Toxicologia: Acidente tóxico com mercúrio em Rosana-SP

Em notícia divulgada pelo G1, na última sexta, dia 15, a prefeitura de Rosana-SP, foi multada em R$ 83 mil pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), pela disposição do mercúrio, de uso odontológico, em um terreno de depósito de entulhos. Em julho, quatro crianças encontraram uma sacola com 20 frascos do produto tóxico, levaram para casa, e numa atitude inocente, provocaram a exposição de cerca de 100 pessoas. A mãe e mais cinco filhos apresentaram sintomas gástricos, febre e irritação cutânea. Na ocasião, três casas foram interditadas, e o uso da água, suspenso.

Segundo o jornal O Globo, pelo menos 48 pessoas que foram expostas ao mercúrio no acidente passaram por avaliação neurológica na última sexta-feira, 15. O secretário de saúde do município, David Rodrigues, afirmou que o exame neurológico faz parte de um protocolo que está sendo seguido.

O produto provavelmente é o amálgama de mercúrio, utilizado no processo de restauração dentária. O amálgama convencional é preparado pela mistura de mercúrio com uma liga prata-estanho, produzindo uma massa de rápida fixação na camada dentária (Philips apud Azevedo, 2001).

Nota-se que além da necessidade de maior fiscalização no sistema de disposição de resíduos tóxicos e produtos vencidos de diversos setores (área hospitalar, laboratorial, industrial, agrícola, e outros) pelos responsáveis locais; também é importante incentivar campanhas educativas às famílias sobre os riscos que são submetidas as crianças, ao manipular produtos de origem desconhecida, mesmo que tenham características visuais ou olfativas agradáveis. A melhoria na percepção do risco pela população é fator relevante, na prevenção de acidentes com agentes tóxicos, especialmente em casos como o do município de Rosana, no qual a exposição poderia ter sido amenizada ou evitada.

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No Brasil, existem trabalhos publicados sobre os riscos toxicológicos (e ecotoxicológicos) do mercúrio que podem auxiliar nas medidas preventivas ou de intervenção, no contexto de exposição ao mercúrio.  Citamos aqui, algumas referências brasileiras:  i) O livro "Toxicologia do Mercúrio" de Fausto Azevedo; e ii) o volume n.1 dos Cadernos de Referência Ambiental, sob o título de “Ecotoxicologia do Mercúrio e seus Compostos”, de Alice Chasin e E. Nascimento.