Segurança Química: Desastre de Bhopal completa 35 anos

Nesta semana mundo viu completar 35 anos de um dos maiores acidentes envolvendo produtos químicos. Vamos falar hoje de Bhopal, um acidente que matou mais de 5 mil pessoas e deixou outros 50 mil com sequelas graves.

Na madrugada do dia 03 de dezembro de 1984, na cidade de Bhopal na Índia, a empresa Union Carbide realizava um procedimento de rotina de manutenção conectando uma mangueira de água em um dos canos que passava pela planta industrial. Contudo, detritos que não deveriam estar junto com a água, entupiram a tubulação, fazendo a água retornar, atravessar os canos que cortavam a planta e penetrar nos tanques que armazenavam cerca de 35 toneladas de Isocianato de metila.

A planta utilizava o composto isocianato de metila, que é classificado como altamente perigoso por ser intensamente reativo, reagindo violentamente até mesmo com a água, como matéria-prima para a fabricação praguicidas.

A reação entre a água e o isocianato de metila é exotérmica, e libera calor. O calor liberado leva a uma reação em cadeia incontrolável, gerando gases extremamente tóxicos à saúde humana que, nesta ocasião, vazaram dos tanques e foram levados pelo vento para a então adormecida cidade de Bhopal.

Estima-se que mais 3 mil pessoas morreram asfixiadas ainda em suas camas naquela madrugada e outras 2 mil agonizaram durante o decorrer dos dias no qual a nuvem tóxica permaneceu na cidade.

Outras cerca de 50 mil pessoas tiveram doenças graves devido à exposição a essa nuvem tóxica e apresentaram, como efeitos desta exposição, problemas respiratórios graves, cegueira, fetos com malformações, entre outros.

Após o ocorrido foi aberta uma investigação na qual se constatou diversas irregularidades na planta e o não cumprimento de um procedimento durante o abastecimento de água, como as principais causas desse fatídico desastre.

Podemos então refletir que ao abordarmos o tema Segurança Química, é necessário aprofundar na observação e cumprimento de diversas vertentes envolvendo uma avaliação sistêmica de nossos procedimentos internos, de modo a buscar sempre a melhoria contínua destes, por meio da capacitação e refinamento para um adequado Gerenciamento do Risco Químico.

Uma coisa é certa, e finalizamos com estação citação.

 “Aqueles que não conhecem a história estão fadados a repeti-la” - Edmund Burke