Anvisa promove capacitação em Boas Práticas de Fabricação de Cosméticos e Saneantes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) disponibilizou a capacitação “Boas Práticas de Fabricação de Cosméticos e Saneantes para o Setor Regulado”, iniciativa voltada à qualificação técnica de profissionais e empresas que atuam nos setores de cosméticos e saneantes.
O curso reforça a importância das Boas Práticas de Fabricação (BPF) como elemento essencial para a conformidade sanitária, a segurança dos produtos e a melhoria contínua dos processos produtivos. A iniciativa também busca aproximar os requisitos regulatórios da rotina operacional das empresas, contribuindo para que as exigências aplicáveis sejam compreendidas e implementadas de forma prática no ambiente industrial.
Mais do que atender a requisitos normativos, a capacitação destaca a necessidade de consolidar uma cultura de qualidade nas operações fabris, assegurando que as etapas envolvidas na fabricação estejam alinhadas aos requisitos regulatórios vigentes e gerem as evidências documentais necessárias para demonstrar a conformidade sanitária da empresa. A capacitação está disponível no AVA Visa, ambiente virtual de aprendizagem da ANVISA, em formato totalmente on-line.
Lançamento da capacitação

O lançamento oficial da capacitação ocorreu em 25 de junho de 2026, em evento realizado pela ANVISA, com a participação de representantes da Agência e de importantes entidades do setor produtivo, como a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), a Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC) e a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes (ABIPLA). A programação do evento destacou a relevância da qualificação técnica e da integração entre regulação, fiscalização sanitária e indústria. Entre os temas abordados, estiveram a visão estratégica da fiscalização sanitária, a evolução e os fundamentos das Boas Práticas de Fabricação e a apresentação de diagnósticos de inspeções realizadas em empresas de cosméticos e saneantes.
Tópicos contemplados e objetivo
A capacitação tem como objetivo apoiar profissionais do setor regulado na compreensão e aplicação das Boas Práticas de Fabricação em cosméticos e saneantes, contribuindo para transformar requisitos regulatórios em práticas efetivas de qualidade no ambiente fabril.
O conteúdo está relacionado ao fortalecimento da conformidade com os requisitos aplicáveis às Boas Práticas de Fabricação previstas para os setores de cosméticos e saneantes, incluindo a RDC nº 48/2013, aplicável a produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, e a RDC nº 47/2013, aplicável a produtos saneantes.
A proposta central é reforçar que a qualidade deve estar presente em todas as etapas da operação, desde o recebimento de matérias-primas até a expedição final dos produtos. Esse enfoque contribui para que os processos sejam conduzidos de forma padronizada, rastreável e tecnicamente controlada.
Entre os assuntos contemplados, destacam-se:
- higiene, limpeza e sanitização;
- validação e calibração;
- gestão técnica de documentos e registros;
- tratamento de desvios e não conformidades;
- fundamentos das Boas Práticas de Fabricação;
- preparação para auditorias e inspeções sanitárias;
- diagnóstico de falhas recorrentes observadas em inspeções;
- oportunidades de melhoria nos processos produtivos.
Importância para o setor regulado
As Boas Práticas de Fabricação representam um dos pilares da regularidade sanitária. Para empresas que fabricam, importam, armazenam, distribuem ou comercializam cosméticos e saneantes, manter processos compatíveis com as BPF é essencial para reduzir riscos regulatórios, prevenir desvios de qualidade e garantir maior segurança ao consumidor.
A capacitação disponibilizada pela ANVISA pode apoiar empresas em diferentes frentes, como:
- treinamento de equipes técnicas, operacionais e regulatórias;
- revisão de procedimentos internos;
- fortalecimento do sistema de gestão da qualidade;
- melhoria da rastreabilidade documental;
- adequação de rotinas de fabricação, controle e armazenamento;
- preparação para inspeções e auditorias sanitárias;
- identificação de oportunidades de melhoria em processos produtivos;
- redução de riscos associados a não conformidades e falhas documentais.
A disponibilização de um curso oficial pela ANVISA representa uma oportunidade importante para o setor de cosméticos e saneantes. Além de ampliar o acesso ao conhecimento técnico, a capacitação favorece a padronização de entendimentos entre empresas, profissionais e órgãos de fiscalização.
Conte com a Intertox
A disponibilização da capacitação pela ANVISA reforça a importância da qualificação técnica contínua e da implementação efetiva das Boas Práticas de Fabricação nos setores de cosméticos e saneantes.
Nesse contexto, a Intertox atua no suporte técnico e regulatório para empresas que buscam fortalecer sua conformidade sanitária, estruturar processos internos e atender às exigências aplicáveis ao setor regulado.
