Novo Marco Regulatório: Inventário Nacional de Substâncias Químicas

Novo Marco Regulatório Inventário Nacional de Substâncias Químicas

O novo Marco Regulatório dos produtos químicos no Brasil, instituído pela Lei nº 15.022/2024, cria uma nova etapa para empresas que fabricam, importam, utilizam ou comercializam substâncias químicas no país. No centro dessa mudança está o Inventário Nacional de Substâncias Químicas, também conhecido como INSQ.

Essa nova estrutura regulatória muda a forma como empresas químicas devem organizar dados técnicos, documentações, informações de perigo, volumes de produção, importação e uso de substâncias. Na prática, o Inventário Nacional de Substâncias Químicas passa a exigir mais rastreabilidade, governança documental e controle regulatório.

Antes de analisar a legislação em si, é importante entender que o tema se conecta diretamente à gestão segura de produtos químicos, à rotulagem, à classificação de perigo e à elaboração da FDS. A rotulagem de produtos químicos, por exemplo, já é um ponto sensível para empresas que precisam manter a conformidade com a NR-26 e com a ABNT NBR 14725.

A criação do conceito do Inventário Nacional de Substâncias Químicas foi realizada pela Lei nº 15.022/2024, estabelecendo as regras para cadastro, avaliação e controle de risco de substâncias químicas em território nacional.

O que é o Inventário Nacional de Substâncias Químicas?

O Inventário Nacional de Substâncias Químicas será uma base nacional destinada a reunir informações sobre substâncias químicas produzidas, importadas ou utilizadas no Brasil. Tem como objetivo permitir que o poder público tenha maior conhecimento sobre quais substâncias circulam no país, em quais volumes e com quais possíveis riscos à saúde humana e ao meio ambiente.

Na prática, o INSQ funcionará como uma ferramenta de controle, avaliação e gestão de risco químico. Empresas que atuam com substâncias químicas precisarão estruturar informações técnicas para atender às exigências regulatórias e demonstrar conformidade.

Por que a Lei nº 15.022/2024 é relevante para empresas químicas?

A Lei nº 15.022/2024 representa um avanço regulatório porque cria um modelo mais organizado de acompanhamento das substâncias químicas no Brasil. Isso aproxima o país de práticas internacionais de segurança química, nas quais inventários nacionais são usados para apoiar decisões regulatórias, ambientais e sanitárias.

Para empresas químicas, o impacto não está apenas no cadastro. O Inventário Nacional de Substâncias Químicas poderá influenciar compras, importações, desenvolvimento de produtos, documentação técnica, classificação GHS, rotulagem, FDS e gestão de fornecedores.

Quem será impactado pelo Inventário Nacional de Substâncias Químicas?

O novo marco regulatório pode afetar diferentes agentes da cadeia química. Não apenas fabricantes de substâncias serão impactados, mas também empresas que importam, distribuem ou utilizam substâncias químicas em processos industriais.

  • indústrias químicas;
  • importadores de matérias-primas químicas;
  • fabricantes de saneantes, tintas, solventes, adesivos e resinas;
  • empresas cosméticas e farmacêuticas;
  • distribuidores de insumos químicos;
  • indústrias que utilizam químicos em processos produtivos;
  • empresas com produtos classificados como perigosos.

Empresas que atuam com importação devem ter atenção adicional, pois a obtenção de dados técnicos junto a fornecedores estrangeiros pode ser um desafio. Nesse ponto, o conteúdo da Intertox sobre exigências para importação de produtos químicos ajuda a entender como a documentação regulatória influencia nas operações internacionais.

Quais informações devem ser organizadas?

Embora a regulamentação complementar ainda detalhe etapas operacionais, empresas já devem iniciar a organização de informações básicas relacionadas ao Inventário Nacional de Substâncias Químicas. Essa preparação reduz riscos de inconsistência e retrabalho quando os procedimentos forem exigidos.

Área de controleInformação necessáriaRisco se não houver gestão
Identificação da substânciaNome químico, número CAS, composição e purezaCadastro incorreto ou incompleto
VolumeQuantidade fabricada, importada ou utilizadaErro de enquadramento regulatório
Classificação de perigoDados GHS, propriedades físico-químicas e toxicológicasFDS e rótulos inconsistentes
Uso da substânciaAplicação industrial, finalidade e cadeia de fornecimentoDificuldade para responder exigências técnicas
DocumentaçãoFDS, laudos, certificados e documentos regulatóriosRisco de autuação ou bloqueio operacional

Relação entre INSQ, FDS e classificação GHS

O Inventário Nacional de Substâncias Químicas reforça a importância de manter dados técnicos consistentes. A FDS, ou Ficha com Dados de Segurança, deve conter informações claras sobre perigos, composição, medidas de controle, transporte, armazenamento, manuseio e descarte.

