Toxicologia ambiental: Poluição em Pequim atinge níveis alarmantes e indústrias suspendem suas atividades

A questão da Toxicologia Ambiental volta à tona com as recentes e impactantes notícias a respeito da poluição atmosférica na China. A publicação realizada neste Portal no dia 25 de fevereiro abordou as categorias dos indicadores analisados para o ranking ambiental estabelecido pela Environmental Performance Index (EPI) e as soluções indicadas para a diminuição da poluição do ar.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a qualidade do ar pode ser medida a partir do tamanho das partículas, sendo os principais componentes sulfatos, nitratos, amônia, cloreto de sódio, carbono, pó mineral e água. Estes materiais particulados (MP) estão suspensos no ar e podem ser classificados em duas categorias, de acordo com o diâmetro das partículas: MP 2,5 (25 µg/m3) e MP 10 (50 µg/m3).

Nesta última semana, a concentração de MP no ar em Pequim apresentou valores de 600 microgramas por metro cúbico, ou seja, 24 vezes maior que o valor máximo referenciado pela OMS. Desde a divulgação do plano do governo chinês contra a poluição, esta foi a primeira vez que as autoridades emitiram a ordem de paralisação das construções e a redução das emissões de gases poluentes das indústrias em 30%. Neste cenário, 36 indústrias tiveram que suspender sua produção e outras 75 reduziram parcialmente suas atividades, no entanto, a medida não atingiu níveis satisfatórios.

A poluição atmosférica em curto prazo desencadeia problemas ao trato respiratório, levando a quadros de sinusite, rinite, bronquite e agravamento dos casos de asma, sendo as crianças, idosos e pessoas suscetíveis, as mais predispostas a estes problemas. Segundo a Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC), a longo prazo, a exposição a poluição além do grande risco para a saúde em geral, é também uma causa ambiental de morte por câncer. Estudos apontam que o risco de desenvolver câncer de pulmão e doenças cardíacas é aumentado significativamente em pessoas expostas ao ar poluído, existindo fortes indícios de que a contaminação do ar também eleva o risco de câncer de bexiga.

De acordo com o último relatório da IARC, os níveis e a composição da poluição atmosférica variam de um lugar para outro, e se aplicam a todas as regiões do mundo. Segundo o diretor da agência, Christopher Wild, a classificação da poluição atmosférica como um agente carcinogênico (Categoria 1) é um alerta para os governos sobre os perigos e os custos em potencial, tanto em níveis ambientais, econômicos e sociais.