Crescente uso das "drogas da noite"

Esta semana o caso de estupro de uma menina por 30 homens escandalizou o país. Ao jornal “O Globo” ela disse: “Quando acordei tinham 33 caras em cima de mim". Os estupros realizados com a ajuda de drogas tornam-se cada vez mais freqüentes nos dias atuais devido a facilidade em conseguir essas substâncias. As drogas da noite, “designer drugs” ou “club drugs” são termos usado para designar certo número de drogas que têm como característica essencial o fato de terem sido modificadas em laboratório, com o intuito de potencializar ou criar efeitos psicoativos ou evitar efeitos indesejáveis

A burundanga, talvez a "droga de estupro" mais conhecida na América Latina, cresce de forma silvestre em quase toda a região. Segundo o Departamento de Saúde dos Estados Unidos, este alcalóide provoca desorientação, alucinações, amnésia e, em doses elevadas, pode ser mortal. No entanto, apesar da fama, é cada vez menos usada em abusos sexuais, pois ela incapacita a vitima, mas também pode torná-la agressiva.

Uma das drogas silenciosas que está substituindo a burudanga é o GHB. Seu nome científico é ácido gama-hidroxibutírico e é difícil detectá-lo. No Brasil, ele classificado como substância psicotrópica e inserido na lista B1, sob o número 33. O GHB liga-se fracamente aos receptores GABAB e diminui os níveis de atividade do sistema nervoso; esta ativação modula os sistemas dopaminérgicos e serotoninérgicos. O GHB provoca, ainda, a liberação de opióides endógenos. Sua absorção oral é rápida, com início de ação em 15 a 30 min e pico plasmático em 25 a 45 min.

A meia-vida de eliminação é dose dependente e está em torno de 20 a 53 min. O metabolismo se dá por diferentes vias:

a) GHB: a degradação ocorre no tecido cerebral por conversão em semialdeído succínico (SSA) e metabolização pelo ciclo de Krebs. A eliminação se dá quase inteiramente na forma de metabólitos.

b) GBL: é rapidamente hidrolizado no sangue em GHB.

c) 1,4 butanodiol (1,4 BD): se o GHB tem a particularidade de resultar de uma reação química reversível de GBL em GHB, o GHB pode ser o contaminante de um outro precursor, o 1,4 butanodiol, batisado « BD » ou « BDO ». Este é oxidado pela álcool-desidrogenase em gama-hidroxibutiraldeído que, por sua vez, é transformado pela aldeído-desidrogenase em GHB. Tanto o 1,4 BD como o álcool, competem pela álcool-desidrogenase, sendo que o álcool tem uma afinidade muito maior, o que pode levar a uma toxicidade prolongada no caso do uso concomitante das duas substâncias.

A ingestão concomitante de etanol e 1,4 BD, levando a uma inibição competitiva pela álcool-desidrogenase, retarda a metabolização do 1-4 BD e causa uma depressão inicial do nível de consciência seguido por uma melhora quando o etanol é metabolizado. Logo em seguida, a evolução se faz para o coma, com a disponibilização da álcool-desidrogenase. O diagnóstico se faz pela anamnese detalhada e o exame físico do paciente.

A maioria das “drogas de estupro” são eliminadas pelo organismo em menos de 12 horas e por isso recomenda-se que a vítima realize exames imediatamente para que as evidências ainda sejam descobertas. Em alguns casos apenas um exame capilar é capaz de detectar estas substâncias, porém o processo é mais longo e custoso.

Para tentar limitar o uso de fármacos em delitos sexuais, a ONU recomenda que a indústria química desenvolva medidas de segurança como adicionar corantes e sabores em seus produtos para que a vítima se dê conta se ingerir a substância. Mas essa é apenas uma recomendação. A difusão de informações sobre o problema é outro passo importante para que ele comece a ser combatido.

Referências

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