Nota de participação em congresso nos Estados Unidos

Reforçando o alerta dado pelo artigo “A IMPORTÂNCIA DA CAPACITAÇÃO DOS MÉDICOS EM TOXICOLOGIA, faço uma breve comunicação do que foi apresentado em recente congresso nos Estados Unidos.

Disruptores Endócrinos e Câncer de próstata” foi um dos temas abordados no centenário do maior Congresso Mundial de Endocrinologia, #ENDO2018, promovido pela Sociedade Americana de Endocrinologia, no período de 17 a 20 de março de 2018, em Chicago. Segundo o CA: A Cancer Journal For Clinicians, o câncer de próstata foi o de maior incidência em homens, nos Estados Unidos da América, em 2017.

Os disruptores endócrinos são substâncias capazes de interferir no sistema endócrino do organismo, podendo causar efeitos adversos no desenvolvimento, reprodução, sistema nervoso, sistema imunológico, tireóide e outros danos. Atuam no organismo substituindo os hormônios, bloqueando a sua ação natural, ou ainda, elevando ou reduzindo a quantidade normal de hormônios.

Certos disruptores endócrinos podem aumentar o risco de câncer de próstata. Pesquisas em modelos animais e em células humanas mostram a influência da exposição ao estrogênio na fase inicial da vida, no aumento do risco de câncer de próstata. Esses estudos destacam o Bisfenol A (BPA), que atua por meio da ligação de receptor transmembrana das células tronco e progenitoras da próstata, alterando as vias de sinalização intracelular, o que aumenta o risco de erros de transcrição e de síntese celular. Da mesma forma, o arsênico inorgânico foi apontado como um poluente ambiental capaz de aumentar o risco de câncer de próstata, por meio da transformação de células tronco e progenitoras (Prins et al 2014 e Ho et al 2015, Endocrinology).

Os estudos epidemiológicos mostram um aumento do risco de câncer de próstata e da mortalidade em homens expostos a certos pesticidas, agentes laranjas, alquilfenóis, bifenilaspolicloradas (PCB’s) e metais pesados, todos considerados disruptores endócrinos.

Para o futuro, biomarcadores de exposição necessitam ser desenvolvidos para que se possa identificar e monitorar as populações de risco e combater o uso e/ou abuso das substâncias que atuam como disruptores endócrinos.

Dra. Renata Francioni Lopes Zappala
Endocrinologista da Força Aérea Brasileira
Especialista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Membro da Endocrine Society
Mestre e Doutora em Endocrinologia e Metabologia pela UFRJ