Biocombustíveis: ainda uma incógnita ecotoxicológica

O biocombustível é a grande solução para o problema energético do mundo? Será que a solução para o presente não estará interferindo em nosso futuro, afrontando o princípio do desenvolvimento sustentável? Vamos repensar sobre o uso de outras formas alternativas de energia, como a eólica e a atômica.

Matéria circulada na imprensa eletrônica de 7 de novembro, aponta a divulgação de um estudo, segundo o qual a produção de biocombustíveis na União Européia (UE) poderia gerar 56 milhões de toneladas de gases do efeito estufa por ano.

Os planos europeus de incremento dos biocombustíveis levarão os agricultores a converterem 69 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa em lavouras, reduzindo a oferta de alimentos aos pobres e acelerando a mudança climática.

De acordo com esse estudo, o biocombustível adicional a ser usado na Europa ao longo da próxima década irá gerar entre 81 e 167% a mais de dióxido de carbono (CO2) do que os combustíveis fósseis. Nove entidades ambientais chegaram a essa conclusão depois de analisarem dados oficiais relativos à meta da UE de que até 2020 os combustíveis renováveis representem 10% do total usado em transportes no bloco.

A equipe energética da Comissão Européia, que formulou tal meta, argumentou que o impacto não será tão grande, porque os biocombustíveis serão extraídos principalmente de plantações em terras agrícolas atualmente abandonadas na Europa e na Ásia. Novas estimativas científicas lançadas neste ano colocam em dúvida a sustentabilidade da meta dos 10 por cento, mas autoridades energéticas da UE afirmam que apenas dois terços da meta será alcançada pelos biocombustíveis, e que veículos elétricos, alimentados por fontes renováveis, oferecerão um equilíbrio. No entanto, estratégias nacionais de energias renováveis publicadas até agora por 23 dos 27 países da UE mostram que até 2020, 9,5% dos combustíveis usados nos transportes devem ser biocombustíveis, e que 90% disso virão de cultivos alimentares, segundo o relatório.

O debate gira em torno de um novo conceito, conhecido como mudança indireta do uso fundiário.

Basicamente, isso significa que transformar uma lavoura de grãos em cultivo de matéria-prima para biocombustíveis fará alguém, em algum lugar, passar fome, caso essas toneladas de grãos a menos não passem a ser cultivadas em outro lugar.

Os fundamentos econômicos sugerem que esse déficit alimentar seria suprido com a ampliação da fronteira agrícola para áreas tropicais, o que implicaria a destruição de florestas -- um processo que pode gerar enormes emissões de gases do efeito estufa (GEE), pela queima ou apodrecimento das árvores, revertendo eventuais benefícios que os biocombustíveis deveriam trazer.

O relatório diz que a estratégia da UE para os biocombustíveis poderia gerar 27 a 56 milhões de toneladas adicionais de GEE por ano. No pior cenário, isso seria equivalente a colocar 26 milhões de carros nas estradas européias, diz o estudo.

Produtores tradicionais de biocombustíveis argumentam que a UE não deveria alterar suas políticas de promoção dos biocombustíveis levando em conta as novas estimativas científicas, porque estas ainda são incertas.

"Qualquer política pública baseada em resultados tão altamente contestáveis seria facilmente desafiada na Organização Mundial do Comércio," disse o representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Emmanuel Desplechin.

Fontes:

http://cptnacional.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=469:biocombustiveis-fazem-mais-mal-ao-clima-que-fosseis-diz-estudo&catid=13:geral&Itemid=54

http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2010/11/09/62620-biocombustiveis-fazem-mais-mal-ao-clima-que-fosseis-diz-estudo.html

http://www.reuters.com/article/idUSTRE6A62QN20101107?feedType=RSS&feedName=everything&virtualBrandChannel=11563

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