Com equipe multidisciplinar e experiência em assuntos regulatórios, segurança química e gestão de conformidade, a Intertox apoia empresas em atividades como:
- avaliação de requisitos regulatórios aplicáveis a cosméticos e saneantes;
- suporte à adequação regulatória;
- elaboração e revisão de procedimentos, manuais e documentos técnicos;
- preparação para inspeções e auditorias sanitárias;
- análise de rotulagem, FDS e comunicação de perigos;
- treinamentos técnicos para equipes operacionais, regulatórias e de qualidade;
- acompanhamento de atualizações normativas junto aos órgãos competentes.
Dessa forma, a Intertox contribui para que empresas do setor mantenham seus processos alinhados às exigências da ANVISA, reduzam riscos regulatórios e fortaleçam sua atuação no mercado com segurança, qualidade e conformidade.
SDS para exportação de produtos químicos: quando e como adaptar a documentação de segurança?
A exportação de produtos químicos exige mais do que documentos comerciais, tributários e logísticos. Empresas que enviam substâncias, misturas, matérias-primas ou produtos formulados para outros países também precisam garantir que a comunicação de perigos esteja adequada às regras do mercado de destino.
Nesse contexto, a SDS para exportação, ou Safety Data Sheet, é um documento técnico essencial para reduzir riscos regulatórios, operacionais e comerciais. Ela reúne informações sobre classificação de perigos, composição, primeiros socorros, combate a incêndios, armazenamento, controle de exposição, transporte, descarte e resposta a emergências.
Embora a FDS brasileira possa servir como base técnica, ela não deve ser apenas traduzida. Cada país pode adotar versões diferentes do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos, além de possuir exigências próprias relacionadas a idioma, inventários químicos, limites ocupacionais, rotulagem e transporte.

Por isso, a SDS precisa ser analisada e adaptada conforme o país importador, o produto exportado e as condições da operação internacional.
O que é uma SDS para exportação?
A SDS para exportação é a ficha de segurança elaborada ou revisada para atender aos requisitos técnicos, linguísticos e regulatórios do país em que o produto químico será comercializado ou utilizado.
Mesmo seguindo a estrutura internacional de 16 seções, uma SDS não é automaticamente válida em todos os mercados. A empresa deve verificar se estão adequados:
- o idioma do documento;
- a classificação de perigos;
- os pictogramas e a palavra de advertência;
- as frases de perigo e precaução;
- os limites de exposição ocupacional;
- as referências regulatórias;
- as informações de armazenamento, transporte e descarte.
A adequação, portanto, envolve análise técnica e regulatória. Não se limita à tradução da FDS utilizada no Brasil.
O Sistema Globalmente Harmonizado das Nações Unidas estabelece critérios para a classificação e a comunicação dos perigos químicos. Entretanto, a forma de adoção desses critérios pode variar entre países e setores.
Quando a SDS para exportação precisa ser adaptada?
A necessidade de adequação deve ser avaliada sempre que um produto químico for destinado a outro país. A revisão é especialmente importante nas situações a seguir.
1.Exportação para mercados com regulamentação própria
Países e blocos econômicos podem adotar sistemas específicos de comunicação de perigos, como o REACH e o CLP na União Europeia, o Hazard Communication Standard nos Estados Unidos e o WHMIS no Canadá.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o Hazard Communication Standard da OSHA estabelece critérios para classificação, rótulos e fichas de segurança de produtos químicos perigosos.
2.Mudança de idioma
Alguns mercados exigem que a SDS esteja disponível no idioma oficial local. Outros podem aceitar o inglês em determinadas operações, desde que o documento atenda aos requisitos regulatórios do destino.
No Canadá, as regras do WHMIS para fornecedores de produtos perigosos determinam que as informações da SDS sejam fornecidas em inglês e francês.
3.Produto classificado como perigoso
Produtos inflamáveis, corrosivos, tóxicos, oxidantes, sensibilizantes ou perigosos ao meio ambiente exigem maior atenção na classificação e na comunicação dos riscos.
A definição correta dos perigos depende da análise da composição e da aplicação dos critérios adotados pelo país importador. O conteúdo sobre classificação GHS de substâncias e misturas apresenta os principais elementos envolvidos nesse processo.
4.Substâncias sujeitas a inventários químicos
Diversos países possuem listas de substâncias permitidas, registradas, notificadas ou submetidas a controle. A presença dos componentes do produto no inventário aplicável deve ser verificada antes da exportação.
Uma substância aparecer na SDS não significa, por si só, que ela possa ser importada ou comercializada livremente no mercado de destino.
