Toxicologia Ambiental: Debate sobre resíduos de Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs)

O portal ambientebrasil, no dia 21 de julho de 2015, noticiou o evento que está sendo promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sobre Técnicas e Tecnologias de Tratamento e Destinação Final de Bifenilas Policloradas (PCBs) e Outros Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs). O evento acontece em 21 e 22 de julho, em Brasília, com a presença de setores públicos e privados, além de outros interessados em prevenir e extinguir os riscos à saúde humana e ao meio ambiente que estes compostos podem provocar com foco nas possibilidades de descontaminação e eliminação dos PCBs.

Os POPs, são compostos orgânicos aromáticos, poliaromáticos e alicíclicos clorados, extremamente tóxicos, produzidos em diversas atividades industriais: Agrotóxicos; Produtos industriais e Produtos secundários de origem industrial ou não-intencionais.

São reconhecidos por serem substâncias persistentes com baixa solubilidade em água e altamente lipossolúveis, o que resulta em bioacumulação. Além dessas características são naturalmente resistentes à degradação biológica e química, o que propicia capacidade de transporte a longas distâncias podendo assim estar presentes em locais onde nunca foram utilizados.

As doze principais substâncias classificadas quimicamente como POPs e também conhecidas como a “dúzia suja” (dirty dozen) são: Aldrin, Bifenilas Policloradas (PCB), Clordano, Diclorodifeniltricloetano (DDT), Dieldrin, Dioxinas e furanos (combustão de matéria orgânica), Dodecacloro (mirex), Endrin, Hepatcloro, Hexaclorobenzeno (HCB) e Toxafeno. As informações toxicológicas sobre esses produtos podem ser acessadas no livro Poluentes Orgânicos Persistentes– POPs publicado pela InterTox. Em 2010 como descrito no artigo, Persistentes bioacumulativos e tóxicos (PBT) uma ameaça perene, foram acrescidas mais nove substâncias a essa lista.

Dentre essas substâncias temos uma preocupação especial com as Bifenilas Policloradas (PCBs) amplamente utilizadas por se tratarem de substâncias químicas com alta resistência elétrica e estabilidade térmica, o que possibilitou o seu uso em diversos setores industriais, como produção de equipamentos elétricos, PVC, neopreno, borrachas cloradas, graxas, lubrificantes, tintas, pesticidas, entre outros.

Os PCBs são compostos orgânicos organoclorados resultantes da reação do grupo bifenila com o cloro anidro. Podem apresentar diversas substituições com variação na quantidade de átomos (de 1 a 10) resultando em até 209 estruturas diferentes que são denominadas congêneres, sendo que 130 desses estão ou estiveram presentes em misturas comerciais. A meia-vida dessas substâncias é 0,02 anos até valores elevados, considerados infinitos.

Esses compostos promovem riscos à saúde humana e ao meio ambiente, sendo inalatória, oral e dérmica as principais vias de exposição para os seres humanos e atmosfera, água e solo as principais vias de contaminação ao meio ambiente.

Os efeitos produzidos à saúde humana podem envolver os seguintes mecanismos:

  • Mecanismos dependentes do receptor Ah com indução de enzimas hepáticas da Fase I (oxigenases) e Fase II (glicuroniltransferase, hidrolases,ou glutationa), onde a hipótese mecanicista é que ocorre o transporte do complexo ligante-receptor ao núcleo e indução da CYP 1A2 pelo complexo Ah-PCB gerando um inibidor de uroporfirinogênio descarboxilase que ocasiona o acúmulo de porfirinas;
  • Mecanismos independentes do receptor Ah com indução de oxigenases hepáticas, alterações dos níveis cerebrais de dopamina e da homeostase do cálcio intracelular cerebral relacionadas com os efeitos neurológicos;
  • Ambos ou mecanismos, onde as hipóteses mecanicistas são hipertrofia hepática; efeitos no neurodesenvolvimento e na reprodução com alterações na homeostase, efeitos imunológicos e Câncer onde mecanismos não genotóxicos envolvem a produção de células oncogênicas e/ou mecanismos genotóxicos.

Os principais sintomas e efeitos observados nos seres humanos são: irritação nas vias superiores; bronquite crônica e produção de escarro; falta de apetite, anorexia e vômitos, diminuição do nº de neutrófilos, elevação dos níveis de TGO, TGP, GGT, FA e LDH, porfiria hepática, imaturidade motora, reflexos hipoativos e susceptibilidade ao susto, irregularidades menstruais e falência da concepção e câncer de fígado, intestino, sistema biliar e melanoma de pele. Esses só podem ser observados em caso de exposição acidental ou ocupacional.

A produção dos PCBs está banida pela Convenção de Estocolomo(da qual o Brasil é signatário), porém alguns países, inclusive o Brasil, não possuem a obrigatoriedade da troca de equipamentos que contenham essas substâncias, sendo essas fontes continuas e potenciais de contaminação ao meio ambiente. A atmosfera pode ser facilmente contaminada pela combustão e volatilização desses compostos, a água e solo pelo despejo de efluentes industriais em esgotos e cursos d’água e a entrada na cadeia alimentar se dá devido a alta capacidade dessas substâncias de se bioconcentrarem e biomagnificarem.

Os POPs e PCBs continuam sendo uma preocupação mundial principalmente devido a quantidade expressiva dessas substâncias ainda a serem eliminadas e da necessidade de descontaminação de muitas áreas.

A Intertox e sua equipe multidisciplinar com foco em sua visão da existência de uma sociedade desprovida de riscos químicos, toxicológicos e ambientais contribuem ativamente para o banimento dessas substâncias, podendo citar o Inventário Nacional de Bifenilas Policloradas elaborado junto ao Ministério do Meio Ambiente e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a publicação para o Centro de Recursos Ambientais da Bahia, Órgão Estadual de Meio Ambiente da Bahia, da monografia Poluentes Orgânicos Persistentes POPs, ISBN 85-88595-12-5, que dentre os poluentes abordados contou com o perfil toxicológico dos PCBs, dentre outros.