliação dos perigos ambientais no GHS e exige atenção dos profissionais envolvidos na classificação de produtos químicos, na elaboração de Fichas com Dados de Segurança (FDS) e na preparação de rótulos.

Entre os principais pontos de atenção estão a verificação da composição dos produtos, a consulta às listagens pertinentes do Protocolo de Montreal, a avaliação dos critérios aplicáveis às misturas e a identificação dos elementos de rotulagem correspondentes.

A mudança também evidencia a necessidade de acompanhar as atualizações internacionais do GHS e avaliar sua incorporação às regulamentações nacionais e regionais aplicáveis. A publicação de uma nova edição do GHS pelas Nações Unidas não significa, por si só, que todos os seus critérios tenham sido automaticamente incorporados à legislação de cada país.

É importante destacar que a inclusão dessa classe na 11ª edição revisada do GHS não implica sua aplicação automática no Brasil. A ABNT NBR 14725:2023, alinhada à 7ª edição revisada do GHS, contempla critérios para substâncias perigosas à camada de ozônio, mas não incorpora a nova classe relacionada à contribuição para o aquecimento global. Assim, essa classe ainda não constitui um critério de classificação previsto nessa norma brasileira, devendo ser acompanhadas eventuais atualizações normativas sobre o tema.

Para os profissionais da área, o acompanhamento dessas mudanças no GHS é essencial para antecipar adequações futuras e manter os processos de classificação e rotulagem alinhados aos requisitos normativos aplicáveis.

ECHA recomenda a classificação como “substância tóxica à reprodução” para o Ácido trifluoroacético e seus sais.

Em 06/10/2026, o Comitê para Avaliação de Risco (Committee for Risk Assessment – RAC) da ECHA (European Chemicals Agency) anunciou sua recomendação para a classificação do ácido trifluoroacético (TFA) e seus sais inorgânicos sejam classificados como substâncias tóxicas para a reprodução.

O Comitê também recomendou que essas substâncias sejam identificadas como persistentes, móveis e tóxicas (PMT) e como muito persistentes e muito móveis (vPvM), em razão de seu potencial de causar contaminação de longo prazo dos recursos hídricos.

Caso o Comissão Europeia (EC) aceite a recomendação, o ácido trifluoroacético e seus sais inorgânicos passam a ter as seguintes classificações adicionais à sua classificação harmonizada atual:

– Tóxico para a reprodução Categoria 1B (efeitos no desenvolvimento) e Categoria 2 (fertilidade), gerando a frase H360Df “Pode prejudicar o feto. Suspeita-se que prejudique a fertilidade”.

– Também sejam identificadas como persistentes, móveis e tóxicas (PMT) e como muito persistentes e muito móveis (vPvM), em razão de seu potencial de causar contaminação de longo prazo dos recursos hídrico¹.

¹ As classificações PMT e vPvM são adotadas especificamente no âmbito da regulamentação europeia e, portanto, não alteram diretamente as classificações ou os documentos elaborados de acordo com a regulamentação brasileira. Ainda assim, constituem informações técnicas importantes para a avaliação dos perigos e dos possíveis impactos ambientais dessas substâncias.

Além do acima descrito, o ácido trifuoroacético (somente ele) teve a recomendação adicional de classificação como “Toxicidade aguda oral – categoria 4” (frase de perigo H302 “Nocivo se ingerido”), com uma estimativa de toxicidade aguda (ETA) de 500 mg/kg de peso corporal, e “Toxicidade aguda inalatória – categoria 3” (frase de perigo H331 “Tóxico se inalado”), com uma ETA de 3 mg/L (vapores).

Relevância da atualização

A recomendação da ECHA está relacionada à disponibilidade de novas informações sobre os perigos das substâncias avaliadas. Embora a decisão se insira no contexto regulatório europeu, os dados técnicos utilizados na avaliação poderão ser considerados por autoridades de outras jurisdições, influenciando futuras classificações de perigo adotadas em outros países.

Além disso, o TFA é uma substância amplamente utilizada em laboratórios e em diferentes aplicações industriais. Essa utilização pode resultar em exposição ocupacional e em liberações para o meio ambiente, o que reforça a importância da adoção de medidas adequadas de gerenciamento de risco.