5.Alteração da formulação
Mudanças na composição, na concentração, nas matérias-primas ou nas impurezas podem modificar a classificação de perigo e exigir uma nova versão da ficha.
6.Exigência do importador ou da autoridade local
Importadores, distribuidores, empresas multinacionais e órgãos fiscalizadores podem solicitar uma SDS específica antes da homologação, do embarque ou da liberação do produto.
Como adaptar uma SDS para exportação?
A adaptação deve seguir um processo estruturado para evitar divergências entre SDS, rótulo, documentos de transporte e requisitos regulatórios.
1. Identificar o país de destino
O primeiro passo é definir o mercado para o qual o produto será enviado. Uma mesma formulação pode exigir versões diferentes da SDS conforme o país ou bloco econômico.
As diferenças de implementação do GHS podem envolver categorias de perigo, limites de concentração, idioma, frases obrigatórias e requisitos complementares. O comparativo sobre o GHS nos países da América Latina demonstra como essas variações afetam documentos e rótulos.
2. Levantar a composição do produto
A empresa deve reunir informações completas e rastreáveis sobre:
- substâncias presentes;
- números CAS;
- concentrações ou faixas de concentração;
- impurezas relevantes;
- propriedades físicas e químicas;
- dados toxicológicos e ecotoxicológicos.
Informações incompletas podem comprometer a classificação, a elaboração do documento e a conformidade da operação.
3. Consultar os inventários químicos aplicáveis
É necessário verificar se os componentes estão listados, registrados ou sujeitos a notificação no mercado de destino.
Dependendo do país, também podem existir restrições de uso, limites de concentração, autorizações prévias ou obrigações adicionais de comunicação.
4. Aplicar os critérios locais do GHS
Embora o GHS tenha sido criado para harmonizar a comunicação de perigos, sua implementação não ocorre de maneira idêntica em todos os países.
Podem existir diferenças relacionadas a:
- classes e categorias de perigo adotadas;
- limites de concentração;
- critérios para classificação de misturas;
- frases de perigo e precaução obrigatórias;
- elementos adicionais de rotulagem;
- informações exigidas em determinadas seções da SDS.
5. Adequar o idioma e a terminologia
A tradução deve utilizar os termos oficiais empregados pela regulamentação local. Traduções automáticas ou literais podem gerar erros em frases de perigo, medidas de primeiros socorros, orientações de emergência e limites de exposição.
Além da correção linguística, é necessário manter consistência entre a terminologia da SDS, do rótulo e dos demais documentos da operação.
6. Revisar a rotulagem e o transporte
A SDS deve estar coerente com o rótulo do produto e com os documentos logísticos.
Na seção 14, devem ser verificados, quando aplicáveis:
- número ONU;
- nome apropriado para embarque;
- classe e risco subsidiário;
- grupo de embalagem;
- perigo ao meio ambiente;
- requisitos para transporte terrestre, marítimo ou aéreo.
O conteúdo sobre legislação e documentação para transporte de produtos perigosos apresenta os cuidados necessários para reduzir riscos logísticos e regulatórios.
7. Validar e manter o documento atualizado
A versão final deve passar por revisão técnica antes do envio ao importador ou da utilização na operação.
Uma nova avaliação pode ser necessária quando houver:
- alteração da fórmula;
- entrada em outro mercado;
- nova informação toxicológica ou ecotoxicológica;
- mudança na classificação;
- atualização do GHS;
- modificação da legislação local;
- revisão das regras de transporte.
Quais pontos técnicos exigem mais atenção?
1.Classificação de perigos
A análise deve considerar os perigos físicos, à saúde humana e ao meio ambiente. Entre eles estão inflamabilidade, corrosão, toxicidade aguda, sensibilização, carcinogenicidade, toxicidade reprodutiva e perigo ao ambiente aquático.
2.Frases de perigo e precaução
As frases devem estar no idioma exigido e corresponder à classificação adotada no país de destino. Frases traduzidas incorretamente podem comprometer a interpretação do risco.
3.Limites de exposição ocupacional
Os valores utilizados no Brasil podem não ser os mesmos reconhecidos pelo mercado importador. A seção sobre controle de exposição deve considerar as referências locais aplicáveis.
4.Dados toxicológicos e ecotoxicológicos
Informações genéricas ou insuficientes podem gerar questionamentos durante auditorias, processos de homologação e avaliações regulatórias.
5.Armazenamento e incompatibilidades
A SDS deve indicar condições seguras de temperatura, ventilação, segregação e prevenção de reações perigosas, considerando as características reais do produto.
