DNA como arquivo de informações digitais

Em artigo publicado na revista científica Nature, uma equipe britânica relata a codificação e inserção de um texto científico, uma foto, sonetos de Shakespeare e um trecho do famoso discurso "I Have a Dream" (Eu tenho um sonho), do líder negro norte-americano Martin Luther King, em filamentos de uma molécula de DNA produzidos artificialmente. Posteriormente a informação foi decodificada e "lida" com 100% de precisão.

Esta não é a primeira vez que o DNA é usado para armazenar informações guardadas rotineiramente em computadores. No ano passado uma equipe americana publicou na revista científica Science os resultados de um experimento parecido, quando um livro inteiro foi arquivado em DNA.

 

Segundo os autores do artigo publicado na Nature, é possível guardar por milhares de anos imensas quantidades de informação em DNA, apesar dos custos envolvidos na síntese artificial de moléculas em laboratório ainda serem extremamente altos, tecnologias novas e mais rápidas logo barateará o processo, especialmente para arquivamento em longo prazo. Uma das grandes propriedades do DNA é que não se necessita de eletricidade para o armazenamento. Basta manter o DNA em ambiente frio, seco e escuro, para que dure por um longo tempo. Fato comprovado pelos restos mortais de mamutes, que datam de milhares de anos, e quando armazenados nestas condições, têm seus DNAs rotineiramente seqüenciados.

 

Diferentemente do que acontece com outros meios de armazenagem em uso hoje, como discos rígidos e fitas magnéticas, a "biblioteca" de DNA não exigiria manutenção constante. Além disso, a natureza universal do DNA diminui a probabilidade de que haja problemas de compatibilidade, quando a tecnologia de um dado período for incapaz de ler arquivos valiosos de informações.

 

Os autores respondendo a questões levantadas por pessoas que temem que o DNA artificial se alastre pela natureza e contamine o genoma de organismos vivos, afirmam que o DNA criado não pode ser incorporado acidentalmente a um genoma, pois usa um código completamente diferente daquele usado em células de organismos vivos. Se esse DNA fosse parar dentro de um organismo vivo, seria degradado e eliminado.

 

REFERÊNCIAS, NOTAS OU LINKS

 

http://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature11875.html