A identificação dessas substâncias como muito persistentes e muito móveis é particularmente relevante. Além de permanecerem no meio ambiente por longos períodos, sua elevada mobilidade pode favorecer o transporte pelo solo e a contaminação de águas subterrâneas. Esse comportamento pode aumentar a exposição ambiental e, potencialmente, representar uma preocupação para a saúde pública, especialmente em regiões que utilizam águas subterrâneas para abastecimento.

Conclusão

A recomendação do RAC não representa, por si só, a entrada imediata em vigor das novas classificações, mas constitui uma etapa relevante do processo regulatório europeu. Empresas que fabricam, importam, utilizam ou comercializam o ácido trifluoroacético e seus sais devem acompanhar o andamento da proposta e avaliar antecipadamente seus possíveis impactos sobre a classificação de perigo, a rotulagem, as fichas de dados de segurança, os controles de exposição ocupacional e as medidas de prevenção da contaminação ambiental.

Mesmo em países nos quais as classificações PMT e vPvM não são formalmente adotadas, as informações que fundamentaram a recomendação podem contribuir para avaliações de risco mais abrangentes e para o fortalecimento das práticas de gestão segura dessas substâncias.

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Quais são os itens essenciais para elaboração de um rótulo GHS no Brasil? 

O rótulo de produtos químicos é uma das principais ferramentas de comunicação de perigos, fornecendo informações cruciais sobre composição, os riscos e as precauções necessárias para o manuseio seguro, garantindo a segurança de seus usuários. No Brasil, há as diretrizes estabelecidas pela ABNT NBR 14725:2023, que informa as especificações necessárias para a rotulagem GHS de produtos químicos perigosos no local de trabalho. A rotulagem GHS não substitui especificidades já regulamentadas por outros setores.

Requisitos de conteúdo e disposição 

  • Identificação do produto
    Deve conter a mesma identificação do produto conforme utilizado na FDS. 
  • Identificação do fornecedor 
    Deve conter o nome, endereço e o(s) número(s) de telefone de emergência. 
  • Identidade química  
    Deve incluir a identidade química da substância ou, no caso de misturas, dos ingredientes que contribuam para a classificação de perigos.   

Importante: As palavras de advertência, as frases de perigo, as frases de precaução e os pictogramas de perigo devem ser colocados próximos uns dos outros no rótulo do produto químico perigoso.  

Dimensões e legibilidade 

  • Letras 
    Devem ser legíveis e claras, com tamanho mínimo de 1 mm. 
  • Durabilidade 
    O rótulo do produto químico deve ser confeccionado em material que resista às condições normais de uso, transporte e armazenagem durante todo o prazo de validade do produto.   
  • Idioma 
    As informações de segurança devem estar obrigatoriamente na língua oficial do Brasil, sendo permitido o uso concomitante de outros idiomas.   

Pictogramas 

  • Podem constar na própria embalagem do produto químico perigoso, próximos do rótulo e na mesma superfície da embalagem, porém devem estar afixados sobre fundo de cor contrastante. 
  • O tamanho mínimo do(s) pictograma(s) de perigo deve ser de 1 cm x 1 cm, exceto no caso de embalagens com dimensões que só comportem rótulos menores, desde que assegurem a legibilidade.  
  • Podem ser usados pictogramas de precaução, devendo ter tamanho mínimo de 1 cm x 1 cm ou ter diâmetro mínimo de 1 cm, exceto no caso de embalagens com dimensões que só comportem rótulos menores, desde que assegurem a legibilidade.  

Cenários específicos 

  • Exportação 
    O rótulo das embalagens destinadas exclusivamente à exportação não precisa atender aos requisitos do GHS, porém, durante a armazenagem ou outra operação relacionada ao produto destinado à exportação, meios alternativos para comunicação do perigo conforme GHS, no idioma oficial do Brasil, devem ser utilizados para transmissão das informações aos possíveis trabalhadores expostos. 
  • Importação  
    O rótulo do produto químico não necessita obedecer aos requisitos desta Norma, até a chegada ao destino final do processo de importação.  
  • Metais e ligas 
    No caso de metais e ligas presentes na forma de sólidos não dispersáveis, a comunicação da informação de perigo pode ser fornecida somente através da FDS. A rotulagem conforme esta Norma é opcional. 

E no caso de produtos químicos não classificados como perigosos?   

