Toxicologia de Emergência: Intoxicação por cianetos

O cianeto de hidrogênio (CAS 74-90-8, fórmula molecular HCN) é um agente ubíquo na natureza. Sua liberação no ambiente ocorre através de emissões vulcânicas, queima de biomassa, e, de vários processos biológicos naturais através de bactérias, algas e fungos superiores. O cianeto é também encontrado em vegetais tais como mandioca, bambu, frutas, entre outros, sendo que há registros de intoxicações letais por cianeto pela ingestão de plantas ainda no Egito antigo. O cianeto é também subproduto da queima de diversos componentes usados na indústria, como o plástico, o acrílico e a espuma de poliuretano. 

 

 

É um agente químico clássico, primeiro, pelo fato de que é considerado como um dos precursores dos ácidos nucléicos na teoria da origem da vida; segundo, pela sua ocorrência no amplo uso industrial, em incidentes, ou para fins bélicos (incluindo o uso em ações terroristas, pois há quem prefira segmentá-lo do uso bélico) e suicidas; e terceiro, pela sua natureza tóxica amplamente estudada em Toxicologia.

 

O cianeto tem a capacidade de desativar diversas enzimas, sobretudo, aquelas contendo ferro no estado férrico (Fe+++) e cobalto. O efeito letal por anóxia histotóxica (redução dos níveis de oxigênio nos tecidos) ocorre devido à ligação do cianeto ao sítio ativo (íon férrico) do citocromo c oxidase (ou citocromo a-a3), uma proteína terminal na cadeia de transporte de elétrons na membrana da mitocôndria. Tal interação inibe a mudança de estado do ferro à forma ferrosa (Fe++) e a transferência de elétrons para o oxigênio molecular, impossibilitando uso do oxigênio e a síntese de ATP (adenosina trifosfato) na cadeia respiratória.

 

Assim, apesar do oxigênio disponível no sangue, não pode ser gerado ATP por meio da cadeia respiratória, ocorrendo interrupção do metabolismo aeróbico nas células. Inicialmente, ocorre um mecanismo de compensação com a formação de ATP pela via glicolítica, todavia, tal mecanismo compensatório é insuficiente para a demanda biológica, principalmente para o metabolismo cardíaco e do sistema nervoso central, que dependem da via aeróbica e possuem metabolismo anaeróbico limitado.

Com a intoxicação estabelecida o uso da hidroxicobalamina tem sido uma das opções mais consideradas no tratamento imediato de vítimas de incêndios. A hidroxicobalamina se complexa com o cianeto formando cianocobalamina, atóxica, a qual é excretada na urina.

REFERÊNCIAS, NOTAS OU LINKS

Centro de assistência toxicológica do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo - http://med.fm.usp.br/dim/homepage/a105/ceatox.htm

Mais informações:

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK28380

http://www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0910/cianetos/p5.html

http://www.inchem.org/documents/antidote/antidote/ant02.htm

http://www.who.int/ipcs/publications/cicad/en/cicad61.pdf

http://www.inchem.org/documents/pims/chemical/pimg003.htm

http://www.inchem.org/documents/cicads/cicads/cicad61.htm#7.9

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