FDS brasileira e SDS para exportação: quais são as diferenças?
| Critério | FDS brasileira | SDS para exportação |
| Idioma | Português | Idioma exigido pelo mercado de destino |
| Base regulatória | ABNT NBR 14725 e requisitos brasileiros aplicáveis | GHS e legislação específica do país importador |
| Classificação | Critérios adotados no Brasil | Critérios aplicáveis ao mercado de destino |
| Inventários químicos | Conforme as exigências nacionais | Podem ser determinantes para a entrada e comercialização do produto |
| Rotulagem | Requisitos brasileiros de comunicação de perigos | Regras locais de idioma, classificação e comunicação |
| Transporte | Normas nacionais e internacionais aplicáveis à operação | Requisitos do modal, do trânsito internacional e do país de destino |
| Aplicação | Mercado brasileiro | Operação internacional específica |
A FDS brasileira pode fornecer informações importantes sobre o produto, mas não substitui automaticamente a SDS exigida no exterior.
Principais erros na SDS para exportação
Fazer apenas a tradução da FDS
A tradução literal não analisa diferenças de classificação, inventários, limites ocupacionais, frases obrigatórias ou requisitos locais.
Utilizar a mesma SDS em todos os mercados
Uma versão aceita em determinado país pode ser inadequada em outro. Cada destino deve ser avaliado individualmente.
Ignorar inventários químicos
A falta de verificação pode impedir a importação, gerar exigências adicionais ou comprometer a comercialização do produto.
Manter divergências entre SDS e rótulo
Pictogramas, palavra de advertência, frases de perigo e medidas de precaução devem ser consistentes nos dois documentos.
Informar dados incorretos de transporte
Erros no número ONU, no nome apropriado para embarque, na classe de risco ou no grupo de embalagem podem causar retenções, devoluções e atrasos logísticos.
Não revisar o documento
A SDS pode ficar desatualizada após mudanças na formulação, na regulamentação, na classificação ou no mercado de destino.
Quais são os benefícios da adequação correta?
Uma SDS tecnicamente adequada contribui para:
- reduzir retenções, devoluções e retrabalhos;
- facilitar a homologação de fornecedores;
- melhorar a comunicação dos perigos;
- aumentar a segurança logística;
- fortalecer a conformidade regulatória;
- apoiar auditorias internacionais;
- reduzir divergências entre SDS, rótulo e transporte;
- ampliar o acesso a mercados mais exigentes.
Além de reduzir riscos, uma documentação confiável transmite maior segurança ao importador, ao distribuidor e ao usuário final.
Perguntas frequentes sobre SDS para exportação
1.Toda empresa que exporta produtos químicos precisa adaptar a SDS?
A necessidade deve ser avaliada em cada operação. Em geral, é preciso verificar o idioma, a legislação local, os critérios do GHS, os inventários químicos e as exigências do importador.
2.Traduzir a FDS para inglês é suficiente?
Não necessariamente. O inglês pode atender ao idioma em alguns mercados, mas ainda será necessário revisar classificação, frases de perigo, limites de exposição, inventários e referências regulatórias.
3.A FDS brasileira pode ser utilizada como base?
Sim. Entretanto, ela deve passar por avaliação técnica antes de ser utilizada em outro país. A classificação e as informações regulatórias precisam ser compatíveis com o mercado de destino.
4.A empresa precisa elaborar uma SDS para cada país?
Pode ser necessário. Quando os mercados adotam idiomas, critérios ou exigências diferentes, versões específicas devem ser preparadas.
5.Quem deve revisar uma SDS internacional?
A revisão deve ser realizada por profissionais com conhecimento em segurança química, GHS, toxicologia, transporte e regulamentação do mercado de destino.
6.Quando atualizar a SDS para exportação?
A atualização deve ocorrer sempre que houver mudança relevante na formulação, nos dados técnicos, na legislação, na classificação ou no país para o qual o produto será enviado.
Como reduzir riscos na exportação de produtos químicos?
A SDS deve fazer parte do planejamento regulatório da exportação. Antes do embarque, a empresa precisa confirmar o país de destino, revisar a composição, verificar inventários químicos, aplicar a classificação adequada, ajustar o idioma e manter consistência entre SDS, rótulo e documentos de transporte.
A INTERTOX atua com elaboração e revisão de documentos de segurança, classificação GHS, rotulagem, transporte de produtos perigosos e suporte regulatório para operações internacionais.
Se sua empresa precisa elaborar ou adequar uma SDS para exportação, fale com um especialista da INTERTOX e avalie os requisitos técnicos, linguísticos e regulatórios do mercado de destino.