A rotulagem de produto químico não classificado como perigoso deve conter no mínimo as seguintes informações:  

  • Identificação do produto;  
  • Identificação do fornecedor: contendo o nome, o endereço e o(s) número(s) de telefone de emergência;  
  • Uma das duas frases: “Não classificado como perigoso de acordo com a ABNT NBR 14725” ou “Não classificado como perigoso conforme GHS da ONU”; 
  • Recomendações de precaução. 

Impacto para empresas 

A ausência de conformidade na rotulagem de produtos químicos de acordo com a ABNT NBR 14725:2023, podem ocasionar nos seguintes riscos: 

  • Autuações, multas e interdição de produtos 
  • Danos à reputação da empresa 
  • Aumento do risco de acidentes e à saúde ocupacional 
  • Transtornos logísticos  

A solução Safetychem®, é o software de segurança química desenvolvido pela Intertox, uma ferramenta essencial para uma gestão eficiente e segura de produtos químicos. No Safetychem®, está disponível o módulo de rotulagem de acordo com os requisitos normativos da ABNT NBR 14725:2023, bem como aos critérios de clareza e precisão estabelecidos pela NR-26, em diversos tamanhos e modelos.  

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Implementação do sistema GHS em empresas químicas: Principais desafios

A comunicação de perigos químicos deixou de ser apenas uma exigência documental e passou a integrar diretamente a segurança operacional, a conformidade regulatória e a gestão de riscos nas empresas. Fabricantes, importadores, distribuidores e usuários de produtos químicos precisam garantir que substâncias e misturas estejam corretamente classificadas, rotuladas e documentadas.

Nesse cenário, a implementação do sistema GHS tornou-se parte essencial da rotina de empresas que atuam com produtos químicos industriais, laboratoriais, cosméticos, saneantes, tintas, adesivos, combustíveis, produtos agrícolas e diversas outras aplicações.

O problema é que muitas organizações ainda tratam o GHS apenas como obrigação ligada à rotulagem, sem integrar classificação de perigos, FDS, treinamento, armazenamento, transporte e gestão documental. Isso gera inconsistências regulatórias, falhas operacionais e riscos à segurança dos trabalhadores.

Neste artigo, você entenderá como funciona a implementação do sistema GHS, quais etapas devem ser consideradas, quais erros mais geram problemas e como estruturar um processo eficiente de adequação em empresas químicas.

O que é implementação do sistema GHS?

A implementação do sistema GHS é o processo de adequação das empresas ao Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos. O objetivo do GHS é padronizar a comunicação de perigos químicos por meio de critérios técnicos de classificação, rótulos preventivos e Ficha Com Dados de Segurança (FDS).

Na prática, a implementação envolve análise das substâncias e misturas, definição de perigos físicos, à saúde e ao meio ambiente, elaboração de rótulos GHS, atualização da FDS, capacitação das equipes e alinhamento das operações às exigências regulatórias aplicáveis.

Por que o sistema GHS é importante para fabricantes e distribuidores?

Empresas que fabricam, importam, fracionam, distribuem ou comercializam produtos químicos têm responsabilidade direta sobre a comunicação adequada dos perigos associados aos seus produtos.

Quando um produto químico é colocado no mercado sem classificação correta ou com rotulagem inadequada, os riscos vão além da não conformidade documental. O problema pode afetar armazenamento, transporte, resposta a emergências, uso ocupacional e destinação ambiental.

Por isso, a implementação do sistema GHS deve estar integrada à comunicação de perigos químicos, garantindo que trabalhadores, clientes, transportadores e equipes de emergência tenham acesso a informações claras e padronizadas.

No Brasil, o GHS está integrado à NR 26 e à ABNT NBR 14725. A Norma Regulamentadora nº 26 estabelece requisitos sobre sinalização de segurança, rotulagem preventiva e FDS para produtos químicos utilizados no ambiente de trabalho. O texto oficial pode ser consultado na página da NR 26 no portal gov.br.

Além da exigência legal, o sistema GHS melhora a padronização internacional da comunicação química, facilitando exportações, relacionamento com fornecedores globais, auditorias ESG e integração de cadeias produtivas.

Como funciona a implementação do sistema GHS na prática?

A implementação do sistema GHS exige uma abordagem técnica e multidisciplinar. O processo não se limita à criação de FDS e rótulos: ele envolve avaliação química, interpretação normativa, atualização documental, disponibilização dos documentos de segurança e treinamento operacional.

