Toxicologia Ambiental: OMS publica documento sobre diretrizes relativas à manutenção da boa qualidade do ar em ambientes fechados

A publicação da OMS (Organização Mundial da Saúde) intitulada “WHO guidelines for indoor air quality: selected pollutants” de 2010, apresenta orientações para a proteção da saúde de riscos devidos a uma série de produtos químicos comumente presentes no ar de ambientes fechados.As substâncias consideradas na análise como, benzeno, monóxido de carbono, formaldeído, naftaleno, dióxido de nitrogênio, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (especialmente benzo[a]pireno), radônio, triclorotetileno e tetracloroetileno, têm fontes de emissões em ambientes fechados, e, muitas vezes, encontram-se em concentrações perigosas para a saúde.

As diretrizes são dirigidas a profissionais envolvidos na prevenção de riscos para a saúde ambiental, bem como para especialistas e autoridades envolvidas na gestão de edifícios, materiais e produtos em ambientes fechados, pois fornecem bases científicas para elaboração de normas.

As informações que podem ser encontradas nesse material com relação a todas as substâncias já citadas acima são: descrição geral, fontes de emissão “indoor”, vias de exposição, concentrações “indoor”, relação interior-exterior, cinética e biotransformação, efeitos sobre a saúde, avaliação de risco de saúde e diretrizes.

Ainda como exemplo do que pode ser encontrado no texto, o benzeno é uma substância carcinogênica e genotóxica para humanos e não existem níveis seguros de exposição para o mesmo. O risco de toxicidade do benzeno inalado é o mesmo para exposições em ambientes fechados ou ao ar livre. Assim, não há razão para que as diretrizes difiram do ar de interiores para o ar ambiente.

O benzeno presente no ar em ambientes fechados pode se originar do ar externo e também de materiais de construção e móveis, garagens, sistema de aquecimento e cozimento, solventes armazenados, além de outras atividades, como a prática de fumar. As concentrações “indoor” também são afetadas por condições climáticas e pela taxa de troca de ar devida à ventilação forçada ou natural.

O grupo envolvido no desenvolvimento desse trabalho definiu os seguintes critérios para a seleção de compostos:

* existência de fontes “indoor”,

* disponibilidade de dados toxicológicos e epidemiológicos,

* níveis “indoor” que ultrapassem os níveis NOAEL e LOAEL

Espera-se que as diretrizes para manutenção da qualidade do ar em interiores sejam úteis para as pessoas de forma global, tendo em vista a predição de seus efeitos sobre a saúde, e também para aqueles com responsabilidade de introduzir medidas para reduzir os riscos à saúde decorrentes da exposição a poluentes presentes no ar de interiores. A prevenção dos efeitos sobre a saúde decorrentes da má qualidade do ar “indoor” é necessária em todas as regiões do mundo, e, especialmente, nos países em desenvolvimento.

A OMS se compromete a apoiar seus Estados-Membros na implementação das orientações, sintetizando as evidências sobre as abordagens mais eficazes para a gestão da qualidade do ar interior e no benefício dessas ações para a saúde. Continuará a incentivar políticas relevantes para o desenvolvimento e colaboração intersetorial necessários para garantir ar saudável a todos, pois o ar puro é um requisito básico de vida. A qualidade do ar dentro das casas, escritórios, escolas, creches, edifícios públicos, onde as pessoas passam grande parte de suas vidas é um elemento essencial determinante do bem estar e de uma vida saudável.

A Intertox atenta a esse mesmo assunto publicou anteriormente a seguinte manchete: https://intertox.com.br/toxicologia-ambiental-oms-publica-documento-sobre-diretrizes-relativas-a-manutencao-da-boa-qualidade-do-ar-em-ambientes-fechados/

FONTE:

WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO -  guidelines for indoor air quality: selected pollutants. Disponível em: <http://www.euro.who.int/__data/assets/pdf_file/0009/128169/e94535.pdf>. Acesso em: 11 nov. 2011.