Nanotecnologia: estudos apontam nanocápsulas no tratamento eficaz de tumor cerebral maligno

Os medicamentos que são administrados durante tratamento de doenças cerebrais precisam ultrapassar a barreira hematoencefálica para que possam chegar o cérebro. Esta barreira é uma estrutura de permeabilidade altamente seletiva que protege o sistema nervoso central das substâncias potencialmente neurotóxicas que estão presentes na corrente sanguínea. Para que os medicamentos atravessem esta barreira, eles devem ser administrados em altas concentrações, ampliando a possibilidade de ocasionar efeitos adversos medianos e graves.

Para reverter este quadro, pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo desenvolveram nanocápsulas que, devido ao seu tamanho nanométrico, são capazes de atravessar facilmente a barreira hematoencefálica e “entregar” o medicamento no local exato onde ele deve ser administrado. As nanocápsulas foram obtidas a partir de polímeros de poli(epilson-caprolactona), composto químico biodegradável e biocompatível atóxico ao organismo.

A pesquisa, denominada “Estudo de eficácia terapêutica de nanocápsulas de indometacina e éster etílico de indometacina: ensaios de microscopia intravital”, utilizou camundongos acometidos por glioblastoma (tipo mais comum de tumor cerebral maligno em adultos) não possui tratamento farmacológico comprovadamente eficiente. Foram administrados nestes camundongos, nanocápsulas de indometacina (anti-inflamatório). As nanocápsulas atravessaram a barreira hematoencefálica e reduziram em 70% o tamanho do tumor. 

A indometacina, como a maioria dos anti-inflamatórios, pode ocasionar lesões gastrintestinais e, durante a pesquisa, observou-se que a administração crônica por via oral de cápsulas convencionais de indometacina ocasionou graves lesões nos estômagos dos camundongos, levando-os ao óbito, enquanto as nanocápsulas de indometacina não causaram nenhum tipo de dano nos animais e ainda reduziu substancialmente o tumor.

O sucesso deste estudo representa um grande avanço na melhora da condição de saúde dos pacientes com glioblastoma, que apresenta uma sobrevida curta de aproximadamente 12 meses e não possui, atualmente, nenhum tratamento eficaz, pois a cirurgia não é capaz de retirar todas as células tumorais diretamente ligadas ao tecido cerebral, e a quimioterapia precisa ser altamente agressiva para que seja possível atravessar a barreira hematoencefálica, ocasionando graves efeitos adversos. 

Para os pesquisadores, os resultados são bastante promissores e podem levar ao desenvolvimento de uma nova estratégia de tratamento de glioblastoma e de outras doenças que afetam o sistema nervoso central, como as de Alzheimer e Parkinson.

Referência:

http://agencia.fapesp.br/nanocapsulas_com_antiinflamatorio_reduzem_tumor_cerebral_maligno_em_camundongos/24165/ 

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