Se a empresa possui FDS desatualizada, a classificação de perigo incorreta ou os rótulos divergentes, o risco regulatório aumenta. O inventário exigirá uma base confiável de informações, e isso depende diretamente da qualidade da documentação técnica existente.

Como o novo marco regulatório afeta importadores?

Importadores tendem a sentir impactos relevantes com o Inventário Nacional de Substâncias Químicas. Isso ocorre porque, em muitos casos, a empresa brasileira precisará obter dados técnicos de fornecedores internacionais e adequá-los às exigências nacionais.

Entre os pontos que exigem revisão estão:

  • FDS recebida do fornecedor estrangeiro;
  • adequação da FDS ao formato brasileiro;
  • número CAS e identidade química;
  • composição e concentração da substância;
  • classificação de perigo conforme GHS;
  • restrições de uso e controle regulatório;
  • documentos de transporte, armazenamento e manuseio.

O papel da avaliação e do controle de risco

O Inventário Nacional de Substâncias Químicas não é apenas uma lista cadastral. Ele também cria uma base para avaliação de risco. Isso significa que determinadas substâncias poderão ser analisadas com mais profundidade conforme seus perigos, volumes, usos e exposição potencial.

O Governo Federal já abriu espaço para discussão pública sobre a regulamentação da Lei nº 15.022/2024, indicando que a implementação do marco regulatório seguirá por etapas e exigirá acompanhamento constante das empresas.

Dependendo do resultado das avaliações, uma substância poderá ser submetida a medidas de gerenciamento de risco, restrições, exigências adicionais ou outras ações regulatórias.

Quais são os principais riscos para empresas despreparadas?

Empresas que não se prepararem para o Inventário Nacional de Substâncias Químicas podem enfrentar dificuldades para reunir dados, corrigir documentos e responder exigências técnicas dentro dos prazos regulatórios.

  • inconsistência entre FDS, rótulo e composição;
  • falta de dados toxicológicos e ecotoxicológicos;
  • dificuldade para comprovar origem e uso da substância;
  • atrasos em importações;
  • risco de autuações;
  • restrição comercial de substâncias;
  • perda de competitividade frente a empresas já adequadas.

Além disso, o controle inadequado de produtos químicos pode gerar reflexos em transporte, armazenamento e logística. A Intertox já tratou desse ponto no artigo sobre riscos no transporte de produtos perigosos, tema que também envolve rastreabilidade e responsabilidade técnica.

Como preparar sua empresa para o Inventário Nacional de Substâncias Químicas?

A preparação deve começar com um diagnóstico regulatório. A empresa precisa saber quais substâncias utiliza, quais são importadas, quais são fabricadas, quais volumes estão envolvidos e quais documentos técnicos estão disponíveis.

  1. mapear todas as substâncias químicas utilizadas ou comercializadas;
  2. validar número CAS, composição e concentração;
  3. revisar FDS e rótulos;
  4. conferir classificação GHS;
  5. avaliar dados de volume produzido ou importado;
  6. organizar documentos de fornecedores;
  7. criar rotina de atualização regulatória;
  8. monitorar atos complementares da Lei nº 15.022/2024.

Por que o INSQ deve ser tratado como estratégia regulatória?

O Inventário Nacional de Substâncias Químicas deve ser visto como parte da estratégia regulatória da empresa. A conformidade química não depende apenas de responder às exigências quando elas surgem, mas de manter uma estrutura preventiva, técnica e documentada.

Empresas com dados organizados conseguem responder auditorias com mais segurança, reduzir riscos de bloqueios, melhorar a relação com clientes e fornecedores e fortalecer sua reputação no mercado.

Conte com apoio técnico para adequação ao novo marco regulatório

A implementação do Inventário Nacional de Substâncias Químicas marca uma nova fase para a gestão de produtos químicos no Brasil. Empresas que atuarem de forma preventiva terão mais segurança para lidar com as exigências da Lei nº 15.022/2024 e seus atos complementares.

Se a sua empresa precisa revisar substâncias, FDS, rotulagem, classificação GHS, importação ou documentação regulatória, conte com a Intertox.

Fale com um especialista e prepare sua operação para atender ao Inventário Nacional de Substâncias Químicas com segurança técnica, conformidade e previsibilidade regulatória.

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