Memória do clima da Terra no gelo da Groelândia

Nos últimos milhões de anos, o clima da Terra se alterna entre as eras glacias (de expansão da calota), que duram aproximadamente cem mil anos, e os períodos interglaciais (de retração do gelo), que variam entre 10 mil e 15 mil anos. Atualmente, a Terra está no período Flandrian, ou seja, enfrenta uma onda de aquecimento global.

 

O período interglacial que antecedeu o atual foi o Eemian, entre 130.000 e 115.000 anos atrás. Nesse período, segundo Robert Delmas, diretor do Laboratório de Glaciologia e Geofísica do Meio Ambiente de Grenoble, na França, “Em apenas alguns decênios, por motivos desconhecidos, a temperatura despencou nada menos que 14°C em média e em seguida, e com a mesma rapidez, as condições voltaram ao normal.”

 

 

O NEEM é um núcleo internacional de pesquisa cujo maior objetivo é recuperar placas de gelo do período Eemian no Noroeste da Groenlâdia para aprender mais sobre o período quente que, em muitos aspectos pode ser visto como análogo ao aquecimento global esperado para o futuro. Os cientistas buscam analisar este material para correlacioná-lo com as mudanças climáticas previstas para o período atual. 

 

As abruptas mudanças climáticas estão sendo estudadas detalhadamente por meio de diferentes medições que incluem isótopos estáveis da água, que fornecem informações sobre mudanças de temperatura; mistura de gases presentes na época, gases estufas presos no gelo e no material biológico, o que aumenta o conhecimento sobre a variabilidade natural dos ciclos do carbono. Além disso, várias medidas químicas vão buscar compreender as variações anuais do clima. A profundidade e acuidade das medições estão entre as mais avançadas para esse campo de pesquisa, sobretudo em uma das regiões mais inacessíveis do lençol de gelo da Groenlândia.

 

Essa viagem por 130 mil anos no tempo pode trazer boas pistas sobre o futuro das mudanças climáticas mundiais, como destaca estudo publicado em Janeiro na revista Nature. Durante o período Eemiano, houve um grande derretimento da superfície de gelo, reduzindo a altura da calota em incríveis seis centímetros por ano. Apesar disso, a equipe estima que a massa de gelo não perdeu mais de 25% do seu volume original durante os 6.000 anos mais quentes. O processo de derretimento do gelo superficial pode ser observado no sitio de pesquisa da NEEM durante o verão excepcionalmente quente de Julho de 2012. Com o aquecimento adicional, o derretimento do gelo superficial pode se tornar um processo bastante comum no futuro próximo.

 

"A boa notícia do estudo é que a camada de gelo da Groenlândia não é tão sensível aos aumentos da temperatura e do gelo derretido que corre para o mar em períodos de aquecimento, como pensávamos anteriormente", explica Dorthe Dahl-Jensen, líder do projeto NEEM e professora do Instituto.

 

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