Brasil importa praguicidas proibidos no mundo

O Brasil ostenta o título nada comemorativo de ser o maior importador de praguicidas do mundo. De acordo com pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em 2013 foi consumido um bilhão de litros de praguicidas no país. Este fato, já por si preocupante, se torna mais impressionante ainda quando se descobre que 14 tipos de praguicidas proibidos no mundo são consumidos no Brasil! Destes, quatro foram banidos no ano passado pelos riscos à saúde humana, mas há quem diga que sigam em uso na nossa agricultura.

O endossulfan, prejudicial aos sistemas reprodutivo e endócrino, faz parte da lista dos praguicidas banidos e, segundo a pesquisa, aparece em 44% das amostras de leite materno analisadas de mães que pariram entre 2007 e 2010. Na pesquisa coordenada pelo professor da UFMT Wanderlei Pignati, além do endosulfan, foram detectados outros dois compostos perigosos: a deltametrina, com 37%, e o DDE (que além de ser uma versão modificada do DDT, é também um seu produto de biotransformação no organismo humano) em 100% dos casos.

Da lista dos proibidos em outros países, estão também em uso no Brasil o tricorfon, cihexatina, abamectina, acefato, carbofuran, forato, fosmete, lactofen, paration metílico e thiuram.

De acordo com a pesquisa, as pessoas podem estar expostas aos praguicidas considerados cancerígenos através da ingestão de água, pelo ar, pelo manuseio dos próprios produtos e até pelos alimentos contaminados. Produtos químicos perigosos como o glifosato são despejados nas plantações por pulverização aérea ou com o uso de trator, contaminando solo, lençóis freáticos, hortas, áreas urbanas, e depois sobem para atmosfera. Com as precipitações pluviométricas, retornam em forma de “chuva de praguicida”, fenômeno que ocorre em todas as regiões agrícolas mato-grossenses estudadas. Os efeitos sobre pessoas de outros municípios e regiões do país foram confirmados por pesquisas.

O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo pesquisadora do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mostrou níveis fortes de contaminação em produtos como o arroz, alface, mamão, pepino, uva e pimentão. Podem estar presentes também em praticamente toda a cadeia alimentar, como soja, leite e carne, que ainda não foram incluídas nas análises.

O professor Pignati diz que os resultados preliminares apontam que pelo menos 30% dos 20 alimentos até agora analisados não poderiam sequer estar na mesa do brasileiro.

Alguns produtos que devem possuir atenção especial são regulamentados por órgãos e agências que desenvolvem legislações específicas para algumas classes de produtos. É o caso dos praguicidas.  A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) são os órgãos responsáveis pela regulamentação do setor, além das leis federais. As exigências vão desde o descarte correto de embalagem até limites máximos permitidos de algumas substâncias, além de uma série de requisitos a serem cumpridos pelos estabelecimentos produtores/importadores.

É importante que se reavalie as legislações adotadas no Brasil para uma maior segurança dos trabalhadores e da população que está totalmente exposta aos riscos provocados pelos praguicidas.

No Volume 7 da RevInter – Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, de fevereiro de 2014, foi publicado um estudo bibliográfico referente à Exposição Ocupacional aos Agrotóxicos, o qual é possível visualizar no link: http://revinter.intertox.com.br/phocadownload/Revinter/v7n1/rev-v07-n01-04.pdf. Além desta, uma série de outras publicações referentes à praguicidas podem ser consultadas no Portal da Intertox.

Referências

http://www.tecnohidro.com.br/2014/02/24/brasil-consome-14-agrotoxicos-proibidos-no-mundo/?utm_source=linkedin&utm_medium=profile&utm_campaign=divulga%C3%A7%C3%A3o