Farmacotoxicologia: Novo fármaco contra o câncer de mama evita queda de cabelo em tratamento

O medicamento trastuzumabe entansina (também chamado de T-DM1 ou Kadcyla ®) é um conjugado anticorpo-droga (CAD), que foi aprovado para o Brasil pela Anvisa, em janeiro/2014, e que possui mecanismo de ação inovador para o tratamento do câncer de mama, com a promessa de provocar menos efeitos colaterais do que a quimioterapia tradicional, evitando, inclusive, a queda de cabelo, além de agregar o grande benefício de poder aumentar em até 50% o tempo de sobrevida.

Sua indicação é apenas para pacientes que possuem câncer de mama HER-2 positivo, localmente avançado e sem possibilidade de ressecção cirúrgica, ou câncer de mama HER-2 positivo com metástases, e que já tenham recebido tratamento prévio com trastuzumabe associado à quimioterapia com taxanos.

O HER-2 é um gene que pode ser encontrado em todas as células do corpo humano e tem como função ajudá-las nos processos de divisão celular. Este faz com que a célula produza a proteína HER-2, que fica na superfície das células. De tempos em tempos, esta proteína envia sinais para o núcleo da célula, sinalizando o momento da divisão celular.

Na mama, cada célula possui duas cópias do gene HER-2, que contribuem para o funcionamento normal destas. Porém, em algumas pacientes com câncer de mama, ocorre o aparecimento de um grande número de genes HER-2 no interior das células mamárias. Com o aumento do número de genes HER-2 no núcleo, ficará também aumentado o número de receptores HER-2 na superfície das células. Esta condição é conhecida como superexpressão do HER-2. Os pesquisadores constataram que a superexpressão de HER-2 contribui para o crescimento descontrolado das células, que é a principal característica do câncer. As pacientes que possuem essa condição são chamadas de HER-2 positivas.

O medicamento em questão possui um anticorpo monoclonal (trastuzumabe) ligado ao quimioterápico DM1. Seu mecanismo de ação pode ser metaforizado pelo conto do “cavalo de tróia” e apresenta elevada seletividade. O anticorpo age como um inibidor específico da sinalização do HER-2 e posteriormente leva o quimioterápico diretamente para dentro das células cancerosas positivas para HER-2. O trastuzumabe impede o crescimento das células doentes através da ligação ao receptor HER-2, provocando a morte celular e impedindo que a HER-2 estimule o crescimento das células tumorais. O DM1, por sua vez, entra nas células, impede a divisão e crescimento destas e provoca sua morte através da ligação à tubulina, proteína fundamental para a divisão celular.

Atualmente, o medicamento está disponível na forma de pó liofilizado para solução injetável por via intravenosa. Sua biotransformação se dá por via hepática, sendo eliminado principalmente na bile. Embora o Kadcyla® seja apresentado como uma nova esperança no tratamento do câncer de mama em sua forma mais agressiva, seu uso é contra-indicado em pacientes grávidas e estudos apontam que o medicamento pode provocar pneumonite e outros eventos pulmonares, hiperplasia nodular regenerativa no fígado, disfunção cardíaca, trombocitopenia e neuropatias.

 

Referências Bibliográficas:

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