Banco de dados toxicogenômico auxilia pesquisa farmacêutica

Algumas vezes a cura pode ser pior que a doença. Fármacos são conhecidos por seus potenciais efeitos colaterais, e um aspecto importante da medicina personalizada é adaptar terapias para indivíduos a fim de reduzir as chances de efeitos adversos. Recentemente, pesquisadores da North Carolina State University (NCSU) desenvolveram e atualizaram um extenso banco de dados toxicológico que pode ser usado para rastrear informações sobre medicamentos e seus possíveis efeitos tóxicos.

“As ciências ambientais compartilham um objetivo comum com a fabricação de medicamentos: aperfeiçoar a predição da toxicidade química”, disse Dr. Allan Peter Davis, autor principal de um artigo sobre o assunto e gerente do projeto Comparative Toxicogenomics Database (CTD) no Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

Os mecanismos moleculares e os fatores ambientais envolvidos em uma variedade de doenças como asma, câncer, diabetes, hipertensão e doenças de imunodeficiência ainda não são totalmente compreendidos. Uma maneira de explicá-los sugere que os compostos químicos podem ser distribuídos e metabolizados nas células, interagindo, interrompendo ou causando danos em genes específicos.

Estudos comparativos de sequências de genes toxicologicamente relevantes e suas interações com compostos químicos podem ajudar a esclarecer as bases genéticas de uma resposta individual a uma dada exposição química. “O CTD é o único banco de dados público que associa mecanismos de ação química a potenciais impactos na saúde humana”, disse Carolyn Mattingly, pesquisadora líder do projeto.

A literatura científica contém vasta informação sobre os efeitos adversos de medicamentos terapêuticos. Organizar e dar sentido a informação publicada é o grande desafio que a equipe do CTD assumiu ao ler e compilar mais de 88.000 trabalhos científicos. A equipe levou um ano para extrair de forma eficiente as informações sobre medicamentos e seu envolvimento em endpoints tóxicológicos, tais como hipertensão, convulsão, falência renal e doença do fígado. “O projeto rapidamente adicionou vários dados novos, que complementam a toxicidade ambiental”, disse Davis.

O banco de dados fornece informações sobre mais de 250.000 relações composto químico-gene-doença, fruto de sete décadas de artigos científicos. Conhecer os genes críticos associados à determinada resposta a um medicamento pode ser útil para o desenvolvimento correto de uma terapia ou fármaco, pois fornece dados sobre as vias bioquímicas envolvidas e possibilita a predição de possíveis toxicidades relacionadas.

Cada vez mais os cientistas estão reconhecendo a necessidade de investigar e sistematicamente integrar dados e informações, utilizando termos de busca comuns que tornem os dados úteis e acessíveis para pesquisadores acadêmicos e industriais, bem como para o público em geral. Um exemplo recente de colaboração entre o projeto acadêmico e a indústria farmacêutica foi a parceria CTD-Pfizer, que pode ser conhecida em maior detalhamento no artigo: A CTD-Pfizer collaboration: manual curation of 88,000 scientific articles text mined for drug-disease and drug-phenotype interactions.

 

REFERÊNCIAS, NOTAS OU LINKS

http://news.ncsu.edu/releases/wms-davis-drugdatabase2013/

http://wunc.org/post/nc-states-database-could-revolutionize-pharmaceutical-research

http://www.niehs.nih.gov/news/newsletter/2014/1/spotlight-data/index.htm

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24288140

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