Medicação na gravidez: os riscos das malformações

O uso de medicamentos na gravidez é um fato real e de grande relevância na área da saúde. Dentre todos os tipos de medicamentos utilizados por gestantes, estão os opioides. Os opioides são substâncias naturais que podem ser encontradas em plantas ou produzidas pelo organismo humano. Estes últimos, denominados “opióides endógenos”, são produzidos e distribuídos por todo o Sistema Nervoso Central (SNC), afim de modular a dor e controlar o sistema cardiovascular. Contudo, os opioides sintéticos e os semissintéticos é que são os destaques clínicos devido, especialmente, ao seu alto potencial analgésico. São indicados, normalmente, para pacientes pós-cirúrgicos e, em casos extremos, indicados para gestantes com crise de pedras nos rins, por exemplo.

Entretanto, o consumo de drogas opioides por mulheres gravidas no início da gestação, pode aumentar em até duas vezes o risco de algumas raras malformações congênitas. Este assunto já foi abordado pela Intertox quando o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos da América (EUA), emitiu um alerta sobre os riscos causados pelo consumo de opioides antes ou no início da gestação.

No Brasil, os analgésicos opioides são medicamentos amplamente consumidos, comercializados somente sob prescrição médica, controlados pela Portaria n° 344, de 12 de maio de 1998 da ANVISA, além de possuir indicação bastante restrita para gestantes, sendo prescritos apenas em casos de extrema urgência, como citado anteriormente, o que reduz a probabilidade da malformação congênita.

Entretanto, a maior preocupação apontada pelos médicos para as gestantes é o consumo de anti-inflamatórios indiscriminadamente, uma vez que estes são vendidos sem prescrição médica e os opioides não. Os anti-inflamatórios usados de forma incorreta durante a gestação, podem aumentar o risco de malformação cardíaca fetal em qualquer estágio da gravidez, ao contrário dos opioides, que apresentam probabilidade de malformação apenas no início da gravidez, durante a formação dos órgãos e tecidos do feto.

A automedicação contribui para milhares de mortes por ano, tendo como base de estudos, um dado de 2006 da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (ABIFARMA), de cerca de 20 mil mortes por ano causadas pela automedicação. Já em 2012, o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX) apontou cerca de 86 mil casos registrados de intoxicação causados pelo uso indiscriminado de medicamentos.

As malformações atingem todo ano mais de dez mil crianças, a maioria delas morrem no primeiro ano de vida, as demais devem ser submetidas à cirurgias ou tratamentos vitalícios.

Referências
https://intertox.com.br/index.php/toxicologia-em-manchete/355-o-uso-de-antiinflamatorios-durante-a-gravidez-e-o-risco-de-malformacao-fetal

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