Uma implementação estruturada normalmente segue as etapas abaixo:

  1. Levantamento do inventário químico: identificar todos os produtos fabricados, importados, utilizados ou distribuídos pela empresa.
  2. Análise das substâncias e misturas: avaliar composição, concentração, propriedades físico-químicas, toxicidade e ecotoxicidade.
  3. Classificação dos perigos: enquadrar os produtos conforme critérios GHS para perigos físicos, à saúde e ambientais.
  4. Elaboração ou revisão da FDS: atualizar documentos conforme a norma técnica vigente, como a ABNT NBR 14725 no Brasil.
  5. Desenvolvimento dos rótulos GHS: inserir pictogramas, palavra de advertência, frases de perigo e frases de precaução.
  6. Capacitação das equipes: treinar trabalhadores para interpretar rótulos e FDS.
  7. Integração com processos internos: alinhar armazenamento, transporte, expedição e resposta a emergências.
  8. Monitoramento contínuo: revisar produtos, fornecedores e atualizações normativas.

Empresas precisam manter controle documental contínuo das substâncias e misturas. Mudanças de formulação, concentração ou fornecedor podem alterar completamente a classificação de perigo do produto, que poderá alterar os elementos obrigatórios dos rótulos e FDS. 

Pontos técnicos que exigem mais atenção no GHS

A implementação do sistema GHS exige domínio técnico sobre classificação química e interpretação regulatória. Muitas empresas erram ao copiar informações antigas, reutilizar documentos internacionais sem adequação às normas brasileiras ou utilizar classificações incompatíveis com a composição real do produto.

1.ABNT NBR 14725:2023

Em 2023 a atualização da ABNT NBR 14725 consolidou critérios relevantes para classificação, rotulagem e elaboração da FDS. Empresas precisam revisar documentos antigos para garantir compatibilidade com os requisitos atuais.

A Intertox detalha os impactos dessa atualização no conteúdo sobre ABNT NBR 14725:2023 e impactos na FDS e rotulagem.

2.Diferença entre perigo e risco

O GHS comunica perigos intrínsecos do produto químico. Já o risco depende de fatores como a exposição, quantidade, forma de uso e medidas de controle. Essa distinção é importante para evitar interpretações equivocadas em treinamentos e auditorias.

3.Compatibilidade entre FDS e rótulo

Rótulo e FDS precisam transmitir informações coerentes, mantendo as mesmas informações entre os documentos. Divergências entre frases de perigo, frases de precaução, palavras de advertência, pictogramas, classificação ou recomendações de segurança geram inconsistência documental e exposição regulatória.

4.Capacitação operacional

A implementação do GHS não funciona sem treinamento adequado. Equipes operacionais precisam compreender a classificação de perigos, pictogramas, palavras de advertência, frases de perigo e precaução, incompatibilidades químicas, procedimentos de emergência e demais informações presentes na documentação de segurança

Esse ponto se conecta diretamente aos programas de treinamento de segurança com produtos químicos, que ajudam a transformar documentação técnica em prática operacional.

O Ministério do Trabalho e Emprego também reforça que trabalhadores expostos a produtos químicos devem compreender rotulagem preventiva e FDS conforme exigências da NR 26.

Tabela explicativa: etapas da implementação do sistema GHS

EtapaObjetivoImpacto operacionalRisco da não conformidade
Inventário químicoMapear substâncias e misturas utilizadasBase para classificação corretaProdutos sem avaliação regulatória
Classificação GHSDefinir perigos físicos, à saúde e ambientaisPadronização da comunicação químicaRotulagem e FDS incorretas e falhas de segurança
Elaboração da FDSDocumentar informações técnicas e de segurançaSuporte à operação e emergênciasNão conformidade com NR 26
Rotulagem preventivaComunicar perigos diretamente na embalagemIdentificação rápida dos riscosErros operacionais e exposição ocupacional
Treinamento das equipesGarantir interpretação correta das informaçõesMaior segurança operacionalUso inadequado de produtos químicos
Atualização contínuaManter conformidade documentalControle regulatório permanenteDocumentos desatualizados e autuações

Principais erros relacionados à implementação do sistema GHS

1. Copiar classificações internacionais sem validação

Muitas empresas utilizam documentos estrangeiros sem adequação à regulamentação brasileira e sem verificar a compatibilidade com a formulação efetivamente comercializada.

