Toxicologia: Governo sírio entrega 800 toneladas de armas químicas para serem destruídas

Segundo reportagem exibida no mês de julho no Jornal Nacional da Rede Globo, o governo da Síria entregou um carregamento contendo 800 (oitocentas) toneladas de armas químicas, dentre elas VX e Sarin. O carregamento será neutralizado no Mar Mediterrâneo, e o processo poderá levar até 3 (três) meses.

As armas químicas constituem uma das classes de armas não convencionais de mais baixo custo, de mais difícil detecção e controle e, além das armas nucleares e biológicas, as únicas capazes de causar uma destruição de vidas sem precedentes na história da humanidade.

Tais compostos são empregados pela humanidade desde tempos remotos, mas foi só a partir da I Guerra Mundial (GM) que ganharam a conotação de armas de destruição em massa. Um século se passou desde o fim da Primeira Guerra Mundial e o emprego de armas químicas ainda é uma constante ameaça mundial, conforme foi observado em agosto de 2013, quando na Síria ocorreu o emprego do Sarin contra a população civil e provocou a morte de mais de 1.500 pessoas.

São diversos os compostos químicos empregados para fins bélicos e atos terroristas, dentre as principais classes existem: neurotóxico (ex. tabun, sarin, VX ; agentes vesicantes (ex. mostardas e levisita); agentes sanguíneos (ex. cloreto de cianogênio, cianeto de hidrogênio); agentes sufocantes (ex. fosgênio, cloro) e toxinas (ex. ricina, saxitoxina). Dentre tais classes, os agentes neurotóxico são as mais letais das armas químicas.

Os neurotóxicos são compostos organofosforados, que atuam inibindo as enzimas colinesterásicas, em particular a acetilcolinesterase (AChE), a AChE eritrocitária (EC 3.1.1.7) e a AChE butirilcolinesterase (EC 3.1.1.8), esses agentes se ligam de forma muito estável ao centro das colinesterases inibindo sua ação, desta forma, a acetilcolinesterase não consegue se ligar a acetilcolina, que por sua vez se acumula nas fendas sinápticas, promovendo um quadro característico da intoxicação por neurotóxicos, com: dor ou ardor nos olhos, visão escura ou turva, miose, rinorréia, salivação, bronco constrição e secreção, tosse, aperto no peito, falta de ar, sibilo, náuseas, vômitos, diarréia, aumento de secreção e motilidade, câimbras abdominais e dor, sudorese, fasciculações, espasmos e fraqueza muscular, diminuição ou aumento da freqüência cardíaca, perda de consciência, depressão do centro respiratório, ansiedade, tontura e confusão mental e em elevadas concentrações ocorre à morte.

A Síria, após o emprego de sarin em 2013, se tornou signatária da Chemical Weapons Convention, assim, a convenção que é de responsabilidade da Organization for the Prohibition of Chemical Weapons (OPCW), recolheu toneladas de armas químicas a serem destruídas, entretanto, a destruição é custosa, demorada e segundo a reportagem da Rede Globo, será utilizado novo processo para neutralizar tais compostos, o novo processo será realizado pela primeira vez em mar aberto, ainda segundo a reportagem, a OPCW garante que a neutralização e destruição não trará nenhum prejuízo à saúde humana e ao meio ambiente.

Os países e seus organismos coletivos têm se empenhado bastante para banir por definitivo tal prática, mas será que isso tem sido suficiente?