Toxicologia: Cigarros Eletrônicos, Prevenção ou Perigo?

Toxicologia: Cigarros Eletrônicos, Prevenção ou Perigo?

Embora comercializado como uma alternativa segura, os cigarros eletrônicos podem conter alta toxicidade.

Os cigarros eletrônicos ou e-cigarettes, como são conhecidos nos Estados Unidos, estão amplamente disponíveis através da internet e em lojas de varejo. Geralmente fabricados para se assemelhar aos tradicionais, isqueiros, cigarros de tabaco, os cigarros eletrônicos contêm um cartucho cheio de um líquido com sabor.

Quando o usuário inala esse líquido – que pode conter nicotina – suas partículas são vaporizadas por um elemento de aquecimento, o que proporciona uma dose de nicotina com potencial variável.

Embora comercializado como uma alternativa “segura” ou uma ajuda para parar de fumar o tabaco, o cigarro eletrônico não foi testado para verificar qualquer uma dessas alegações. O precedente jurídico atual sustenta que estes produtos não são dispositivos de distribuição de droga, impedindo a FDA (Food and Drug Administration) de regulamentar seu uso.

Os autores argumentam que os cigarros eletrônicos representam, pelo menos, dois grandes riscos à saúde pública:

1) Eles podem introduzir crianças e outros não-fumantes à nicotina e ao uso ritual de fumar. Mais preocupante ainda, é a disponibilidade de vários sabores – como o Apple (sabor artificial de maçã) – que pode agradar aos consumidores mais jovens.

2) O risco de toxicidade destes produtos não tem sido bem investigado. Um grande perigo são seus recipientes de solução, que muitas vezes vêm em frascos de 30 ml e podem conter 18 mg / mL de nicotina, ou mais. Em outras palavras, um frasco de 30 ml pode conter, pelo menos, 540 mg de nicotina. Uma vez que a dose letal mínima para crianças é estimada em 1 mg / kg, essa comercialização é bastante alarmante.

Em abril passado, a TPR (Total Physical Response) realizou um excelente estudo sobre os riscos de toxicidade criados pelas novas “pellets doces Tic-Tac”, que continham nicotina. Estes novos cigarros eletrônicos recarregáveis parecem apenas amplificar esse risco.

Devido a este perigo, todos os profissionais de emergência e toxicologia devem estar familiarizados com os efeitos da nicotina:

Gastrointestinais: náuseas, vômitos, salivação, diarreia

Cardiovascular: hipertensão arterial, taquicardia, arritmia cardíaca

Sistema Nervoso Central: letargia, confusão, convulsões, coma

Sistema Nervoso Periférico: sudorese, fraqueza, tremores, fasciculação, paralisia

Endócrinos: aumento da liberação de catecolaminas

FONTES:

E-Cigarettes: A Rapidly Growing Internet Phenomenon. Yamin CK et al. Ann Intern Med November 2010;153:607-609. http://www.thepoisonreview.com/2010/11/06/e-cigarettes-risk-of-nicotine-toxicity/

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