2. Não revisar produtos após mudança de fornecedor

Alterações na composição podem mudar completamente a classificação GHS do produto. A ausência de revisão gera inconsistências documentais.

3. Elaborar rótulos incompatíveis com a FDS

Pictogramas, palavras de advertência, frases de perigo e precaução devem estar alinhados entre os documentos. Divergências aumentam o risco regulatório.

4. Não treinar trabalhadores expostos

Disponibilizar documentos não basta. A equipe precisa compreender como interpretar rótulos, FDS e medidas preventivas para o manuseio e armazenamento seguro.

5. Ignorar produtos secundários ou fracionados

Produtos manipulados internamente, transferidos de embalagem ou fracionados também precisam de identificação adequada conforme o GHS.

6. Manter FDS desatualizada

Documentos antigos podem utilizar critérios incompatíveis com a ABNT NBR 14725:2023, comprometendo a conformidade regulatória.

Benefícios de implementar corretamente o sistema GHS

Uma implementação do sistema GHS bem estruturada reduz riscos operacionais e melhora a gestão química da empresa.

Os principais benefícios incluem:

  • Mais segurança ocupacional: trabalhadores compreendem melhor os perigos químicos.
  • Redução de acidentes: comunicação clara reduz erros operacionais.
  • Conformidade com a NR 26: empresa atende exigências regulatórias.
  • Padronização internacional: facilita exportação e relacionamento global.
  • Melhor rastreabilidade documental: integração entre FDS, rótulo e classificação.
  • Maior eficiência operacional: armazenamento, transporte e manuseio tornam-se mais organizados.

Além disso, empresas que implementam o GHS corretamente fortalecem programas ESG, auditorias internas e sistemas de compliance químico.

Perguntas frequentes sobre implementação do sistema GHS

1.O que significa GHS?

GHS significa Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos. O sistema padroniza a classificação e comunicação de perigos químicos associados aos produtos.

2.Quem precisa implementar o GHS?

Fabricantes, importadores, distribuidores e empresas que utilizam produtos químicos precisam atender aos requisitos de classificação, rotulagem e FDS previstos na NR 26 e ABNT NBR 14725.

3.O GHS é obrigatório no Brasil?

Sim. O GHS foi incorporado à regulamentação brasileira por meio da NR 26 e norma técnica ABNT NBR 14725, relacionadas à classificação e comunicação de perigos químicos.

4.Qual a diferença entre FDS e rótulo GHS?

O rótulo apresenta informações resumidas diretamente na embalagem. A FDS contém dados técnicos detalhados sobre perigos, composição,  manuseio, armazenamento, emergência e transporte.

5.A empresa precisa atualizar documentos antigos?

Sim. Alterações normativas, mudanças de formulação ou atualização da norma técnica ABNT NBR 14725, exigem revisão da FDS e dos rótulos.

6.Treinamento de equipe faz parte da implementação do GHS?

Sim. Trabalhadores precisam compreender os elementos de rotulagem, como pictogramas, frases de perigo e precaução, medidas preventivas e as informações presentes na FDS.

Resumo prático para empresas químicas

A implementação do sistema GHS exige integração entre classificação química, FDS, rotulagem preventiva, treinamento e gestão operacional.

Empresas precisam avaliar seus produtos, revisar documentos, atualizar rótulos e garantir que trabalhadores compreendam os perigos associados às substâncias e misturas utilizadas.

Os principais erros envolvem documentos desatualizados, classificações incorretas, ausência de treinamento e divergências entre FDS e rotulagem.

Quando o sistema GHS é implementado corretamente, a empresa melhora segurança operacional, reduz riscos regulatórios e fortalece sua gestão de produtos químicos.

Como implementar o GHS com apoio técnico especializado

A adequação ao GHS exige conhecimento regulatório, avaliação técnica e atualização contínua da documentação química. Pequenas inconsistências podem comprometer auditorias, segurança operacional e conformidade legal.

A INTERTOX apoia empresas na implementação do GHS, classificação de perigos, elaboração de FDS, rotulagem preventiva, treinamento e gestão regulatória de produtos químicos.

Se a sua empresa precisa elaborar e/ou revisar documentos, estruturar processos ou implementar corretamente o sistema GHS, fale com um especialista e conheça as soluções da INTERTOX para conformidade química e segurança operacional.