Uma forte explosão ocorrida na madrugada de 20 de junho de 2026, em uma fábrica de produtos químicos situada em Itupeva (SP), gerou grande movimentação de equipes de resgate e chamou a atenção dos moradores da região. Apesar do grande impacto e da apreensão inicial, o incidente não resultou em feridos e nem em incêndio, segundo uma nota oficial divulgada pela Prefeitura de Itupeva.
Conforme detalhado no comunicado da prefeitura, o evento se deu durante uma reação química envolvendo peróxido de hidrogênio e óleo de soja. As apurações técnicas indicaram que concentrações acima do ideal no processo levaram a um excesso de pressão em um dos reatores da planta industrial. O equipamento, que é um tanque de aço inoxidável com sistemas de segurança, reagiu ao aumento da pressão abrindo sua válvula (ou tampa) de alívio, o que liberou os gases acumulados e causou a explosão presenciada.
Ainda de acordo com a prefeitura, a empresa opera com quatro reatores interligados. Após o ocorrido, dois deles foram imediatamente drenados e esvaziados. Um quarto reator continuou em funcionamento, pois não era possível interromper o processo de forma súbita, sendo programado para um esvaziamento controlado posteriormente. Durante todo o incidente, bombeiros estiveram no local orientando os responsáveis sobre os procedimentos de segurança e prevenção de incêndios. As autoridades confirmaram que a situação foi controlada sem riscos para a população local.
Embora as causas exatas do evento ainda precisem ser investigadas tecnicamente, o incidente sublinha a importância de identificar e comunicar corretamente os perigos e riscos associados a substâncias químicas e processos industriais. Nesse sentido, a Ficha com Dados de Segurança (FDS) desempenha um papel crucial na prevenção de acidentes e na resposta a emergências.
De acordo com a ABNT NBR 14725:2023, norma brasileira vigente que estabelece os critérios para classificação de perigos, rotulagem preventiva e elaboração de documentos de segurança, estabelece que, na seção 10 do documento (destinada às informações sobre estabilidade e reatividade) contenha informações sobre condições a serem evitadas, materiais incompatíveis, possibilidade de reações perigosas e produtos de decomposição. Em processos que utilizam oxidantes, como o peróxido de hidrogênio, o conhecimento prévio das materiais incompatíveis, condições que podem gerar reações exotérmicas, aumento de pressão ou liberação de gases é essencial para definir controles operacionais e medidas preventivas.
Na seção 5 do documento de segurança (que trata das medidas de combate a incêndio) oferece diretrizes cruciais para emergências. De acordo com normativa brasileira, a seção 5 necessita conter os meios de extinção adequados, os perigos específicos decorrentes da combustão ou decomposição dos produtos, os equipamentos de proteção necessários para as equipes de resposta e os procedimentos especiais de combate ao fogo. Essas informações auxiliam bombeiros e equipes de socorro a identificar e prevenir riscos adicionais, estabelecendo áreas de segurança e tomando medidas para impedir o agravamento de uma situação de risco.
Os acidentes com reações químicas mostram que a segurança de processos não depende somente da integridade dos equipamentos e de sistemas de proteção adequados, mas também do acesso a informações técnicas exatas e recentes. Assim, manter as documentações de seguranças completas, atualizadas e condizentes com os produtos e processos reais segue sendo um dos modos mais importantes de evitar acidentes em indústrias e garantir a segurança de empregados, equipes de emergência e comunidades vizinhas.
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